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Ter um amigo que bebe é o principal fator de risco para jovem experimentar Álcool

Um novo estudo da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, mensurou a influência que os amigos têm na hora de um adolescente experimentar bebida alcoólica. Segundo a pesquisa, ter um colega que bebe dobra o risco de um jovem dar o primeiro gole de álcool — e a influência das amizades nesse sentido é mais forte do que possuir histórico de alcoolismo na família, por exemplo. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Pediatrics.

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De acordo com Samuel Kuperman, que coordenou o estudo, o que o motivou a realizar esse trabalho foram os resultados de um levantamento que indicou que um terço dos estudantes americanos de 13 a 14 anos afirmou já ter experimentado bebida alcoólica. Entre os jovens de 15 anos, mais da metade relatou já ter bebido e, entre adolescentes de 16 a 17 anos, essa prevalência foi de mais de 70%.

Para entender o que está levando cada vez mais jovens a experimentarem bebida alcoólica, Kuperman e sua equipe se basearam em dois estudos sobre o consumo de álcool entre adolescentes. Os pesquisadores concluíram que os principais fatores que podem predispor um adolescente a começar a beber são: problemas de comportamento, histórico de alcoolismo na família, baixo nível socioeconômico e ter amigos que bebem. A partir dessa conclusão, a equipe avaliou 820 jovens de 14 a 17 anos.

Influência — Entre todos os fatores de risco, ter um amigo de consome bebida alcoólica foi o mais determinante para que um adolescente começasse a beber — quatro em cada dez jovens que relataram já ter bebido afirmaram que seu melhor amigo também consumia bebida alcoólica. Além disso, segundo o estudo, ter algum parente alcoólatra não necessariamente influi no primeiro gole de álcool do adolescente, mas sim no quão ele vai beber ao longo da vida.

“Quando uma pessoa começa a beber, mesmo crianças que possuem algum familiar alcoólatra, ela geralmente não obtém o primeiro gole de álcool de algum parente, mas sim de um amigo. Se o jovem tem um amigo que possui acesso à bebida alcoólica, então será mais fácil de experimentá-la”, diz Kuperman.,

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://veja.abril.com.br

Alcoolismo: a única forma de prevenir é não beber

alcoholismo

Ronaldo Correia de Brito

Do Recife (PE)

 A revista Veja da semana passada trouxe uma matéria de capa sobre alcoolismo. As manchetes falam que é possível prevenir a doença sem cortar a bebida; como a medicina identifica o bebedor de risco; e que as estatísticas mostram que o perigo cresce mais rapidamente entre as mulheres. A matéria de oito páginas com ilustrações e gráficos termina com a seguinte frase: “Teremos cumprido nosso objetivo se ao acabar de ler esta reportagem você se reconhecer como um bebedor de risco e isso levá-lo ou levá-la a procurar ajuda profissional”. E no fim de tudo, um “Saúde!”, que lembra o tintim de copos ou taças de bebida.

Um artigo sobre alcoolismo numa revista de tiragem de mais de um milhão de exemplares é para se comemorar. Sobretudo, se levarmos em conta a estatística de que cada exemplar é lido por cerca de cinco pessoas, o que elevaria a cifra de leitores para cinco milhões. Dedicar oito das 148 páginas da revista ao assunto – embora quase metade de Veja seja ocupada por material publicitário – é bastante significativo. É um número duas vezes maior que as quatro páginas dedicadas à propaganda de cerveja, uma bebida alcoólica, que leva à doença.

O artigo se ocupa mais do bebedor de risco, esse que erradamente chamam de bebedor social, e do medicamento Bacoflen, testado na dependência, mas ainda sem eficácia comprovada e com efeitos colaterais severos. Também toca numa questão importante, o uso crescente entre os jovens de uma mistura adocicada de vodca e sucos de fruta ou refrigerantes, os ices, vendidos como se não se fosse bebida alcoólica, e que têm um largo consumo entre os jovens, induzindo ao alcoolismo.

Talvez faltem cores fortes à matéria de Veja. Ela não enfatiza o horror que é o alcoolismo – o mais grave problema de saúde pública no país -, as conseqüências sociais e econômicas do vício, como a desagregação familiar. Não diz que em mais de oitenta por cento dos acidentes de trânsito com morte, os motoristas estão embriagados. Que o alcoolismo está relacionado com a crescente violência dentro de casa e o assassinato de mulheres, além de outros homicídios.

A manchete de capa “É possível prevenir a doença sem cortar a bebida” é perigosa e falsa. Promete o impossível. Porque no alcoolismo diagnosticado só existe uma cura: a abstinência radical. Os indivíduos alcoólatras, que pararam de beber, não devem nunca mais tomar um único copo de bebida, pois isso desencadeia o retorno ao vício, ao ponto zero.

Algumas associações como os Alcoólicos Anônimos são bem radicais. Aconselham que os dependentes não tomem nem mesmo medicamentos que contenham o mais baixo teor de álcool e que os padres alcoólatras substituam o vinho da consagração na missa, pela água. Estão corretos; a memória do prazer alcoólico desperta aos mínimos estímulos e os viciados voltam a beber.

Possivelmente a manchete se refere aos bebedores de risco, mas ela não está clara. A leitura que fazemos do texto é a seguinte: Alcoolismo: é possível prevenir a doença sem cortar a bebida. E isso é uma publicidade falsa e perigosa, que parece estar a serviço dos fabricantes de medicamentos ou de bebidas. Repito o que todos os especialistas afirmam: só existe uma forma de prevenir o alcoolismo: jamais beber.

A matéria também não toca no assunto tabu quando se fala de alcoolismo: a propaganda do álcool. Em nome de uma suposta liberdade de imprensa, empresas de publicidade, televisões, rádios, jornais, revistas, etc., garantem seus lucros em campanhas para os fabricantes de bebida, aliciando novos bebedores, sobretudo os jovens e as mulheres. Há campanhas publicitárias escandalosas em que as mulheres são associadas à bebida como fetiche e objeto de sedução. Até peças íntimas do vestuário feminino entram num jogo perverso de instinto, erotismo, cheiro e sabor de cerveja. Um escândalo! E ninguém protesta. Nem mesmo as feministas.

A lei que controlaria esses abusos foi arquivada. Enquanto isso, somos obrigados a ler matérias paliativas sobre alcoolismo, financiadas pela propaganda de cervejas.

 

Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca, Livro dos Homens e Galiléia.

 http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3976853-EI6788,00-Alcoolismo+a+unica+forma+de+prevenir+e+nao+beber.html


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