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Dia do Amigo – 20 de Julho

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OMS decide parar de contar casos da nova gripe A (H1N1)

gripe

O Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (17) que, a pandemia de Influenza A (H1N1), conhecida como gripe suína, está se espalhando pelo mundo numa velocidade “sem precedentes” e, por isso, decidiu parar de divulgar contagens de casos confirmados e países afetados pela doença.

A pandemia de gripe “se disseminou numa velocidade sem precedentes“, informou a agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU). “Nas pandemias do passado, os vírus de influenza precisaram de mais de seis meses para se espalharem tanto quanto o vírus da gripe A se disseminou nas últimas seis semanas”, compara a OMS em comunicado divulgado hoje em seu site.

Segundo o documento, a entidade informa que passará a concentrar sua atenção na atualização de informações de países afetados recentemente, a fim de acompanhar a disseminação do vírus da gripe A pelo globo. De acordo com a OMS, a contagem de casos individuais não é mais essencial para avaliar o risco representado pela gripe suína e o foco passará a ser os novos países atingidos pela enfermidade. “A OMS continuará solicitando que esses países reportem os primeiros casos confirmados e, no prazo mais rápido possível, forneçam semanalmente os números e a epidemiologia descritiva dos primeiros casos”, prossegue a nota.

Ainda assim, a OMS pede a todos os países que “monitorem de perto acontecimentos incomuns”, como a eclosão de infecções graves ou fatais ou desvios de padrão que possam ser associados a um eventual agravamento da doença. Em muitos países, as pesquisas e os exames laboratoriais absorvem recursos em excesso deixando os sistemas de saúde com menos capacidade de monitoramento de casos graves ou de acontecimentos excepcionais que poderiam indicar um aumento da virulência ou mutações no vírus da gripe.

“Em face de todas essas razões, a OMS não irá mais divulgar tabelas globais com os números de casos confirmados em todos os países”, diz a entidade no comunicado. Em seu último boletim, divulgado na semana passada, a OMS informava pouco menos de 95.000 casos da doença no mundo, com 429 mortes. Mas a cifra está bastante desatualizada. Somente a Grã-Bretanha calcula que 55.000 novos casos da doença tenham surgido em seu território na última semana. As informações são da Dow Jones.

Redação Viva Melhor
Fonte: AE (Publicado em 17.07.2009, às 10h33)
Foto: Reprodução

Governos temem que falte vacina na Am. Sul

Governos temem que falte vacina na América do Sul

Países ricos teriam reservado doses que estão sendo produzidas

Autoridades dos ministérios da Saúde de Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia e Uruguai manifestaram ontem, durante reunião em Buenos Aires, preocupação com a possível escassez de vacinas contra a gripe suína nos países da região.

Nosso temor é de que as vacinas que estão sendo fabricadas já estejam comprometidas (com os países do Norte) declarou o ministro Juan Manzur, da Argentina.

Segundo ele, a preocupação foi transmitida à Organização Pan-Americana da Saúde. Anteontem, a Organização Mundial da Saúde já havia alertado que não haverá vacina para todos e que 1,8 bilhão de doses já foram compradas por países ricos.

Sem vacinas para todos, a OMS apresentou estratégias que poderão ser usadas: profissionais de saúde devem ser priorizados, além de pessoal do setor de infraestrutura essencial, como segurança e aeroportos.

Vacina deve chegar ao mercado em dezembro

A vacina fica pronta em outubro e deve chegar ao mercado em dezembro, após testes clínicos. O Instituto Butantà terá de doar 10% de sua produção de vacinas contra a gripe suína à Organização Mundial da Saúde.

No encontro em Buenos Aires, os representantes dos ministérios se disseram preocupados com a possibilidade de que ocorra “uma segunda onda” do vírus nas próximas semanas.

O governo Lula foi representando pelo diretor-geral do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Eduardo Hage, e pelo diretor de Controle Sanitário de Aeroportos, Embarcações e Terminais de Transporte, Paulo Koury.

Fonte: O Globo 16.07.2009

Consumo de Soja pode proteger contra doenças respiratorias…

É o que indica um estudo australiano publicado na revista científica Respiratory Research. Os autores destacam que o tabagismo é o principal factor de risco, mas a alimentação também tem o seu papel no desenvolvimento da doença.

Avaliando 278 pessoas com a doença pulmonar e 340 sem a doença – todas com idades entre os 50 e 75 anos –, os especialistas descobriram que aqueles que não tinham a doença consumiam mais soja por dia – cerca de 60 gramas – do que os que tinham o problema respiratório (45g em média).

Baseados nos resultados, os investigadores concluíram que a ingestão habitual de soja «pode ter um importante impacto nos custos dos sistemas de saúde associados com a morbilidade e mortalidade da doença».

Porém, mais estudos serão necessários para avaliar se esses alimentos podem ajudar a prolongar a sobrevivência de pacientes já diagnosticados com a condição.

2009-07-16

Reajuste de Planos de Saúde Coletivo

Planos de saúde coletivos só poderão ser reajustados uma vez por ano

Do UOL Ciência e Saúde
Em São Paulo

Nenhum contrato de plano de saúde coletivo poderá receber reajuste em um prazo inferior a 12 meses. Até então, os aumentos podiam acontecer mais de uma vez por ano. As decisões estão contidas em duas resoluções publicadas na edição de hoje (15) do Diário Oficial da União pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e passam a valer no prazo de 30 dias.

A resolução nº 195 dispõe sobre a classificação e as características dos planos de saúde, regulamentando a sua contratação e trazendo orientações para os consumidores na hora de escolher seu plano de saúde. Já a nº 196 define e disciplina a atuação das Administradoras de Benefícios, reafirmando, por exemplo, a proibição da prática de seleção de risco, bem como a imposição de barreiras assistenciais, que venham a impedir o acesso do beneficiário às coberturas previstas em contrato.

Além da questão do reajuste, a resolução 195 proíbe a exigência de carência em planos com 30 ou mais beneficiários. Antes, o número mínimo era de 50 beneficiários.

Outra novidade é que fica proibida a exigência da carência nos planos por adesão, desde que o beneficiário ingresse no plano em até trinta dias após a celebração do contrato. A cada aniversário do contrato, será permitida a adesão de novos beneficiários sem o cumprimento de carência.

Corpo em forma: benefícios com a corrida

Corpo em forma: benefícios com a corrida

Coração: ajuda a fortalecer e melhora a sua eficiência. Ganha capacidade para bombear mais sangue com menos batidas

Circulação: o sangue circula mais pelo corpo, aumentando a entrada de oxigênio nos tecidos, o que otimiza a função dos órgãos

Sono: ajuda a pessoa a dormir melhor; segundo especialistas, não existe calmante melhor do que um corpo cansado

Peso: uma pessoa de 70 kg queima cerca de 450 calorias a cada uma hora de atividade.

Ossos: estimula a formação de massa óssea, ajudando a prevenir doenças como a osteoporose.

Pressão: promove maior elasticidade dos vasos sanguíneos, o que ajuda a manter a pressão baixa; ideal para hipertensos.

Pulmão: a função é maximizada, principalmente na porção superior do órgão -um dos principais focos de infecção respiratória. Corredores correm menos risco de contrair tal tipo de infecção.

Glicemia: as taxas de glicose caem, e as células se tornam mais sensíveis à insulina, o que reduz os níveis de açúcar no sangue e ajuda portadores de diabetes.

Colesterol: os níveis de LDL (colesterol “ruim”) diminuem.

Estresse: o hormônio cortisol, liberado quando a pessoa está estressada, é queimado durante a corrida.

Cérebro: aumenta os níveis de serotonina, neurotransmissor associado à depressão.

Humor: após o exercício, o corpo libera endorfina, substância que provoca euforia passageira.

Músculos: a corrida queima a gordura dos tecidos musculares, deixando-os mais fortes e “enxutos”.

Rins: o aumento da circulação melhora a função do rim, que filtra o sangue e reduz o número de substâncias tóxicas que circulam pelo corpo.

Cartilagem: pessoas que correm têm a cartilagem das articulações mais espessa, o que protege melhor a região.

Equipe Bem Star

 http://www.sulamerica.com.br/saudeativa/

Dia do Enfermo – 14 de Julho

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Vírus da gripe vai circular no País, diz infectologista

O Brasil corre grande risco de chegar ao estágio de transmissão sustentada do vírus da gripe suína, avalia o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip.

Neste estágio, o vírus A (H1N1) passaria a circular livremente no Brasil e poderiam ocorrer contaminações sem vínculo com viagens ao exterior ou pessoas que adquiriram a doença em outros países.

“É muito provável que isso ocorra”, afirmou o médico, em entrevista concedida por telefone. “Não chegamos a esse estágio ainda e estamos fazendo de tudo para evitá-lo, mas pode ser uma questão de tempo.”

Mesmo que o Brasil venha a atingir o estágio, não há razão para pânico. A letalidade da gripe suína é baixa – atinge 0,45% dos pacientes infectados.

“É uma taxa muito similar à da gripe comum”, destaca Uip.

Segundo boletim do Ministério da Saúde, divulgado na última sexta-feira, em apenas sete países a transmissão do vírus já é considerada sustentada (Estados Unidos, México, Canadá, Chile, Argentina, Austrália e Reino Unido).

“Como estamos no inverno, época em que as pessoas se aglomeram e a possibilidade de transmissão do vírus se amplia, fica mais difícil evitar que a gripe se espalhe”, diz Uip.

Na semana passada, a morte de M., de 11 anos, em Osasco (SP), trouxe à tona a possibilidade de o vírus A(H1N1) ter transmissão sustentada. As investigações sobre como a menina teria contraído a doença continuam. Até agora, ao que se sabe, a criança, o irmão e seus pais, que também foram contaminados, mas estão bem, não tiveram contato com ninguém vindo do exterior e também não viajaram para fora do País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

A gripe suína e o monstruoso poder da indústria pecuária

 Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. A análise é de Mike Davis.

Mike Davis

 

A gripe suína mexicana, uma quimera genética provavelmente concebido na lama fecal de um criadouro industrial, ameaça subitamente o mundo inteiro com uma febre. Os brotos na América do Norte revelam uma infecção que está viajando já em maior velocidade do que aquela que viajou a última cepa pandêmica oficial, a gripe de Hong Kong, em 1968.

Roubando o protagonismo de nosso último assassino oficial, o vírus H5N1, este vírus suíno representa uma ameaça de magnitude desconhecida. Parece menos letal que o SARS (Síndrome Respiratória Aguda, na sigla em inglês) em 2003, mas como gripe, poderia resultar mais duradoura que a SARS. Dado que as domesticadas gripes estacionais de tipo “A” matam nada menos do que um milhão de pessoas ao ano, mesmo um modesto incremento de virulência, poderia produzir uma carnificina equivalente a uma guerra importante.

Uma de suas primeiras vítimas foi a fé consoladora, predicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na possibilidade de conter as pandemias com respostas imediatas das burocracias sanitárias e independentemente da qualidade da saúde pública local. Desde as primeiras mortes causadas pelo H5N1 em 1997, em Hong Kong, a OMS, com o apoio da maioria das administrações nacionais de saúde, promoveu uma estratégia centrada na identificação e isolamento de uma cepa pandêmica em seu raio local de eclosão, seguida de uma massiva administração de antivirais e, se disponíveis, vacinas para a população.

Uma legião de céticos criticou esse enfoque de contrainsurgência viral, assinalando que os micróbios podem agora voar ao redor do mundo – quase literalmente no caso da gripe aviária – muito mais rapidamente do que a OMS ou os funcionários locais podem reagir ao foco inicial. Esses especialistas observaram também o caráter primitivo, e às vezes inexistente, da vigilância da interface entre as enfermidades humanas e as animais. Mas o mito de uma intervenção audaciosa, preventiva (e barata) contra a gripe aviária resultou valiosíssimo para a causa dos países ricos que, como os Estados Unidos e a Inglaterra, preferem investir em suas próprias linhas Maginot biológicas, ao invés de incrementar drasticamente a ajuda às frentes epidêmicas avançadas de ultra mar. Tampouco teve preço esse mito para as grandes transnacionais farmacêuticas, envolvidas em uma guerra sem quartel com as exigências dos países em desenvolvimento empenhados em exigir a produção pública de antivirais genéricos fundamentais como o Tamiflu, patenteado pela Roche.

A versão da OMS e dos centros de controle de enfermidades, que já trabalha com a hipótese de uma pandemia, sem maior necessidade novos investimentos massivos em vigilância sanitária, infraestrutura científica e reguladora, saúde pública básica e acesso global a medicamentos vitais, será agora decisivamente posta a prova pela gripe suída e talvez averigüemos que pertence à mesma categoria de gestão de risco que os títulos e obrigações de Madoff. Não é tão difícil que fracasse o sistema de alertas levando em conta que ele simplesmente não existe. Nem sequer na América do Norte e na União Européia.

Não chega a ser surpreendente que o México careça tanto de capacidade como de vontade política para administrar enfermidades avícolas ou pecuárias, pois a situação só é um pouco melhor ao norte da fronteira, onde a vigilância se desfaz em um infeliz mosaico de jurisdições estatais e as grandes empresas pecuárias enfrentam as regras sanitárias com o mesmo desprezo com que tratam aos trabalhadores e aos animais.

Analogamente, uma década inteira de advertências dos cientistas fracassou em garantir transferências de sofisticadas tecnologias virais experimentais aos países situados nas rotas pandêmicas mais prováveis. O México conta com especialistas sanitários de reputação mundial, mas tem que enviar as amostras a um laboratório de Winnipeg para decifrar o genoma do vírus. Assim se perdeu toda uma semana.

Mas ninguém ficou menos alerta que as autoridades de controle de enfermidades em Atlanta. Segundo o Washington Post, o CDC (Centro de Controle de Doenças) só percebeu o problema seis dias depois de o México ter começado a impor medidas de urgência. Não há desculpas para justificar esse atraso. O paradoxal desta gripe suína é que, mesmo que totalmente inesperada, tenha sido prognosticada com grande precisão. Há seis anos, a revista Science publicou um artigo importante mostrando que “após anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte tinha dado um salto evolutivo vertiginoso”.

Desde sua identificação durante a Grande Depressão, o vírus H1N1 da gripe suína só havia experimentado uma ligeira mudança de seu genoma original. Em 1998, uma variedade muito patógena começou a dizimar porcas em uma granja da Carolina do Norte, e começaram a surgir novas e mais virulentas versões ano após ano, incluindo uma variante do H1N1 que continha os genes do H3N2 (causador da outra gripe de tipo A com capacidade de contágio entre humanos).

Os cientistas entrevistados pela Science mostravam-se preocupados com a possibilidade de que um desses híbridos pudesse se transformar em um vírus de gripe humana – acredita-se que as pandemias de 1957 e de 1968 foram causadas por uma mistura de genes aviários e humanos forjada no interior de organismos de porcos – e defendiam a criação urgente de um sistema oficial de vigilância para a gripe suína: advertência, cabe dizer, que encontrou ouvidos surdos em Washington, que achava mais importante então despejar bilhões de dólares no sumidouro das fantasias bioterroristas.

O que provocou tal aceleração na evolução da gripe suína: Há muito que os estudiosos dos vírus estão convencidos que o sistema de agricultura intensiva da China meridional é o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico intercâmbio genômico. Mas a industrialização empresarial da produção pecuária rompeu o monopólio natural da China na evolução da gripe. O setor pecuário transformou-se nas últimas décadas em algo que se parece mais com a indústria petroquímica do que com a feliz granja familiar pintada nos livros escolares.

Em 1965, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos muito debilitados.

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um informe sobre a “produção animal em granjas industriais”, onde se destacava o agudo perigo de que “a contínua circulação de vírus (…) característica de enormes aviários ou rebanhos aumentasse as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”. A comissão alertou também que o uso promíscuo de antibióticos nas criações de suínos – mais barato que em ambientes humanos – estava propiciando o surgimento de infecções de estafilococos resistentes, enquanto que os resíduos dessas criações geravam cepas de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou um bilhão de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhora na ecologia deste novo agente patógeno teria que enfrentar-se com o monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e pecuários, como Smithfield Farms (suíno e gado) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática de suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas algumas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento de pesquisadores que cooperaram com a investigação.

Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como a gigante avícola Charoen Pokphand, sediada em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre seu papel na propagação da gripe aviária no sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do vírus da gripe suína bata de frente contra a pétrea muralha da indústria do porco.

Isso não quer dizer que nunca será encontrada uma acusadora pistola fumegante: já corre o rumor na imprensa mexicana de um epicentro da gripe situado em torno de uma gigantesca filial da Smithfield no estado de Vera Cruz. Mas o mais importante – sobretudo pela persistente ameaça do vírus H5N1 – é a floresta, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da OMS, a progressiva deterioração da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente bagunçada.

Mike Davis é professor no departamento de História da Universidade da Califórnia (UCI), em Irvine, e um especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. Ex-caminhoneiro, ex-açogueiro e ex-militante estudantil, Davis é colaborador das revistas New Left Review e The Nation, e autor de vários livros, entre eles Ecologia do Medo, Holocaustos coloniais, O monstro bate a nossa porta (editora Record), e Cidade de quartzo: escavando o futuro em Los Angeles (Boitempo) Também é membro do Conselho Editorial de Sin Permiso.

Artigo publicado originalmente no The Guardian (27/04/2009). Publicado também, em espanhol, no Sin Permiso.

Tradução: Katarina Peixoto

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