Dormiu ouvindo, acordou surdo

Aos 17 anos, Dennis Brandão foi dormir ouvindo. Quando acordou, estava surdo. “Foi desesperador”, lembra o hoje assessor comercial, de 36 anos. Na época, a primeira coisa foi imaginar que o problema pudesse ser consequência de um quadro gripal que teria afetado o ouvido. Com o passar dos dias, sem regressão do problema, ele foi internado e tiveram início as investigações. Foi então que os médicos constataram que se tratava de um quadro grave de surdez bilateral, mas não souberam precisar as causas. No caso de Dennis, a surdez súbita tornou-se definitiva.

 

Acredita-se que a surdez súbita – que pode ser leve, moderada, profunda ou total – acometa de 5 a 20 indivíduos a cada 100 mil. Estudos alemães recentes relatam incidência de até 300 em cada 100 mil pessoas. “No Brasil não temos dados epidemiológicos oficiais. Mas apesar de parecer uma incidência baixa, a surdez súbita tem grande importância pela alta morbidade causada, pois ela afeta a audição e envolve aspectos emocionais, sociais e profissionais na vida do paciente”, diz médica Ana Cristina Kfouri, otorrinolaringologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Causas diversas

Não se trata exatamente de uma doença. “A perda auditiva repentina é um sintoma que pode denunciar a presença das mais diversas patologias. Algumas vezes descobrimos a razão do problema, mas na maioria dos casos ela é considerada idiopática, ou seja, não tem causa aparente”, explica a otorrino Norma Penido, chefe de clínica do Setor Interdisciplinar de Otologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Entre as principais causas conhecidas (cerca de 10 a 15% dos casos, em estágio inicial) tem-se drogas ototóxicas, trauma acústico, trauma mecânico, fístula labiríntica, acometimentos neurológicos (neurinoma do nervo cocleovestibular, acidente vascular cerebral, esclerose múltipla), causas neoplasicas (tumores, carcinomatoses meníngeas, mieloma múltiplo, leucemia) e radioterapia. “O restante supõem-se que sejam casos provocados por problemas virais, vasculares, autoimunes e psicossomáticos”, diz Ana Kfouri.

Quando se conhece a raiz da enfermidade, as chances de recuperação aumentam. “A partir do momento em que encontro a etiologia – um tumor, por exemplo –, irei direcionar o tratamento a ela. Assim estarei tratando também a surdez súbita. Muitas vezes, porém, apesar da medicação e até do uso de aparelhos auditivos, não há o que se fazer para restabelecer a audição”, diz a médica da Unifesp.

Em casos de surdez súbita idiopática, a recuperação pode ser total em 25% dos casos, parcial em 50%, mas 25% dos pacientes não restauram a audição.

Quando existe melhora (espontânea ou seguida de tratamento medicamentoso) ela acontece, geralmente, nas duas primeiras semanas. Mas também pode demorar até cerca de seis meses. “Há fatores prognósticos que dão indícios quanto à maior ou menor chance de recuperação do paciente, tais como intensidade da perda auditiva, tipo da curva audiométrica, exame vestibular alterado e demora para início do tratamento”, argumenta a médica da Santa Casa.

Quando procurar o médico

O indivíduo pode se perceber surdo de repente ou notar perda progressiva em até 72 horas. Em 70% dos casos, o quadro pode estar associado a zumbidos e, em 40%, tonturas. É o que geralmente leva a pessoa a procurar o médico.

Segundo as especialistas, fatores sócio-econômico-culturais influenciam a busca por ajuda. “Muitas pessoas não procuram o médico por desconhecerem os possíveis problemas que podem afetar o ouvido além de dor; outros, porque não querem faltar ao trabalho (já que não dói, depois passa). Muitos até tentam, mas não conseguem vagas no serviço público de saúde. E, por fim, o indivíduo até chega ao clínico geral – mas alguns colegas, por despreparo, mal examinam o paciente ou acham que se trata de uma simples rolha de cera e não fazem o encaminhamento ao especialista. Por isso não conseguimos estabelecer a incidência desta afecção em nosso País e temos tanta dificuldade para pesquisas clínicas sobre o assunto”, analisa Ana Cristina Kfouri.

Tratamentos propostos

Em uma fase inicial, os especialistas indicam o uso de corticóides sistêmicos (desde que não haja contra-indicação expressa), podendo-se associar vasodilatadores (pentoxifilina ou betahistina ou até ginkgo biloba). “O uso de antivirais é contraditório: alguns estudos relatam melhora; outros, dizem que seu efeito é o mesmo de um placebo. Atualmente, tratamentos ‘alternativos’ como câmara hiperbárica e corticóide intratimpânico têm sido estudados, mas com eficácia ainda discutível. Em uma deficiência auditiva refratária, alguns colegas têm indicado também a acupuntura, porém os resultados não são significativos”, explica a otorrino Ana Kfouri.

Os aparelhos auditivos – e até mesmo o implante coclear – são indicados em casos em que não existem mais chances de recuperação com uso de medicação e quando há condições para tal utilização.

Final feliz para Dennis

O assessor comercial Dennis Brandão ficou sem ouvir por quase 15 anos. “Foi um choque perder a audição. Apesar disso, procurei levar uma vida normal, fiz faculdade, me formei em administração. Mas não escapei de períodos mais difíceis, sofrendo discriminação no trabalho – exercendo uma função inferior à minha capacidade pelo fato de ser surdo – e até mergulhando na depressão”, conta.

Em 2005, depois de experimentar aparelhos auditivos sem sucesso, ele se submeteu a uma cirurgia de implante coclear. “Mesmo sem a garantia de que voltaria a ouvir, arrisquei. Meu sonho era escutar uma buzina, um apito”.

O procedimento foi um sucesso e aos poucos ele foi resgatando a memória auditiva. E não esquece a primeira música que ouviu. “Foi uma canção do Wando, com aquele refrão ‘meu iaiá, meu ioiô’”, cantarola.

O implante foi feito no lado esquerdo – convênios médicos cobrem a cirurgia, mas só autorizam em um dos ouvidos e Dennis ainda batalha para realizar a operação no outro lado. Mas o fato mudou sua vida. “Progredi profissionalmente e até me casei. Voltar a ouvir me reintegrou à sociedade”, finaliza.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://saude.ig.com.br

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

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