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Número de Mortos por Suicídio chega a um Milhão por Ano no Mundo

Um milhão de pessoas por ano se suicidam, uma quantidade maior que o total de vítimas de guerras e homicídios. O número está no relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) publicado em Genebra nesta segunda-feira 10 para marcar a décima edição do Dia Mundial de Prevenção de Suicídio.

A OMS destacou que as taxas de suicídio mais elevadas são a dos países do leste da Europa, como Lituânia ou Rússia, enquanto as mais baixas se situam na América Central e do Sul, em países como Peru, México, Brasil ou Colômbia. Estados Unidos, Europa e Ásia estão na metade da escala. Não há estatísticas sobre o tema em muitos países africanos e do sudeste asiático.

“Uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos aproximadamente, ou seja, mais do que o número combinado das vítimas de guerras e homicídios”, informou o relatório da Organização Mundial da Saúde. O número de tentativas de suicídio ainda é muito grande, com 20 milhões de tentativas por ano. Cinco por cento das pessoas no mundo fazem uma tentativa de suicídio pelo menos uma vez em sua vida, segundo a OMS.

O problema está se agravando e o suicídio “se transformou em um problema de saúde muito importante” para a OMS, disse nesta segunda-feira o doutor Shekhar Saxena, ao apresentar esse relatório à imprensa em Genebra. “O suicídio é uma das grandes causas de morte no mundo e durante os últimos anos, sua taxa aumentou em 60% em alguns países”, acrescentou.

O suicídio é a segunda causa de morte no mundo entre os adolescentes de 15 a 19 anos, mas também alcança taxas elevadas entre pessoas mais velhas. A OMS destaca que há três vezes mais suicídios entre homens do que entre mulheres, independente das faixas de idade e os países considerados. Por outro lado, há três vezes mais tentativas de suicídio entre as mulheres que entre os homens.

A disparidade entre as estatísticas é explicada pelo fato que os homens empregam métodos mais radicais que as mulheres para morrer.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.cartacapital.com.br

Suicídio: um Gesto Extremo, Silêncio Irreversível

No dia 29/03/2009, no Paraná On Line, a jornalista Ruth Bolognese publicou a matéria “Quando a imprensa silencia” e o jornalista Wilson Bueno, o artigo intitulado “Suicídio & Suicidas”, ambos abordando o suicídio de uma adolescente de Curitiba, 15 anos, que abriu mão de sua existência num colégio de classe média e média-alta daquela cidade.

Os dois jornalistas se confessam consternados e estarrecidos. Porém, enquanto Ruth Bolognese envereda pela problemática de que se o fato deve ou não ser divulgado pela imprensa, Wilson Bueno, de forma tristemente poética viaja pelo inexplicável do ato.

Fala Ruth que, na semana do suicídio da garota, os jornais e emissoras de televisão de Curitiba, com raras exceções não noticiaram o fato. Disse ela que acadêmicos da área se apressaram em pegar o caminho da ética e dos bons costumes na imprensa e deram a explicação formal: “não se divulga suicídio, para não suscitar a imitação dos que possam se identificar com o gesto, aqui ou acolá”. Entretanto, lembrou ela: “Mas o suicídio da menina incontrolavelmente correu mundo. Daí afirmar ser melhor que se esclareça o fato. “Primeiro, porque pais e mestres têm o direito de tomar conhecimento das circunstâncias que levaram uma menina de 15 anos a entrar com um revólver dentro do pátio de uma escola. Segundo, porque a sociedade em geral precisa ser alertada para prestar mais atenção aos filhos e filhas desta geração movida a games e tecnologia. E, terceiro, do ponto de vista apenas da imprensa, porque não há como esconder um fato que choca a sociedade e se espalha como um rastilho de pólvora…”

Assim, conclui a jornalista que é preciso buscar a verdade na atuação cotidiana da mídia, contudo, intensificando-se o aprendizado sobre o respeito pela dor alheia, sabendo-se o momento de chegar e de se retirar. E a partir daí, cumpre-se a função social da imprensa de divulgar o necessário e de sempre alertar sem resvalar pelos caminhos da curiosidade.

Já Wilson Bueno alerta-nos que “por mais que a psicologia tente nos detalhar motivações e nos desvele a etiologia do ato suicida, a morte voluntária não tem explicação”.

E relembra ele “o caso da jamais esquecida poeta Ana C. Linda, esfuziante e dona de raro talento, aos 31 anos atirou-se do 8º andar de um edifício em Copacabana. Nenhum bilhete, nem um verso, nem uma palavra. Ficamos, as mãos vazias, os olhos secos, pasmos de horror. E recorda ainda o gesto extremo de Pedro Nava “um dos nossos mais luminosos escritores”, Rafael Rabelo, “o violonista-irmão”, Rita Pavão, “minha doce ‘ballerina’ que dançou ‘Bolero’s Bar’, com uma graça de passarinho”, e Antero de Quental, “poeta-ícone” português.

“Todos inexplicavelmente – diz Bueno- na glória do existir, disseram não ao sim, sonegando a si próprios céus e poentes que continuarão a existir sem eles…”

“A morte da menina foi estampido que dilacerou a manhã…”, concluiu ele. E nós, voluntários cevevianos, o que dizer ante a lembrança de uma manhã dilacerada, resultado do gesto de uma garota de 15 anos que não quis mais viver? Resta-nos sempre e cada vez mais colocarmos os nossos ouvidos disponíveis para aqueles que nos buscam e – quem sabe? – talvez ao desligarem o fone eles se permitam não sonegar os “céus e poentes” que a vida lhes possa ofertar diariamente, apesar de suas dores.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.cvv.org.br

O que Esconde o Suicídio?

Em São Paulo, em novembro de 2009, uma lamentável ocorrência invadiu os espaços da mídia brasileira: um rapaz de 30 anos, desesperado, arremessou o filho de 2 anos do 18º andar do edifício onde residia sua ex-mulher e em seguida se jogou. Segundo relatos de familiares e amigos a razão teria sido a separação da esposa ocorrida há poucos meses.

Não vai muito longe, com a diferença de poucas horas entre um fato e outro, 3 rapazes em países diferentes foram protagonistas de fatos semelhantes e estarrecedores: um jovem de 28 anos, desempregado, no Alabama, EUA, tentou a carreira policial sendo reprovado no exame. Montou uma lista de pessoas e deu início à chacina: armado de dois rifles e uma arma semiautomática disparou cerca de 200 tiros, matando a mãe, a avó, um tio, um sobrinho e um primo. Perseguido, suicidou-se.

Numa cidadezinha alemã, próxima de Stuttgart, um jovem de 17 anos considerado um adolescente normal e inofensivo, numa manhã, vestiu-se de preto, pegou uma pistola e foi até o ginásio onde estudava e deflagrou a arma 100 vezes. Matou 15 pessoas. Descobriu-se que gostava de uma garota que não correspondia ao seu amor. Perseguido pela polícia, ferido na perna, matou-se com um tiro.

E em Goiânia (GO), um cidadão de 31 anos, desempregado, certo dia convidou a mulher e a filha de 5 anos para experimentarem um vôo panorâmico. No caminho para o aeroclube atacou a companheira jogando-a na estrada com o carro em movimento. No aeroclube alugou um monomotor, conseguiu levantar vôo e ficou duas horas fazendo malabarismos perigosos até espatifar-se no estacionamento do principal shopping da cidade, morrendo com a filha.

Como explicar estas explosões de extrema violência contra si mesmos e contra os outros? Amores não correspondidos, desemprego, reprovação em concurso foram os desencadeadores destes terríveis dramas humanos, assim, anunciou a imprensa.

Entretanto, sabe-se que um ato suicida não se manifesta, salvo exceções, repentinamente e provocado por um único motivo. Por trás de cada gesto de quem pratica a autodestruição acumula-se uma grande quantidade de fatores que vai construindo, ao longo do tempo, a história de vida de quem acaba por optar por este doloroso caminho.

O nosso “Manual do Voluntário”, no tema II, mostra-nos com clareza que existem os fatores causais e os desencadeantes do ato suicida. Os fatores causais são também chamados de causas primárias do suicídio e as razões desencadeantes são as denominadas causas secundárias.

Perder um amor, o emprego, um familiar, ser reprovado num concurso podem ser os fatores desencadeantes do suicídio, mas as causas primárias, aquelas que se acumulam e crescem dentro de alguém são os verdadeiros responsáveis pelos motivos de saída de cena de alguém do espetáculo da vida.

Daí ser de extrema importância a atenção do voluntário para estar em permanente vigilância aos fatos que estão por trás do motivo que revela um indivíduo para não mais querer viver. Dentro dele há uma sofrida, antiga e complexa trama de problemas que, a qualquer momento, poderá impulsioná-lo para o desequilíbrio emocional ante uma dor imediata, recente, e levá-lo a deflagrar a “bala” que provocará a sua autodestruição.

Bartyra / Recife (PE)

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A cada 40 Segundos uma Pessoa comete Suicídio no Mundo, diz OMS

A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. Ou seja, por ano, um milhão de indivíduos decidem tirar a própria vida. Atualmente, 55% destes têm menos de 45 anos idade – em 1950, por outro lado, 60% dos suicidas eram mais velhos que isto. Os dados são de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta sexta-feira (7).

O suicídio é a terceira causa de morte mais recorrente entre as pessoas de 15 a 44 anos. Já entre os jovens de 10 a 24 anos, o suicídio constitui a segunda maior causa de morte. Os índices entre os jovens aumentaram tanto que em um terço dos países esta faixa de idade é considerada a de “maior risco” pela OMS.

“As causas exatas do porquê desta mudança de tendência não sabemos. É um fenômeno que afeta todos os países e que está aumentando, mas as razões principais não as conhecemos, são muitas, variadas e mudam muito de caso a caso”, disse Alexandra Fleischmann, do departamento de Saúde Mental da OMS.

Em geral, as mulheres realizam mais tentativas de suicídios do que os homens, mas estes são mais efetivos porque usam métodos mais radicais (como armas de fogo ou pesticidas) do que elas, que abusam de remédios.

Os fatores que determinam uma tentativa de suicídio são múltiplos e variados – psicológicos, sociais, biológicos, culturais e ambientais -, mas, generalizando, a OMS afirma que as desordens mentais (depressão e uso desproporcional do álcool, especialmente) são um fator maior de risco na Europa e nos Estados Unidos, enquanto nos países asiáticos o impulso “representa um papel essencial”.

“Por exemplo, nas zonas rurais da Ásia há um grande problema com os pesticidas. Em uma situação de desespero, os agricultores tomam impulsivamente o pesticida e morrem rapidamente”, afirmou Alexandra.

“Além disso, nas zonas remotas, o acesso aos estabelecimentos de saúde é muito mais difícil. Se a tentativa de suicídio é realizada em um apartamento de uma grande cidade desenvolvida, essa pessoa pode ser levada de urgência a um hospital e ser salva”, disse.

Com relação à América Latina, a região mantém tradicionalmente baixos níveis de suicídios, apesar de existirem grandes diferenças entre os países, como revela o 1,9 por cada 100.000 homens peruanos que tiram a própria vida, frente aos 26 por cada 100.000 dos homens uruguaios.

“Tradicionalmente as taxas na América Latina se mantiveram baixas, mas vemos a mesma tendência que no resto do mundo, ou seja, o aumento dos índices, sobretudo entre os jovens”, afirmou a especialista.

Alexandra explicou que os recentes estudos revelam que apesar dos países escandinavos continuarem tendo altas taxas de suicídios, o fenômeno se estende na Europa do Leste e, particularmente, na Ásia, “em grandes países como China e Índia, com uma grande população e com imensos problemas ligados ao desenvolvimento e à globalização”.

Consultada sobre o aumento de suicídios relacionados à crise econômica que afeta alguns países da Europa, Alexandra afirmou que, na maioria dos casos, as pessoas que os cometeram eram previamente “vulneráveis”, e a pressão só exacerbou a situação.

Perante isto, a OMS recomenda atuações multidisciplinares, como a formação do pessoal de educação e saúde, a restrição do acesso aos métodos (pistolas, pesticidas, remédios), “cuidar” da apresentação pública dos casos (evitar publicá-los na imprensa), entre outros.

A especialista alertou sobre o perigo que representa a falta de consciência sobre a importância do problema e o fato de que seja um tema tabu em muitas sociedades.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site:  http://revistaepoca.globo.com

Os Fatores que podem levar Alguém ao Suicídio

O suicídio era, tradicionalmente, um tema de tabu nas sociedades ocidentais, o que o levou a ser omitido em várias situações, só piorando o problema. Mesmo após as suas mortes, as vítimas de suicídio não eram enterradas próximo das outras nos cemitérios.

Hoje é sabido que se pode dar grandes passos para a redução das taxas de suicídio, começando por aceitar as pessoas tais como são, acabando com os tabus sociais, falando sobre as ideias de suicídio que as acometem. Só o fato de falarem sobre o que sentem ajuda-as a atenuar o seu nível de angústia e sentimento de isolamento. Conscientes disso, estimular o desabafo é sempre a postura dos voluntários cevevianos.

Normalmente se consegue lidar razoavelmente bem com problemas de stress e isolamento ou acontecimentos e experiências traumáticas, mas quando há um acúmulo de tais situações essa capacidade é levada a um limite extremo de tolerância. A tensão ou trauma gerado por um dado acontecimento varia de pessoa para pessoa, dependendo da sua experiência e de como percebe esse fato em particular. Algumas pessoas são mais ou menos vulneráveis a acontecimentos particulares de trauma, e outras podem considerar determinadas situações dolorosas como uma vivência positiva para o crescimento.

Há diversos fatores que podem levar uma pessoa ao suicídio. São de ordem psicopatológica, pessoal, psicológica e social.

Psicopatológicas
1. Depressão endógena, esquizofrenia, alcoolismo, dependência de drogas e distúrbios de personalidade.
2. Modelos suicidas: familiares, pares sociais, histórias de ficção e/ou notícias veiculadas pela mídia.
3. Comportamentos suicidas prévios.
4. Ameaça ou ideação suicida com plano elaborado.
5. Distúrbios alimentares (bulimia).

Pessoais
1. Ter entre 15 e 24 anos ou mais de 45.
2. Morte do cônjuge ou de amigos íntimos.
3. Presença de doenças de prognóstico reservado (HIV, câncer, etc.).
4. Hospitalizações frequentes, psiquiátricas ou não.
5. Família desagregada: por separação, divórcio ou viuvez.

Psicológicas
1. Ausência de projetos de vida.
2. Desesperança contínua e acentuada.
3. Culpabilidade elevada por atos praticados em experiências passadas.
4. Perdas precoces de figuras significativas (pais, irmãos, cônjuge, filhos).
5. Ausência de crenças religiosas.

Sociais
1. Habitar em meio urbano.
2. Desemprego.
3. Migração.
4. Acesso fácil a agentes letais, tais como armas de fogo ou pesticidas.
5. Estar preso.

É evidente que alguns assuntos poderão nunca ser completamente resolvidos com o apoio, mas um voluntário poderá ajudar através da Abordagem Centrada na Pessoa, contribuindo para que a pessoa de ideação suicida descubra que viver ainda é a melhor saída.

Guido / São José dos Pinhais (PR)

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.cvv.org.br/

Suicídio: Porque Fracassamos Tanto?

No início da década de 1970, morriam pouco mais de 2000 suecos, tanto por suicídio, quanto por acidentes automobilísticos. Naquele mesmo período (não por mera coincidência ou intenção específica de comparação, mas pelo mesmo despertar de consciência social) foram desenvolvidas duas séries de estratégias para enfrentar os dois problemas. Na década seguinte, as mortes por acidentes tinham caído a menos da metade e as devidas a auto-extermínio continuavam nos mesmos patamares (Lars Jocobsson, 1986). Estavam os suecos diante de um sucesso e de um fracasso retumbantes.

Inútil dizer, como fazem muitos nesses casos, que, na ausência das intervenções, os números para o suicídio teriam sido ainda maiores. Eis um argumento que denuncia uma pequena honestidade intelectual e mais serve para “autotranquilização” do que para fazer avançar o entendimento!

Esse foi apenas o dado mais eloquente¹ que encontramos, diante do desafio de prevenir o suicídio, mas as sérias dúvidas quanto à efetividade de todos os esforços e investimentos, dispendidos para esse fim, atingem todos os que com ele trabalham. Medidas pontuais, como, por exemplo, modificações na composição de defensivos agrícolas ou no fornecimento de gas, dão algum resultado imediato, mas logo perdem qualquer efetividade na diminuição marcante das taxas nas diversas sociedades. O que podemos concluir, a partir dessa constatação?

Até hoje, apenas roçamos o problema dos dramas sociais e pessoais que levam as pessoas a dar fim às suas própias vidas.

O entendimento das razões para tanto fracasso pode brotar das observações (mais que centenárias) do primeiro pesquisador sério do assunto, E. Durckheim: há, em cada sociedade, uma “corrente suicidogênica” que faz com que o suicídio seja o fenômeno demográfico mais previsível dentre todos. O suicídio não é um problema originalmente médico e nem mesmo decorrente de simples dramas individuais. Antes do início de um ano qualquer, podemos dizer, com uma margem mínima de erro, quantos suecos, japoneses, húngaros ou alemães darão fim às suas próprias vidas nos doze meses seguintes. Ou seja: o suicídio é um problema eminentemente sociológico. Dessa constatação muito genérica, até o desenvolvimento de estratégias efetivas para atacar o problema, entretanto, quanta distância!

Do ponto de vista médico, os fracassos são até relativamente fáceis de explicar. Nossa intervenção mais específica somente se inicia depois do surgimento da ideação suicida mais permanente ou, pior ainda, depois de alguma tentativa. Desse ponto em diante, e da cristalização de certos perfis de personalidade, nossa possibilidade de modificar alguma coisa diminui sensivelmente (há que assinalar que, diante de qualquer caso específico, sempre investimos em uma expectativa de enorme esperança).

Outro engano grosseiro, que muitos cometem, é a hipervalorização das doenças mentais como causa específica para o suicídio. A simples observação de que cerca de 90% dos suicidas sofriam de alguma doença psiquiátrica, parece ser suficiente aos mais apressados (e menos cuidadosos) para o estabelecimento daquela relação. A constatação, porém, da enorme diferença nas taxas de suicídio encontradas entre os diversos países e culturas (até mais de dez vezes), enquanto a prevalência das doenças mentais é muito semelhante entre os vários países e culturas, deveria ser suficiente para um maior cuidado no estabelecimento de relações causais.

Só para efeito de raciocínio, se subdividíssemos os períodos de vida das pessoas adultas (deixemos de lado os suicídios entre adolescentes), até a chegada à ideação suicida, em cinco estágios (com suas vicissitudes): 1-primeira infância; 2-início da vida escolar; 3-surgimento da puberdade; 4-exigências da adultidade e; 5-seus fracassos repetidos, nossa intervenção iniciar-se-ia somente na última. Sejamos, então, mais humildes em relação aos nossos instrumentos e, ao lado de nossas ações mais propriamente terapêuticas, tentemos intervir junto à sociedade para que reflita quanto à maneira desumana com que muitos são tratados, especialmente do ponto de vista da intolerância e do estímulo à competição predatória entre as pessoas. Aquela mesma sociedade que divide as pessoas em “vencedoras e derrotadas” e transmite, às atiradas a essa última “classificação”, que devem se envergonhar e que talvez nem mereçam viver.

¹Por alguma razão, esse dado e trabalho, que recebemos em mãos do próprio autor, não é muito referido na literatura, talvez porque seja um tanto incômodo. Até a ciência é contaminada por interesses menos nobres.

Márcio Amaral, vice-diretor IPUB-UFRJ, Prof. Adjunto UFRJ e UFF.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.ipub.ufrj.br

Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

Gordo Ativo é tão Saudável quanto Magro, dizem Estudos

Dois estudos publicados hoje questionam o conceito já cristalizado de que gordura extra é sempre sinal de maior risco para a saúde.

O fenômeno é chamado pelos pesquisadores de paradoxo da obesidade: em certos casos, os quilos além da conta não indicam perigo e podem até ser protetores.

A primeira pesquisa analisou dados de 43 mil americanos divididos em grupos conforme o nível de obesidade e os resultados em testes de colesterol, pressão arterial e condicionamento físico.

Após um acompanhamento de cerca de 14 anos, os médicos, liderados por Francisco Ortega, da Universidade de Granada (Espanha), perceberam que os obesos considerados saudáveis após os exames tiveram um risco 38% menor do que os não saudáveis de morrer por qualquer causa. A redução de morte por problema cardíaco ou câncer foi de 30% a 50%.

O desempenho desses gordos “em forma” ao longo do tempo foi similar ao dos magros saudáveis, segundo o estudo, publicado hoje no “European Heart Journal”.

Outro trabalho, na mesma edição da revista especializada, analisou, por três anos, a mortalidade de 64 mil suecos com problemas cardíacos (como angina e infarto) submetidos a um exame de imagem para determinar a saúde de suas artérias coronárias.

Os pacientes foram subdivididos de acordo com seu IMC (índice de massa corporal, calculado dividindo o peso em quilos pela altura ao quadrado, em metros).

O gráfico de mortalidade ficou em forma de “U”: quem estava nos extremos (muito magros ou obesos mórbidos) tinha risco mais alto de morrer do que paciente intermediários, com sobrepeso ou obesidade moderada.

De acordo com o cardiologista Eduardo Gomes Lima, do Hospital 9 de Julho, esses achados propõem um questionamento ao uso do índice de massa corporal como método para avaliar obesidade.

“Dizer que um IMC a partir de 30 significa obesidade é suficiente? Nessa população vai ter obeso de verdade, mas também uma população com boa condição física, com muita massa magra. Não dá para colocar o IMC como grande definidor de prognóstico dos pacientes.”

A pesquisa que acompanhou os americanos credita o melhor condicionamento físico dos obesos saudáveis como responsável pelo menor risco de morte observado nesse grupo em relação aos não saudáveis.

De acordo com o cardiologista Raul Santos, diretor da unidade de lípides do Incor (Instituto do Coração do HC de São Paulo), os exercícios reduzem o impacto dos efeitos prejudiciais da gordura.

“O exercício tem ação anticoagulante, ajuda a dilatação dos vasos e melhora a resistência à insulina, tendo um efeito contrário ao da obesidade. É melhor ser um obeso que se exercita do que um magro sedentário.”

Para Santos, no caso do estudo com cardíacos, o efeito protetor conferido aos obesos moderados é mais difícil de explicar. Uma possibilidade é a de esse grupo ter pessoas com menos gordura abdominal, que produz substâncias inflamatórias e é um conhecido fator de risco cardíaco.

“Recomendamos a quem tem problema cardíaco perder peso, especialmente se a pessoa for barriguda.”

Lima afirma que não se deve ficar com a impressão de que a obesidade não tem consequências. “A obesidade mórbida sempre está associada a um prognóstico pior.”

Para ele, o importante é a necessidade de redefinir os limites da obesidade. “Talvez a gente esteja sendo muito rígido nessa avaliação.”

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/

Sedentarismo deve ser Tratado como Doença, diz Médico Americano

“Se o sedentarismo fosse reconhecido como uma doença, assim como diabetes e hipertensão, seria mais fácil educar a população para a importância do tratamento universalmente eficaz para isso: o exercício físico”, defende o médico Michael Joyner, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos.

Em artigo publicado no “The Journal of Physiology”, o especialista diz que a inatividade é o diagnóstico primário de várias enfermidades, entre elas obesidade, lesões articulares, fibromialgia, hipertensão e diabetes.

Além de ser relacionada ao aparecimento dessas doenças, a ausência prolongada de exercício físico faz com que o corpo sofra mudanças estruturais e metabólicas: a frequência cardíaca pode aumentar muito durante a atividade física, ossos e músculos podem atrofiar e podem diminuir a resistência física e o volume sanguíneo.

Essas mudanças no corpo afastam ainda mais o sedentário da atividade, porque, quando ele tenta fazer um exercício, se cansa rapidamente ou sente tontura e outros desconfortos.

Para Joyner, as mudanças metabólicas e as complicações bastam para que a inatividade seja considerada uma doença –e não apenas a causa ou consequência de outras enfermidades– e o exercício supervisionado seja receitado.

“Se medicalizarmos a inatividade, como fizemos com os vícios do cigarro e da bebida, poderemos desenvolver programas de reabilitação formais que incluam terapia cognitivo-comportamental. Políticas públicas podem agir para limitar o sedentarismo”, disse ele, ao site de divulgação científica EurekAlert.

TRÊS MESES

Na mesma edição do períodico, uma pesquisa mostrou que três meses de atividade física melhoram os sintomas de pessoas com um tipo de arritmia cardíaca. O estudo foi feito pela The University of Texas Southwestern Medical Center.

No seu artigo, Joyner diz que essa é mais uma evidência de que a atividade física monitorada deve ser o primeiro passo do tratamento de muitas doenças.

Para os sedentários que tentam começar a fazer exercício, o especialista recomenda que isso seja feito lenta e progressivamente. “Não precisa treinar para uma maratona. Comece com metas alcançáveis”, afirma. Dez minutos por dia, três vezes por semana, já é um começo.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.folha.uol.com.br/

Alunos em Boa Forma Física têm melhor Desempenho Acadêmico, diz Estudo

Praticar atividade física com regularidade pode levar o jovem a um melhor desempenho escolar (Thinkstock).

Uma pesquisa feita na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, mostrou que estudantes do Ensino Fundamental com peso adequado e fisicamente ativos têm um melhor desempenho acadêmico do que o restante. De acordo com o estudo, que foi apresentado neste fim de semana no encontro anual da Associação Americana de Psicologia, em Orlando, estar em forma foi associado a notas maiores em testes de matemática e de interpretação de texto.

Ao todo, 1.211 jovens de dez a 15 anos que estudavam em cinco escolas diferentes do Texas participaram da pesquisa. Os autores do trabalho analisaram características como rendimento escolar, autoconfiança, nível socioeconômico, índice de massa corporal (IMC) e frequência com que praticavam exercícios físicos. Os alunos também realizaram testes que avaliaram a aptidão física de cada um em relação à capacidade cardiorrespiratória, aeróbica, flexibilidade e força e resistência muscular.

De acordo com os resultados, a capacidade cardiorrespiratória, que é desenvolvida com atividades aeróbicas, como correr, andar e nadar, foi o fator mais fortemente associado a um melhor desempenho acadêmico — embora as outras características físicas também tenham sido relacionadas a bons resultados na escola. As conclusões foram semelhantes para ambos os sexos. Para os pesquisadores, o estudo reforça a ideia de que a atividade física melhora a memória, a concentração e a organização de uma pessoa — e deve incentivar os pais a incluírem algum tipo de exercício na rotina de seus filhos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Physical Fitness and Academic Performance: A Longitudinal Investigation

Onde foi divulgada: Encontro anual da Associação Americana de Psicologia, Orlando

Quem fez: Trent Petrie, Christy Greenleaf, e Scott Martin

Instituição: Universidade do Texas, Estados Unidos

Dados de amostragem: 1.211 jovens de dez a 15 anos

Resultado: Ter uma boa capacidade cardiorrespiratória, além de bom desempenho em atividades físicas que exijam força e resistência muscular e flexibilidade, melhoram os resultados de alunos em testes escolares de matemática e interpretação de texto.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://veja.abril.com.br/


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