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Campanha de vacinação contra HPV tem baixa procura este ano

A vacina contra o HPV é capaz de prevenir 70% dos casos de câncer de colo do útero e está disponível na rede pública de saúde, desde o ano passado, para meninas e adolescentes entre 9 e 13 anos. As com HIV podem se vacinar até os 26 anos. No Dia Nacional da Imunização, lembrado hoje (9), a Sociedade Brasileira de Imunização alerta para a importância da vacinação, e para a queda na procura em 2015 em relação ao ano passado.

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Para a presidenta da entidade, a pediatra Isabella Ballalai, a queda é consequência da interpretação equivocada às reações adversas que 11 adolescentes tiveram em São Paulo, no ano passado, após terem tomado a vacina na primeira fase de imunização. Ela admitiu que havia motivo para as famílias se assustarem, a princípio, mas disse que as reações foram analisadas, e ficou comprovado que não foram efeito da primeira etapa da vacina.

“Nenhuma dessas meninas ficou paralítica, todas estão bem, não houve nenhuma doença neurológica, todos os exames foram feitos, e a conclusão é que foi uma situação de estresse coletivo, uma reação esperada quando se vacina adolescentes”, disse a médica, em entrevista à Agência Brasil.

Ela lembrou que, mesmo com as explicações sobre os efeitos positivos da vacina, o impacto da reação inicial prejudicou a adesão. “Quando o problema foi resolvido, isso não chegou com a mesma intensidade com que chegou para as famílias quando aconteceu [o incidente], e a gente ainda não sabia o que estava acontecendo.”

Isabella indicou ainda um outro fator para a redução na procura. De acordo com ela, no ano passado a primeira etapa foi ao encontro das meninas e adolescentes, com a vacinação sendo realizada nas escolas, diferentemente deste ano, quando elas precisam ir aos postos de saúde para tomar a vacina em quase todos os municípios do país.

“Em outros países, em que a vacinação de adolescentes acontece com sucesso, a vacina vai até o adolescente. Isso [ir aos postos para tomar a vacina] faz diminuir a adesão. A mãe trabalha, o pai trabalha, o adolescente não vai sozinho, sábado é complicado. São vários os motivos da rotina que fazem com que a gente não veja o adolescente indo para um posto de saúde. Vários fatores, somados, fazem com que a gente hoje tenha uma triste realidade, que é uma adesão baixa, de menos de 50% [na primeira dose] das meninas que gostaríamos de vacinar”, afirmou.

A pediatra esclareceu que é preciso manter o esquema de vacinação de três doses. Nas meninas acima de 13 anos, a segunda dose tem que ser dada dois meses após a primeira, e a terceira, quatro meses depois da segunda. Já para as menores de 13 anos, o esquema vacinal é de seis meses entre a primeira e segunda doses, e de 60 meses para a terceira. “Se não tomar o mínimo de doses, e não respeitar o intervalo mínimo entre as doses, não há proteção. Para qualquer vacina, se a pessoa não cumprir o número de doses necessárias, não há proteção.”

A médica lembrou que, se por acaso a adolescente perder o prazo, não precisa começar tudo de novo. “Se alguém esqueceu de tomar, ou atrasou, tem que voltar ao posto ou à clínica e continuar, mas tem que completar, senão, não há proteção”, disse.

As autoridades de saúde também recomendam a vacina para os meninos, mas nesse caso, segundo a médica, a vacinação só está disponível na rede privada. Na avaliação dela, essa é uma escolha de política de saúde pública.

Isabella Ballalai explicou que o HPV é a principal causa de câncer de colo do útero e, no Brasil, ocorrem 15 mil novos casos por ano.

A médica afirma que é prioridade do Ministério da Saúde vacinar as meninas para prevenir o câncer do colo de útero. “Nos meninos, temos o câncer de pênis e, em meninas e meninos, o câncer de ânus e o câncer de boca. Mas, com certeza, o impacto de meninos atingidos não é igual ao do câncer de colo do útero das meninas. Então, o governo tem que ter uma prioridade, e a prioridade são as meninas”, destacou.

Ela lembra ainda que a mulher adulta também pode procurar a vacinação na rede privada. Ela acredita que, mais que os estudos, a prática comprova que a vacina é segura e eficaz.

“Não é uma vacina nova. É uma vacina aplicada desde 2007 na Austrália, e sem evento adverso grave. É o que a gente vê nos Estados Unidos, na Austrália e na Inglaterra, enfim, em todos os países que adotaram a vacina. São mais de 200 milhões de doses aplicadas”, destacou, ao indicar ainda que as autoridades veem um horizonte favorável no combate ao câncer de útero. “A gente já vê resultado concreto e segurança, sim. E a gente vê uma boa perspectiva para daqui a 20 anos poder dizer que o número de mulheres com câncer de útero caiu”, completou.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://agenciabrasil.ebc.com.br/

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Vacinas: parcerias são caminho para inovação

O Brasil se orgulha de ter, em seu Programa Nacional de Imunizações (PNI), uma referência internacional de política pública. Surtos recentes de poliomelite e sarampo, inclusive na Europa e nos EUA, não chegam a afetar os cerca de 200 milhões de brasileiros espalhados pelo país.

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Pouco se fala, entretanto, do papel fundamental do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e de suas parcerias para que essas conquistas se materializassem. E ainda menos do trabalho desenvolvido pela unidade para que novas vitórias sejam alcançadas, muitas delas a partir de novas parcerias.

A luta contra o sarampo no Brasil tem um capítulo ímpar, maior, quando o governo brasileiro começou a apoiar projetos voltados para o desenvolvimento de imunobiológicos visando reduzir a dependência externa no fornecimento da vacina. Por meio de acordo de Cooperação Técnica entre a Universidade de Osaka (Fundação Biken), a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) e a Fiocruz, no já longínquo ano de 1980, estabeleceu-se a criação de uma planta de produção da vacina sarampo em Bio-Manguinhos. O projeto foi implementado em quatro anos e o Comitê de Coordenação com o atual presidente do Conselho Político e Estratégico de Bio-Manguinhos, Akira Homma, como chefe. Representando a parte japonesa, estava Konosuke Fukai, professor da Universidade de Osaka. Dezenas de peritos japoneses vieram para colaborar e acelerar o desenvolvimento do projeto. “Fazemos menção específica para o perito Terumassa Otsuka que ficou entre nós, com a família, por três anos, tendo inclusive aprendido português, possibilitando uma boa comunicação com os profissionais da casa”, declarou Akira.

Pelo acordo, cabia ao governo japonês o envio de peritos, a participação técnica do planejamento e montagem dos laboratórios, treinamento dos técnicos brasileiros no Japão, fornecimento de máquinas, equipamentos e insumos para preparo da vacina e participação na avaliação de campo. A equipe liderada por Konosuke Fukai visitou o Brasil de 13 a 22 de julho de 1983, com o propósito de avaliar as realizações da cooperação no período de extensão. No mesmo ano, a demanda do Ministério da Saúde para o PNI era de 15 milhões de doses de vacina sarampo. Cinco lotes experimentais consecutivos foram produzidos com sucesso e aprovados pelo Controle de Qualidade em 1982, avaliados em crianças de 6 a 12 meses, em nove cidades do norte e nordeste. A cooperação permitiu a completa transferência de tecnologia para a produção da vacina contra o sarampo.

Outro marco da saúde pública brasileira é a erradicação da poliomelite. Ela gerou, inclusive, um personagem reconhecido e querido pela população, o “Zé Gotinha”. Foi através de um acordo envolvendo Bio-Manguinhos que essa história se deu. Nos corredores de Bio, não é difícil achar quem diga: “o Zé Gotinha trabalha aqui”. Em 1981, foi firmado um acordo de cooperação técnica entre os governos do Brasil e do Japão, tendo como objetivo a transferência de tecnologia de produção das vacinas contra sarampo (Fundação Biken) e poliomielite (Japan Poliomyelitis Research Institute) para o Instituto. Como parte fundamental do processo, Bio recebeu a colaboração do Departamento de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), para o estabelecimento e a organização do Laboratório de Controle de Qualidade da vacina oral da poliomielite (OPV).

Esse acordo colaborou inclusive com a erradicação dos vírus selvagens da poliomielite nas Américas, um marco notável da saúde pública. A Fiocruz contribuiu de forma decisiva para este resultado com o apoio laboratorial do Centro Nacional de Enteroviroses, do Departamento de Virologia do IOC/Fiocruz, a formulação e o fornecimento da vacina oral por Bio-Manguinhos, o apoio laboratorial e epidemiológico da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e o controle das vacinas pelo Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz).

Sendo a poliomielite ainda um problema mundial, é importante ressaltar o trabalho realizado pela Fiocruz para a erradicação da doença no Brasil e nas Américas. Ainda mais após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decretado em meados de 2014 emergência de saúde pública pelos casos da doença na Ásia, África e Oriente Médio. O maior risco de propagação, no Paquistão, Camarões e Síria, fez com que a OMS convocasse as autoridades locais a agir com campanhas de vacinação.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.blog.saude.gov.br/

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Ações do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde

Em 1973, foi formulado o Programa Nacional de Imunizações – PNI, por determinação do Ministério da Saúde, com o objetivo de coordenar as ações de imunizações que se caracterizavam, até então, pela descontinuidade, pelo caráter episódico e pela reduzida área de cobertura.

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Consolidando o trabalho realizado nos anos anteriores, foi na década de 1990 que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) passou a trabalhar em articulação com entidades de defesa dos direitos da criança – Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Pastoral da Criança, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Organização Pan-Americana da Saúde(Opas). Em 1991, foi criado o Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI), que passou a respaldar o PNI técnica e cientificamente.

A década de 1990 foi repleta de marcos importantes para a saúde brasileira e para o PNI. A vacina Bacillus Calmette-Guérin Intra Dérmica (BCG-ID) começou a ser distribuída em grandes maternidades. Na Amazônia Ocidental, implantava-se a vacina contra hepatite B e introduzia-se a imunização contra a febre amarela nas áreas endêmicas. Ainda em 1991, cerca de 42 mil casos de sarampo foram registrados.

Por isso, no ano seguinte, foi instituído o Plano Nacional de Controle e Eliminação de sarampo, tendo como marco a realização da campanha de vacinação indiscriminada do grupo de nove meses a 14 anos de idade. O resultado não podia ser outro: redução de 81% no número de casos. Após este período, a tríplice vital – contra sarampo, caxumba e rubéola – foi introduzida gradualmente no País.

Em 1992, também foi implantado o Plano de Eliminação do Tétano Neonatal, priorizando a vacinação das mulheres em idade fértil, entre 15 e 49 anos, com a vacina dupla adulto (tétano e difteria). No ano seguinte, os povos indígenas que residem em locais isolados no País foram beneficiados pela “Operação Gota”.

Em 1994, ficou estabelecida pela 24ª Conferência Sanitária Pan-Americana a erradicação do sarampo até o ano 2000. Com o intuito de corrigir falhas primárias da vacinação contra a doença, o programa promoveu a primeira de cinco campanhas nacionais contra o sarampo para crianças menores de cinco anos. Dois anos depois, a vacina contra hepatite B passou a ser produzida no Brasil e, em 1998, já era aplicada em crianças com menos de um ano em todos os municípios.

Por conta da redefinição das áreas de risco para febre amarela em 1998, uma imunização massiva aconteceu até 2001. Ao todo, 55,5 milhões de doses foram aplicadas. No último ano da década, as campanhas de vacinação contra a gripe em pessoas com mais de 60 anos também foram marcantes.

Anos 2000

Logo no início do século XXI, o último caso autóctone de sarampo foi confirmado. Em 2001, foi iniciada a campanha contra a rubéola, utilizando a vacina dupla viral. A meta era vacinar 15 milhões de mulheres em idade fértil, visando ao controle da rubéola e da síndrome da rubéola congênita (SRC). Ainda nesse ano, a vacinação contra febre amarela tornou-se obrigatória em áreas portuárias, aeroportuárias, de terminais e passagens de fronteira.

Em 2003, a vacina combinada tetravalente (DTP + Hib) substituiu as vacina tríplice bacteriana e Hib monovalente. A vacina monovalente sarampo também foi definitivamente trocada pela tríplice viral. Neste mesmo ano, surgiu a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), responsável pelas ações nacionais de vigilância, prevenção e controle de doenças – inclusive pelo gerenciamento do Programa Nacional de Imunizações, no âmbito do Ministério da Saúde.

Os calendários de vacinação da criança, do adolescente e do idoso – com nove imunobiológicos – foram instituídos em 2004. Dois anos depois, a imunização oral de rotavírus humano (VORH) foi introduzida no calendário da criança. Na mesma época, o tétano neonatal deixou de ser problema de saúde pública no País.

O ano de 2008 foi marcado por uma megaoperação contra a rubéola: 67,8 milhões de homens e mulheres com idade entre 20 e 39 anos foram vacinados. A campanha contou com um sistema de informação online que permitiu aos gestores e técnicos monitorarem o avanço das coberturas. Uma comissão foi criada com o intuito de acompanhar a eliminação do sarampo e da rubéola.

A pandemia causada pelo influenza A H1N1, declarada como emergência de saúde pública de importância internacional, resultou em uma campanha nacional de vacinação contra o vírus em 2010. Noventa milhões de doses foram aplicadas em gestantes, crianças, indígenas, trabalhadores de saúde, portadores de doenças crônicas e adultos com idade entre 20 e 39 anos. No mesmo período, a vacina meningocócica C conjugada e pneumocócica 10 valente foi introduzida no calendário de vacinação da criança.

O PNI continua avançando. Em 2012, as vacinas poliomielite inativada (VIP) e penta (DTP+Hib+hepatite B) foram introduzidas no calendário da criança. Já em 2013, foi a vez da tetraviral (tríplice viral + varicela) e da incorporação da vacina varicela, que passou a substituir a segunda dose da vacina tríplice viral para as crianças de 15 meses de idade.

Destaca-se ainda as novas incorporações realizadas em 2014: a vacina hepatite A para crianças de um ano de idade, a vacina dTpa (tétano, difteria e coqueluche acelular) para gestantes e a vacina contra o HPV (papiloma vírus humano), para meninas de 9 a 13 anos, que serão protegidas contra os principais vírus que causam o câncer de colo de útero.

O PNI ainda terá muitos desafios para enfrentar para continuar contribuindo com manutenção da saúde da população brasileira, aprimorando cada vez mais as ações ofertadas pelo Sistema Único de Saúde.

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O continente americano é o primeiro a erradicar a rubéola

Prisca Elias, uma garota de quatro anos vestindo um imaculado vestido branco olha para a câmera. É 1974. A seu lado, observando-a, posa também um homem de avental. O seu foi o último caso de varíola registrado em Botsuana. Como essa terrível doença, para a qual não existia cura e que matava um em cada três infectados, era transmitida somente de pessoa para pessoa, a última infectada transformou-se no elo final da cadeia de transmissão. De modo que o Programa de Erradicação da Varíola da Organização Mundial da Saúde (OMS) guarda em seus arquivos a recordação fotográfica de cada um desses casos. Em Bangladesh, em 1976, foi outra garotinha, Rahima Banu. Na Etiópia, em 1976, Amina Salat, um bebê.

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Com Ali Maow Maalin, cozinheiro em um hospital da Somália, a doença se extinguiu em 1978. Foi a última pessoa contaminada pela varíola no mundo. Depois de décadas de luta, a humanidade conseguiu erradicar uma doença infecciosa, a única até o momento. O mundo ficou livre de um mal que, segundo alguns especialistas, causou mais mortes do que todas as outras doenças contagiosas juntas, com 300 milhões de mortos somente no século XX. O esforço de países de todo o mundo, com campanhas massivas de vacinação e medidas de prevenção, conseguiu algo que o continente americano havia realizado alguns anos antes. A OMS declarou a região das Américaslivre da varíola em 1971.

Hoje o continente americano volta a liderar a luta contra as doenças prevenidas por vacinação. Conseguiu um novo marco da saúde pública. Poucas semanas atrás a OMS a declarou a primeira região a eliminar a rubéola. É uma infecção viral contagiosa, geralmente leve, mas que quando contamina mulheres grávidas pode causar a morte do feto ou graves defeitos congênitos como cegueira, surdez e problemas cardíacos. Não são detectados casos endêmicos (sem vir de outros lugares) desde 2009, de maneira que era somente questão de tempo para que a OMS confirmasse oficialmente o sucesso dos países americanos. É o terceiro feito da região, visto que além da varíola em 1971 foi também a primeira região geográfica a eliminar a pólio em 1994. Ainda que essa última doença seja uma recordação remota em boa parte do mundo, ainda deixa centenas de crianças paralíticas em países como o Afeganistão, Nigéria e Paquistão.

Método modelo

Desirée Pastor, assessora da Organização Pan-americana de Saúde (OPS) em sarampo e rubéola, está convencida de que a região pode ensinar muito as outras áreas do mundo que ainda tentam eliminar doenças que podem ser prevenidas e afetam milhões de pessoas. A extensão das campanhas de vacinação aos lugares mais remotos do continente explica boa parte do sucesso. A vacina combinada contra sarampo, rubéola e caxumba (MMR ou tríplice viral) figura no programa rotineiro de imunização infantil desde os anos oitenta em quase toda a região, e nas campanhas de vacinação desde o final dos anos noventa. Somente em uma década (entre 1998 e 2008) 250 milhões de adolescente e adultos em 32 países foram imunizados em campanhas massivas de vacinação.

“Um fator decisivo tem sido o alto nível de compromisso político de todos os países, nos quais os ministérios da Saúde têm uma função preponderante para liderar as campanhas com orçamento eminentemente nacional”, diz Pastor. As campanhas são planejadas com tempo e recursos, seguindo as diretrizes feitas pela OPS em 1994. E o mais importante: “A vacinação é um bem público, já que é gratuita a toda a população às quais as campanhas são dirigidas”, frisa. O acesso à imunização é fundamental. Deve existir informação, por um lado, e disponibilidade, por outro. Algo que nem sempre acontece em regiões com pouca cobertura sanitária.

Para chegar às populações com acesso limitado aos serviços de saúde regulares, como as periferias urbanas, zonas rurais e fronteiriças e comunidades indígenas, a OPS criou em 2003 a Semana de Vacinação das Américas. A iniciativa partiu do pedido dos ministros da Saúde da região Andina, depois de um surto de sarampo na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia em 2002. Desde então, todos os anos, entre abril e maio, essa iniciativa, que é vivenciada como uma festa, informa e vacina centenas de milhares de pessoas. Mais de 519 milhões de crianças e adultos foram imunizados contra a tuberculose, a hepatite A e B, o tétano, a poliomielite, o sarampo, a difteria e a rubéola desde sua criação, segundo dados da OPS. O slogan da última semana, realizada no começo de junho, foi “Reforce seu poder! Vacine-se!”.

Susan Reef, epidemiologista do CDC (Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças, na sigla em inglês) norte-americano e especialista em imunizações, destaca os pontos vitais que acredita que deveriam ser copiados em outras regiões: “o compromisso político e financeiro de todos os países e serem capazes de mostrar às comunidades a importância da vacinação”. Mas ainda existem muitos lugares no mundo nos quais sistemas de saúde frágeis, e até mesmo Governos frágeis, impedem a criação das estratégias adequadas. Estimativas apontam que mais de 100.000 crianças no mundo ainda nascem com as sequelas da síndrome de rubéola congênita, acrescenta a especialista.

Falta de reconhecimento

“Em alguns países a rubéola e a síndrome de rubéola congênita não são reconhecidas como problemas de saúde pública”, diz Reef. E acrescenta outras dificuldades existentes: “O custo de acrescentar essa vacina aos programas nacionais de imunização e que existam outros problemas de saúde mais urgentes”. E isso apesar dos baixos preços conseguidos pela Unicef: a vacina de sarampo e rubéola custa 1,80 real, a tríplice viral oscila entre 3,40 e 10,25 reais por dose, dependendo do laboratório que a produz, a cepa de caxumba utilizada e o número de doses por ampola, diz a epidemiologista norte-americana.

Os programas de vacinação são financiados pelos próprios países das Américas, destaca Desirée Pastor, ainda que existam doadores como o CDC, a Unicef, a United Nations Fund que destinam fundos e “complementam os esforços nacionais”. É preciso financiar não só as campanhas de vacinação, mas também a vigilância epidemiológica (compra de reativos e sistemas informáticos para vigiar o sarampo, a rubéola e a pólio) e os materiais educativos, as publicações, etc. Além disso, em 1978 os ministros da Saúde da região acertaram a compra das vacinas através de um mecanismo chamado Fundo Rotatório. Ao aproveitar a “economia de escala” obtém-se “os preços mais baixos do mercado com fornecimento oportuno e sistemático a todos os países da região”, afirma a assessora da OPS.

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Tabagismo passivo: Você conhece os riscos?

Quando o cigarro é aceso, somente uma parte da fumaça é tragada pelo fumante, e cerca de 2/3 da fumaça gerada pela queima é lançada no ambiente, através da ponta acesa do produto (cigarro, charuto, cigarrilhas e outros). Isso afeta quem está em volta, o fumante passivo.

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Fumante passivo é o não-fumante que convive com fumantes em ambientes fechados, ficando assim, exposto aos componentes tóxicos e cancerígenos presentes na fumaça ambiental do tabaco, que contém praticamente a mesma composição da fumaça tragada pelo fumante. São cerca de 4000 compostos, dos quais mais de 200 são tóxicos e cerca de 40 são cancerígenos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição tabagística ambiental é a maior fonte de poluição em ambientes fechados e o tabagismo passivo, a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool.

Atualmente, estudos científicos têm demonstrado que os trabalhadores que exercem suas funções em bares, restaurantes e similares se expõem à uma quantidade de fumaça do tabaco que corresponde a terem fumado de 4-10 cigarros/dia. Eles estão expostos a níveis mais elevados dessa fumaça, cerca de 300 a 600% vezes mais, do que qualquer outro grupo de trabalhadores. Com isso, têm 25-30% mais possibilidade de desenvolver doenças cardíacas e 20-30% mais chances de ter câncer de pulmão (Surgeon General, 2004). A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, por ano, cerca de 200.000 trabalhadores morram por causa da exposição à fumaça tabagística no ambiente de trabalho. O tabagismo passivo é uma das principais causas de doenças em não-fumantes, incluindo câncer do pulmão, doença isquêmica do coração e morte por parada cardíaca.

Fumantes passivos também sofrem os efeitos imediatos, tais como, irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaleia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias, aumento do número de infecções respiratórias em crianças, e elevação da pressão arterial.

Para melhorar a qualidade do ar e evitar danos nos fumantes passivos, a Lei Anti Fumo proíbe fumar cigarros, charutos, cachimbos, narguilés e outros produtos derivados do tabaco em locais de uso coletivo, públicos ou privados, de todo o país. Essa proibição se aplica a restaurantes, bares, boates, escolas, universidades, hotéis, pousadas, casas de shows, ambientes de trabalho, repartições públicas, instituições de saúde, veículos públicos e privados de transporte coletivo, hall e corredores de condomínios, etc., mesmo que o ambiente seja parcialmente fechado por uma parede, divisória, teto ou toldo.

Além das áreas ao ar livre (como parques e praças), a proibição de fumar não se aplica: aos estabelecimentos destinados especificamente à comercialização de produtos do tabaco (tabacarias); aos estúdios e locais de filmagem ou gravação de produções audiovisuais, quando necessário à produção da obra; aos locais destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos fumígenos derivados ou não do tabaco; aos cultos religiosos (caso faça parte do ritual) e às instituições de tratamento da saúde que tenham pacientes autorizados a fumar pelo médico que os assista. Nesses locais poderão ser instaladas áreas exclusivas para fumar, que deverão apresentar condições de isolamento, ventilação e exaustão do ar e medidas de proteção ao trabalhador, conforme a Portaria Interministerial MTE/MS nº 2.647, de 04 de dezembro de 2014.

Malefícios da absorção da fumaça do cigarro por aqueles que convivem em ambientes fechados com fumantes:

Em bebês:
Um risco 5 vezes maior de morrerem subitamente sem uma causa aparente (Síndrome da Morte Súbita Infantil);
Maior risco de doenças pulmonares até 1 ano de idade, proporcionalmente ao número de fumantes em casa.

Em crianças:
Maior frequência de resfriados e infecções do ouvido médio;
Risco maior de doenças respiratórias como pneumonia, bronquites e intensificação da asma.

Em adultos não-fumantes:
Maior risco de desenvolver doenças por causa do tabagismo, proporcionalmente ao tempo de exposição à fumaça;
Um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração do que os não-fumantes que não se expõem.

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Número de fumantes no Brasil cai 30,7% nos últimos nove anos

O ato de fumar está cada vez menos popular no Brasil. Segundo dados do Vigitel 2014, atualmente, 10,8% dos brasileiros ainda mantém o hábito de fumar – o índice é maior entre os homens (12,8%) do que entre as mulheres (9%). Os números representam uma queda de 30,7% no percentual de fumantes nos últimos nove anos. Em 2006, 15,6% dos brasileiros declaravam consumir o produto. A redução no consumo é resultado de uma série de ações desenvolvidas pelo Governo Federal para combater o uso do tabaco.

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No entanto, um estudo inédito do Instituto Nacional do Câncer (INCA), demonstra que entre os brasileiros que consomem cigarros industrializados cresceu a proporção daqueles que fumam cigarros de origem ilícita. Em 2008, 2,4% dos fumantes obtinha cigarro proveniente do mercado ilegal – em 2013 o percentual passou para 3,7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (28/5) em cerimônia comemorativa ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado no 31 de maio.

“A redução do consumo de cigarro deve ser comemorada, mas o crescimento do consumo de cigarros ilícitos merece total atenção. Sendo legal ou ilícito, o cigarro faz mal à saúde e precisa ser combatido. O diálogo e a participação dos países de fronteira, principalmente do Paraguai, nas ações de coibição do comércio ilegal são fundamentais. Esse será um tema que levarei para o encontro dos ministros da saúde do Mercosul, no próximo mês”, destacou o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Entre os principais motivos para a queda do consumo do tabaco no Brasil está o aumento do preço dos cigarros. Segundo a Pesquisa ICT/INCA 2013, 62% dos fumantes pensaram em parar de fumar devido ao valor do produto no país. A política de preços mínimos também está diretamente ligada à redução da experimentação entre os jovens, já que cerca de 80% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 18 anos.

“A política de preços é determinante para coibir o uso e à iniciação ao tabagismo. Outras ações importantes são a proibição da propaganda do cigarro e ao fumo em ambientes coletivos, além da oferta crescente de tratamento para quem quer deixar de fumar. Em 2013, mais de 70% dos brasileiros que tentaram parar foram atendidos pelo SUS”, reforçou Chioro.

O tabagismo é um fator importante para o desenvolvimento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) – como câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares – e o uso do tabaco continua sendo a principal causa de mortes evitáveis. Ainda segundo o Vigitel 2014, o uso de cigarros é maior na faixa etária de 45 a 54 anos (13,2%) e menor entre os jovens de 18 a 24 anos (7,8%).

Os homens fumam mais em Porto Alegre (17,9%), Belo Horizonte (16,2%) e Cuiabá (15,6%) e as mulheres em Porto Alegre (15,1%), São Paulo (13%) e Curitiba (15,6%). O tabagismo é menos frequente em Fortaleza (8,6%), Salvador (9%) e São Luís (9,3%) entre os homens, e no público feminino em São Luís (2,5%), Palmas (3%) e Teresina (3,1%).

A priorização do atendimento, de quem deseja parar de fumar, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pode ser mensurada pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE. A PNS revela que em 2013, 73,1% das pessoas que tentaram parar de fumar conseguiram tratamento, um aumento importante em relação a 2008, quando o índice era de 58,8%.

Atualmente, das 39.228 equipes de saúde na família, mais de 23 mil em todo o país estão prontas para oferecer o tratamento ao tabagismo em 5.460 municípios. Em 2013 e 2014, o Ministério da Saúde destinou R$ 41 milhões para compra de medicamentos (adesivos, gomas e pastilhas de nicotina e bupropiona) ofertados no tratamento contra o tabagismo.

AVANÇOS – Em 2014, a regulamentação da Lei Antifumo proibiu o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos e outros produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, em locais de uso coletivo, públicos ou privados, mesmo que o ambiente esteja só parcialmente fechado por uma parede, divisória, teto ou até toldo. Os narguilés também foram incluídos na proibição.

Ainda dentro das ações que vem sendo desenvolvidas pelo Governo Federal desde 2011 está a política de preço mínimo para cigarro e a proibição da propaganda comercial de cigarros em todo o território nacional, sendo permitida apenas a exposição dos produtos nos locais de vendas. Esse conjunto de iniciativas permitiu que, até 2015, segundo o balanço do Plano de DCNT, a redução da prevalência de tabagismo seja o indicador de fator de risco com maior avanço no Brasil.

O Ministério da Saúde também ampliou ações de prevenção com atenção especial aos grupos mais vulneráveis (jovens, mulheres, população de menor renda e escolaridade, indígenas, quilombolas), assim como contribuiu para o fortalecimento da implementação da política de preços e de aumento de impostos dos produtos derivados do tabaco e álcool. Houve também o fortalecimento, no Programa Saúde na Escola (PSE), das ações educativas voltadas à prevenção e à redução do uso de álcool e do tabaco.

PROTOCOLO – O Brasil ratificou, em 2005, a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, tratado internacional de saúde pública da OMS que tem como objetivo reduzir o consumo de derivados de tabaco. Uma das medidas preconizadas no tratado é o aumento de preços e impostos sobre os produtos de tabaco, associado a medidas para eliminar o mercado ilegal desses produtos.

O Protocolo para eliminar o mercado ilegal de produtos de tabaco está vinculado ao artigo 15 da Convenção-Quadro e foi negociado pelos países-membros durante cinco anos. O objetivo é eliminar o mercado ilegal de produtos de tabaco por meio de um pacote de medidas a serem adotadas pelos países em cooperação. O Protocolo entrará em vigor quando 40 países completarem o processo de ratificação. Por enquanto, apenas oito países ratificaram o protocolo. No Brasil, o Protocolo está em tramitação no Executivo para seguir para a ratificação no Congresso.

CAMPANHA – Em 2015, a Campanha do Dia Mundial Sem Tabaco integra as ações de Promoção da Saúde –SUS, Controle do Tabagismo. O conceito “Da saúde se cuida todos os dias” é tema das campanhas de promoção da saúde. No eixo controle do tabagismo o slogan usado é “Das escolhas certas se cuida todos os dias”.

A campanha fala do consumo dos produtos derivados do tabaco por jovens, facilitado pelos baixos preços que são oferecidos os cigarros através do comércio ilícito. Além de alertar sobre os malefícios do hábito de fumar, a campanha entrega a mensagem de que é necessário fazer escolhas certas para uma vida mais saudável. A campanha será veiculada na rádio, internet e redes sociais.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.blog.saude.gov.br/

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Saiba mais sobre o tratamento gratuito para as pessoas que querem parar de fumar

O comerciante Clarisvaldo Costa , mora em Minas Gerais e é fumante desde os 15 anos de idade. Hoje, aos 70, ele sabe que precisa abandonar o vício.”Hoje eu estou gastando muito dinheiro e estou sentindo cansaço já.

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Quando eu subo a escada aqui de casa já sinto cansado. Uma escadinha a toa, parece que tem 12 degraus só. Beber, graças a Deus, já tem mais de 30 anos que eu não boto uma bebida de álcool na boca, o cigarro que está sendo difícil. Às vezes eu passo 12 horas sem fumar, mas quando eu chego em casa adeus! Não passo sem ele [o cigarro]. Eu vejo na televisão o pulmão da pessoa como é que fica e é isso que eu tenho medo aqui também.”

O Clarisvaldo e todas as pessoas que querem parar de fumar podem conseguir abandonar o cigarro se aderirem a um tratamento gratuito oferecido por mais de 20 mil equipes de saúde da família espalhadas por todo o país. A coordenadora do programa estadual de controle do Tabagismo, de Minas Gerais, Thereza Senra, explica como é o tratamento. “No primeiro trimestre do tratamento o tabagista faz uso de medicamento, que são fornecidos gratuitamente pelo SUS, para auxiliar na ansiedade. Ele faz uso de nicotina através de adesivos no braço para diminuir essa necessidade enorme que ele tem de pegar o cigarro. E durante as reuniões ele vai recebendo toda a orientação de como ficar sem o cigarro o que ele deve fazer para substituir o cigarro. Ele já sai depois de um ano como ex-fumante. Um ano já é suficiente para o indivíduo conseguir viver sem o cigarro.”

A coordenadora do programa estadual de controle do tabagismo, de Minas Gerais, Thereza Senra, explica ainda que a vontade de parar de fumar é o primeiro passo para o sucesso do tratamento. “O primeiro passo que eu considero mais importante de todos é querer parar de fumar, porque não adianta querer fazer um tratamento se não tiver uma vontade. Às vezes as pessoas falam ‘nossa, não parou de fumar porque não quer, porque é fraco e não tem força de vontade’. Não. É porque às vezes não dá conta mesmo. Então, a partir do momento que a possa quer parar de fumar, ela precisa de ajuda. O tabagista quando ele está com vontade de parar de fumar ele pode procurar uma unidade básica de saúde e falar que ele quer para de fumar.”

Para ter acesso ao tratamento, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde, levar a identidade e se inscrever no programa de combate ao tabagismo do SUS. O Brasil recebeu reconhecimento internacional no controle do tabagismo. O prêmio foi entregue nesta semana durante a 16ª Conferência Mundial Sobre Tabaco ou Saúde em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. Para saber mais sobre o tratamento gratuito para combater o vício do cigarro, acesse: www.inca.gov.br/tabagismo

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Fumantes subestimam os riscos do tabagismo para a saúde

Apesar das frequentes campanhas públicas que alertam para os efeitos prejudiciais do fumo, muitas pessoas ainda acreditam que o tabagismo não faz mal à saúde. Durante a Conferência Europeia de Câncer de Pulmão (ELCC, na sigla em inglês), que ocorreu recentemente na Suíça, pesquisadores apresentaram dados preocupantes: de acordo com um estudo francês, em torno de 34% dos fumantes acreditam que fumar até 10 cigarros por dia não acarreta o aumento dos riscos de desenvolver câncer de pulmão.

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— Os resultados mostram muito bem que a guerra contra o tabagismo está longe de acabar — acredita o oncologista Laurent Greillier, que apresentou o estudo para os participantes do evento.

A equipe de pesquisadores analisou dados coletados de uma pesquisa realizada com 1.602 franceses, com idades entre 40 e 75 anos. Entre essas pessoas, 1.463 não tinham histórico de câncer, embora 481 fossem ex-fumantes e 330 fumantes, com um consumo médio de 14,2 cigarros por dia.

— Essas descobertas são impressionantes e alarmantes, pois sugerem que muitas pessoas que consomem poucos cigarros por dia considerem fumar uma conduta segura. No estudo, apenas metade dos entrevistados acreditam que, de fato, fumar não é saudável — afirma Greillier.

O estudo mostrou ainda que menos de 40% das pessoas estavam cientes de que a chance de um fumante desenvolver câncer de pulmão nunca desaparece, mesmo quando o indivíduo larga o cigarro. De acordo com os pesquisadores, a maioria das pessoas acredita que os perigos do tabaco não estão somente relacionados a elas, e sim, às outras pessoas.

— É essencial que as políticas de saúde pública mantenham o foco nos problemas causados pelo tabaco. Nossos estudos sugerem que campanhas de conscientização para os riscos de qualquer cigarro comecem urgentemente — diz Greillier.

Especialistas também afirmam que o risco de desenvolver câncer de pulmão não depende de quanto tempo a pessoa fuma e, sim, do número de cigarros consumidos por dia.

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Dia Nacional do Combate ao Glaucoma

Doença é a segunda causa de cegueira no mundo e pode ser controlada se diagnosticada precocemente
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo e estima-se que cerca de 1 milhão de brasileiros sejam portadores da doença, de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser tratado com diagnóstico precoce. “A doença provoca uma perda progressiva da visão. Quando descoberta no início, é possível estacionar o seu avanço com o uso de colírios. Por isso, a importância do check-up regular com seu médico”, salienta o oftalmologista Marco Canto, diretor da Clínica Canto.
O glaucoma provoca uma alteração do nervo óptico, que entra em sofrimento e perde a capacidade de captar e transmitir os raios luminosos, explica o oftalmologista. Como não costuma apresentar sintomas e a perda lenta e gradual da visão demora para ser detectada pelo paciente, a doença acaba sendo descoberta somente em estágios mais avançados. “Toda a perda de visão que ocorre não pode ser recuperada. O tratamento somente estaciona a doença, as células que já morreram não voltam, mas aquelas que ainda estão em sofrimento, podem ser recuperadas”, afirma.
Quando existem sintomas, geralmente são desconforto nos olhos com sensação de pressão, embaçamento visual, principalmente pela manhã. Quando a pressão ocular sobe muito, a visão piora muito e provoca dor intensa. Qualquer pessoa pode desenvolver a doença, mas a incidência é maior em familiares de pessoas portadoras de glaucoma, afrodescendentes, pessoas com doenças autoimunes, diabetes ou miopia. “O tipo mais comum é o glaucoma crônico simples, de origem genética”, comenta Marco Canto.
A consulta oftalmológica deve ser periódica, principalmente se o paciente fizer parte do grupo de risco, para que seja medida a pressão ocular e o oftalmologia possa observar o fundo do olho e a escavação do nervo óptico, que costuma aumentar com a progressão do glaucoma. “Quando temos dúvidas, ainda podemos realizar exames adicionais como campimetria, que mede a periferia da visão; curvas tensionais para verificar a pressão ocular em diferentes horários do dia, a estereofoto de papila, que avalia o comprometimento do nervo óptico e a paquimetria para qualificar a medida da pressão ocular”, esclarece.
Quando a doença é detectada, o tratamento é feito com colírios, laser ou cirurgias. “Entretanto, a visão perdida não é recuperada nem com a cirurgia. Por isso, a importância de diagnosticar precocemente para impedir o avanço do glaucoma”, ressalta Marco Canto.
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O diagnóstico precoce do glaucoma é fundamental para evitar complicações

Uma das principais causas de cegueira permanente é o glaucoma. A doença faz aumentar a pressão nos vasos sanguíneos que irrigam as células da retina e do nervo ótico, o que pode provocar a perda progressiva da visão, podendo levar à cegueira.

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Para evitar essas complicações, o coordenador-geral de média e alta complexidade do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, explica que é preciso ficar atento aos sintomas da doença “Existe alguns sinais e sintomas. Você pode ter características como um olho mais avermelhado, dor no olho, diminuição da visão periférica e o aumento da pressão interna, que é o aumento da pressão ocular. Principalmente, o glaucoma, afeta pessoas numa faixa etária acima de 40 anos de idade, pessoas que já tenham uma história na família, ou seja: pais, tios e avós com glaucoma, além disso, pessoas diabéticas e pessoas que usam, por tempo prolongado, os corticoides.”

O aposentado Celso Rodrigues de Moura recebeu o diagnóstico de glaucoma quando tinha 40 anos de idade. Hoje, aos 65 anos, ele conta como foi o processo de tratamento da doença. “Eu sempre fazia consultas anuais para verificar a miopia, entre as consultas fazia medição geral. E notou que estava aumentando a pressão. Essa pressão nos olhos é que caracteriza o glaucoma. A gente não sente nada no olho. Usei colírios durante muito tempo. Chegou uma hora que fui submetido a uma cirurgia. Quem está chegando aos 25, 30 anos, deve sempre fazer uma consulta no médico pelo menos uma vez por ano.”

Segundo o coordenador-geral de média e alta complexidade do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, o diagnóstico e o tratamento para combater o glaucoma são oferecidos gratuitamente no SUS “No sistema público de saúde  ofertamos todo o tratamento. Desde o diagnóstico, até o uso de colírios ou alguma cirurgia. O glaucoma, se não for tratado adequadamente, leva à cegueira, aliás, é a principal causa de cegueira irreversível. Então, dessa forma, deve-se controlar periodicamente, porque como é uma doença que muitas vezes não tem sintomas, às vezes você não adere ao tratamento e esse descuido pode ter consequências graves. O importante é procurar o serviço de saúde para que possa ser feita uma avaliação.”

A melhor maneira de prevenir o glaucoma é consultar um médico oftalmologista pelo menos uma vez por ano. Sendo uma doença crônica e sem cura, ele pode ser controlado com o uso de medicamentos apropriados.

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