Posts Tagged 'Pesquisa'



Estudo avalia prevalência de hipertensão resistente no país

Determinar a prevalência da hipertensão resistente na população brasileira e padronizar o tratamento desses pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) são os objetivos de um estudo que vem sendo realizado em 25 hospitais universitários de todo o Brasil sob a coordenação de pesquisadores do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

271

Uma análise preliminar detectou o problema em 16% dos 1.692 hipertensos avaliados. Os dados foram apresentados por Eduardo Moacyr Krieger, pesquisador responsável e vice-presidente da FAPESP, durante o evento internacional World Health Summit – Regional Meeting Latin America, organizado pela FMUSP entre os dias 6 e 8 de abril.

“Costumam ser considerados hipertensos resistentes aqueles pacientes cuja pressão permanece elevada mesmo após tratamento com doses adequadas de três medicamentos anti-hipertensivos de diferentes classes, sendo um deles necessariamente um diurético”, explicou Krieger.

Nesses casos, especialistas estimam que o risco de desenvolver doenças graves, como acidente vascular cerebral, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal seja três vezes maior do que em pacientes com hipertensão controlada – que, por sua vez, já apresentam risco mais elevado em relação à população normotensa.

A hipertensão resistente é considerada um problema emergente de saúde pública global, principalmente em função do aumento da expectativa de vida e dos casos de apneia do sono, diabetes e obesidade. Existe ainda a hipótese de que o consumo excessivo de sal possa estar contribuindo para o crescimento no número de casos.

“Há um consenso sobre a necessidade de tratar o hipertenso com três classes de medicamentos diferentes antes de considerá-lo resistente. Mas, quando o tratamento falha, sempre fica a dúvida: qual deve ser a quarta ou quinta droga a ser escolhida? Quase não há dados na literatura científica e, por esse motivo, decidimos propor esse projeto especialmente orientado para a população brasileira”, contou Krieger.

Batizado de Resistant Hypertension Optimal Treatment (ReHOT), o estudo multicêntrico conta com apoio do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da FAPESP, por meio do Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS).

Foram incluídos ao todo 1.927 pacientes com hipertensão severa – acima de 160 milímetros de mercúrio (mmHg) de pressão sistólica (máxima) e 110 mmHg de pressão diastólica (mínima) – em uma amostra considerada representativa da população brasileira. Atualmente, são considerados valores pressóricos ideais aqueles em torno de 120/80 mmHg e hipertensão acima de 140/90 mmHg.

A pressão foi medida tanto em consultório quanto por um método conhecido como MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), no qual medidas são feitas a cada 20 minutos, durante 24 horas, por um monitor acoplado à cintura, com o objetivo de registrar as variações durante o ciclo de sono e vigília.

Os pacientes considerados elegíveis foram tratados ao longo de três meses com doses adequadas de medicamentos disponíveis na rede pública de saúde. Após esse período, uma segunda avaliação revelou que 84% estavam com a pressão normalizada.

Foram considerados resistentes aqueles que após os três meses de tratamento apresentavam pressão clínica acima de 140/90 mmHg e pressão ambulatorial de 24 horas de 130/80 mmHg. Em uma segunda etapa da pesquisa, esses pacientes estão sendo divididos aleatoriamente em dois grupos. Metade será tratada com o medicamento clonidina e, os demais, com a droga espirolactona.

“Aquele que mostrar melhor efeito poderá ser incluído no tratamento padronizado do SUS e administrado em conjunto com as outras três classes de anti-hipertensivos já usadas”, explicou Krieger.

Para Krieger, o projeto ReHOT exemplifica a importância da união entre as universidades e o poder público para a realização de pesquisas voltadas a melhorar a prevenção e o tratamento na rede pública de saúde. “A obrigação da universidade não termina com a formação do médico. A universidade detém o conhecimento e os núcleos de pesquisa, que são os mais indicados para fazer análises de custo-benefício. E o patrocínio possível para isso vem de preferência do poder público”, afirmou.

O escopo do projeto ReHOT foi divulgado em um artigo publicado em 2013 na revista Clinical Cardiology. Os dados preliminares foram apresentados por Krieger durante o simpósio “Deciphering the Public Health Situation in Brazil”, que integrou a programação do World Health Summit – Regional Meeting Latin America.

Decifrando a saúde pública

Na mesma sessão, o pesquisador da FMUSP Paulo Andrade Lotufo apresentou dados preliminares do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil), cujo objetivo é investigar a incidência e os fatores de risco para doenças crônicas, em particular, as cardiovasculares e o diabetes. A amostra é composta por 15.105 funcionários de seis universidades públicas entre 35 e 74 anos.

Moyses Szklo, professor da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, apresentou dados do Projeto Erica – Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, que conta com uma amostra de 75 mil adolescentes de 12 a 17 anos e pesquisadores de 35 instituições do Brasil.

Outro estudo em andamento apresentado por Flávio Danni Fuchs, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi o Prevenção de Eventos Cardiovasculares em Paciente com Pré-Hipertensão e Hipertensão Arterial (Prever). Neste caso, o objetivo é investigar se o tratamento medicamentoso de indivíduos com pré-hipertensão reduz a incidência de hipertensão arterial e determinar a melhor combinação de drogas a ser usada.

Joyce Schramm, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP-Fiocruz), apresentou dados de seus estudos sobre carga de doença no país, que mostram redução nos casos de morte e incapacidade causados por doenças infecciosas e aumento nos casos resultantes de doenças não infecciosas, como as cardiovasculares e os transtornos mentais.

World Health Summit

Focado nos principais desafios da América Latina na área da saúde, o World Health Summit – Regional Meeting Latin America contou com simpósios das Escolas de Medicina da M8 Alliance – rede formada por 16 instituições de 14 países, entre elas a FMUSP.

O encontro visa a articular a comunidade científica, políticos e representantes da sociedade civil e do setor privado na discussão de soluções com base no conhecimento científico para enfrentar os desafios da saúde global, como a prevenção e o controle de doenças, o desenvolvimento de abordagens inovadoras e práticas mais eficazes.

A programação foi organizada em torno de cinco linhas temáticas: “Expectativa de vida saudável”, “Saúde urbana/Saúde em megacidades”, “Aumento na capacidade de pesquisa para incorporar tecnologias”, “Gerenciamento de sistemas de saúde para garantir cobertura universal” e “Educação em saúde”.

No dia 7 de abril, o encontro contou com a participação do presidente da FAPESP, Celso Lafer, que presidiu a mesa da palestra proferida por Gary Gibbons, diretor do National Heart, Lung and Blood Institute (NHLBI), órgão ligado ao National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.

O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, foi moderador, ao lado de José Eduardo Krieger (InCor-USP), pró-reitor de pesquisa da USP, do simpósio “Challenge to Improve Prevention and Outcomes in Cardiovascular Diseases”. Além de Gibbons, a sessão reuniu Joaquim Bernoya (diretor de Pesquisa da Unidade Cardiovascular da Guatemala), Jose Patricio Lopez-Jaramillo (Universidad de Santander, na Colômbia) e Alexandre da Costa Pereira (InCor-USP).

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://exame.abril.com.br/

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

Cinco passos para sair do sedentarismo e começar a se exercitar

O sedentarismo está entre os dez principais fatores de risco que ameaçam a saúde, segundo uma pesquisa sobre a carga global de doenças feita em 2010. Outro extenso estudo, feito na Austrália e publicado em 2012, provou que o sedentarismo não só provoca doenças, como encurta a vida. A pesquisa avaliou mais de 200 000 pessoas acima de 45 anos e descobriu que as mais sedentárias tinham duas vezes maiores chances de morrer em um período de três anos do que os sedentários que se exercitavam mais.

saude exercicio prazer diversao

Os potenciais prejuízos do sedentarismo e os efeitos benéficos da prática de atividade física são bons motivos para começar a se exercitar. Mas é comum que pessoas desacostumadas à prática de exercícios se sintam desmotivadas pouco depois de iniciar alguma atividade — e voltem para o sofá. Em muitos casos, isso acontece por um mau planejamento. São armadilhas comuns escolher uma modalidade com a qual não se identifique, não adaptar os horários dos exercícios à rotina ou traçar metas impossíveis de serem alcançadas. Conheça as melhores estratégias para sair do sedentarismo de vez.

Avalie o seu físico

Passar por uma avaliação de flexibilidade, fôlego, força muscular e composição corporal é importante para medir o progresso que virá com a prática de exercícios. Esse teste pode ser feito por um profissional de educação física. Já pessoas sedentárias com mais de 40 anos ou que tenham algum fator de risco, como sobrepeso e hipertensão, devem agendar uma consulta com um médico antes de iniciar uma atividade física. “Há recursos que traçam o perfil do indivíduo e permitem dizer se ele pode fazer exercícios mais intensos ou se deve optar pelos moderados”, diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros. Trata-se de testes como o cardiopulmonar, que mede a aptidão cardiorrespiratória, e o ergométrico, que avalia o coração em situação de stress, geralmente com o paciente se movimentando em uma esteira ou bicicleta estacionária.

Estabeleça metas realistas

Ter objetivos ao iniciar uma atividade física é motivador – desde que eles sejam realistas. “Uma pessoa que decidir perder 10 quilos em dois meses dificilmente vai conseguir alcançar a meta e, de certo, vai desistir do compromisso”, diz Renato Dutra. O ideal, segundo o educador físico, é estabelecer objetivos de curto (um a três meses), médio (quatro a seis meses) e longo prazo (um a dois anos). “Metas possíveis para um sedentário são, por exemplo, emagrecer 1 quilo em dois meses ou, em um mês, correr 10 minutos ou subir um lance de escada sem se sentir tão cansado.” Um dos melhores estímulos é enxergar os resultados.

Escolha um exercício prazeroso

É comum que corrida e musculação, pela difusão e pela praticidade, sejam as primeiras opções na hora de escolher um exercício. Mas isso não quer dizer que elas sejam prazerosas para todo mundo. A regra é experimentar diferentes modalidades até encontrar a mais agradável. “Para sair do sedentarismo, a pessoa deverá buscar um exercício com o qual se identifique”, diz Renato Dutra. “Só assim ela descobrirá que, em vez de musculação, prefere pilates, ou que se sai melhor na dança do que na corrida.”

Comece devagar

Pessoas que não estão acostumadas a se exercitar devem começar uma atividade física aos poucos, com uma intensidade leve e respeitando os limites do corpo. Isso vai ajudar a evitar lesões e diminuirá as chances de o indivíduo se sentir desestimulado com o exercício. Variar as modalidades também é uma medida que ajuda a espantar o desânimo. “Faça, por exemplo, musculação em um dia, um exercício aeróbico no outro e uma aula de alongamento no dia seguinte”, diz o educador físico Renato Dutra.

Persista nos novos hábitos

É normal que uma pessoa decida se exercitar duas vezes por semana, mas, logo no início, um imprevisto a impeça de cumprir esse objetivo. “Ela não pode desanimar por causa disso. Se não deu, deve tentar de novo na outra semana. Para criar um hábito, é preciso investir nele, reforçando determinados comportamentos. Uma pessoa que sempre foi sedentária não pode ser tão exigente consigo mesma”, afirma Dutra.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://veja.abril.com.br/

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

Existe amizade entre homem e mulher?

Será que homens e mulheres podem ser apenas amigos? A pergunta soa incômoda, porque homens e mulheres trabalham, estudam e convivem diariamente em todo tipo de atividade. Insistir no questionamento põe à prova a legitimidade de parte dos laços sociais que cultivamos – e lança a possibilidade de que aquilo que chamamos de amizade entre homem e mulher não passe de impulso sexual sublimado.

Amizade-Colorida-05

Para entender melhor essa questão, oito pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Eau Claire, nos Estados Unidos, reuniram 88 pares de amigos para destrinchar suas intenções e concluir se uma possível atração entre afetos de sexos diferentes é benéfica ou não à amizade. Cada uma das pessoas analisadas deveria responder algumas perguntas sobre seus sentimentos românticos e sexuais (ou sobre a falta deles) em relação ao amigo. Foram estipuladas algumas regras para que se mantivesse a privacidade e a legitimidade das respostas: os formulários seriam anônimos e confidenciais e, além disso, foi exigido que os amigos concordassem em evitar conversas sobre o estudo.

Não é a primeira vez que isso acontece. Desde o fim dos anos 1980, pesquisadores se debruçam em análises comportamentais que tentam explicar o que liga homens e mulheres em relações não eróticas. A bibliografia é recente, assim como o fenômeno. “Foi somente a partir de 1970 que as mulheres passaram a criar vínculos afetivos com homens de fora do seu círculo familiar”, afirma a pesquisadora de gênero Rosana Schwartz.

Nas décadas anteriores, acreditava-se que mulheres demandavam tutela — do irmão, do pai ou do marido. “A Igreja e a ciência faziam a sociedade acreditar na fragilidade da mulher. De acordo com os padrões antigos, se ela não fosse orientada, estaria propensa a desregramentos morais”, diz Rosana. Depois das conquistas feministas, as mulheres passaram a frequentar realidades diferentes, antes exclusivas ao público masculino, e aumentaram a gama de amizades. Mas as questões que cercam a relação de amizade entre os sexos não diminuíram. De lá pra cá, os cientistas chegaram a conclusões variadas para explicar essa aproximação. Às vezes, responsabilizando a mídia por disseminar um modelo estritamente romântico entre os sexos; em outras, culpando a própria psique humana, que, segundo eles, insiste em aproveitar toda e qualquer oportunidade em favor da reprodução. Os teóricos mais recentes preferem se concentrar na chamada “construção social” dos indivíduos para explicar suas motivações. Ou seja, preferem atribuir às regras estabelecidas pela sociedade ao longo dos anos os impulsos da atitude feminina ou masculina.

Os resultados da pesquisa da Universidade Wisconsin-Eau Claire detectou diferenças fundamentais na maneira como homens e mulheres vivem a amizade entre sexos. Os homens frequentemente são atraídos por suas amigas – e também estão mais propensos a acreditar que elas se sentem atraídas por eles. As mulheres, porém, revelam total falta de interesse sexual no amigo do sexo oposto.

Também juram ter certeza de que eles não sentem nada por elas. As mulheres parecem ter uma reação realmente desinteressada com seus amigos, enquanto eles cultivam a esperança de obter sexo e romance nesse tipo de relação. Se houver uma chance de sexo, eles aproveitam. Um outro aspecto do estudo mostrou que, à medida que se tornam mais velhos, eles se mostram menos atraídos pelas amigas do que os jovens entre 18 e 23 anos.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://revistaepoca.globo.com/

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

Por que fazemos amigos?

Tudo começou por puro interesse. Quando os primeiros macacos se tornaram amigos, fizeram isso por motivos bem objetivos – ajudar uns aos outros em lutas contra rivais, no caso dos machos, e cuidar melhor dos filhotes, no caso das fêmeas. A amizade não passava de uma troca de favores. Agora pense nos dias de hoje: com você e os seus amigos, não é assim. Você tem amigos simplesmente porque gosta de estar na companhia deles, certo? Errado. Você continua fazendo amizades por puro interesse – no caso, alimentar o seu cérebro com uma substância chamada ocitocina.

tipos-de-amizade
Talvez você já tenha ouvido falar dela. É um hormônio que está relacionado ao instinto mais primordial do ser humano: a reprodução. O orgasmo libera ocitocina – e estimula a fêmea a contrair seu útero, o que leva o esperma do macho mais rapidamente até o óvulo e aumenta as chances de ela engravidar. Mas seus efeitos mais profundos acontecem no cérebro. A ocitocina é responsável pelo afeto que a fêmea desenvolve pelo macho, e pelo amor incondicional que ela tem pelos filhos. Ou seja: é a ocitocina que fez, e faz, a espécie se reproduzir com sucesso. Outros animais também produzem esse hormônio. Mas, entre os humanos, ela é muito mais potente. Tanto que influi até nos machos – fazendo com que assumam um comportamento carinhoso, o que é muito raro no mundo animal. “Só em 3% das outras espécies de mamífero os machos cuidam dos filhotes”, explica o neurologista Paul Zak, da Universidade da Califórnia.

Em algum momento da Pré-História, a relação com estranhos passou a ser necessária. Provavelmente, isso aconteceu no momento em que grupos de hominídeos começaram a se fixar em uma mesma região, e viver em grupos cada vez maiores. E foi aí que surgiu a forma mais primitiva de amizade. “Os amigos fornecem um suporte social para os primatas”, diz o antropólogo Robin Dunbar, da Universidade de Oxford.

Há cerca de 10 mil anos, a ocitocina ganhou um papel maior. O homem fez sua primeira grande invenção – a agricultura, que viria a revolucionar a relação da espécie com o alimento (e abrir espaço para todas as revoluções seguintes). Mas ela só dava certo se tivesse a colaboração de vários indivíduos. Aí, a ocitocina deixou de ser apenas uma coisa “de família” para agir em prol da sociedade – e facilitar a formação das alianças de que a humanidade precisava. Ela nos condicionou a fazer amigos.

Experiências feitas na Universidade da Califórnia comprovaram que, quando você conhece uma pessoa que lhe pareça confiável, o nível de ocitocina no seu cérebro aumenta. Isso faz com que você se sinta mais propenso a criar uma relação com aquela pessoa. Ou seja: graças à ocitocina, o cérebro aprendeu a transformar algo que era necessário à sobrevivência – a cooperação – em prazer.

Com a evolução, a amizade deixou de ser imprescindível à sobrevivência do indivíduo. No mundo atual, para obter comida, basta ir a um restaurante. Dá para fazer isso sozinho. Mas é muito desagradável – porque o seu cérebro está condicionado a fazer alianças (e também porque, como você verá na próxima matéria, a amizade tem uma série de efeitos importantes no organismo). É por isso que procuramos amigos, mesmo que tecnicamente não precisemos deles. “A ocitocina faz com que tratemos estranhos como se fossem nossa própria família. E a amizade é exatamente isso”, diz Zak.

Como tudo o que tem base biológica, a amizade afeta os sexos de maneiras diferentes. As mulheres produzem mais ocitocina do que os homens. E isso faz com que seu cérebro se organize para ter amizades profundas. Testes feitos no Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA apontaram que, nas mulheres, as áreas do cérebro ligadas a emoções e produção de hormônios se acendem quando existe a possibilidade de conhecer alguém novo. Nos meninos, isso não acontece. É por isso que as mulheres têm, sim, amizades mais intensas do que os homens. Mas, por isso mesmo, elas também são menos tolerantes – e suas amizades duram menos. Aliás, existe amizade (sem envolver sexo) entre homens e mulheres? Existe e não existe. Por um lado, a origem desse sentimento é inegavelmente sexual. A amizade entre homens e mulheres nasceu para facilitar a reprodução e a criação dos filhotes. E ela é alimentada pela ocitocina – que é liberada durante o sexo. Por outro lado, a evolução nos tornou capazes de separar as coisas. Isso porque, quando a ocitocina adquiriu sua função social (facilitar a criação de alianças entre as pessoas do mesmo sexo), o cérebro humano também mudou. Ele ganhou muito mais receptores de ocitocina, que foram se espalhando por várias regiões cerebrais – inclusive aquelas que nada têm a ver com o desejo sexual. Por isso, a ocitocina que é liberada quando você está com amigos (seja do mesmo sexo, seja do oposto) não produz o mesmo efeito do que a ocitocina que é liberada quando você está namorando ou fazendo sexo. É diferente.

Bem menos que 1 milhão 

Ter amigos só traz benefícios. Quanto mais, melhor. Mas há um limite. Um estudo feito na Universidade de Oxford comparou o tamanho do cérebro humano, mais precisamente do neocórtex (área responsável pelo pensamento consciente), com o de outros primatas. Ele cruzou essas informações com dados sobre a organização social de cada uma das espécies ao longo do tempo. E chegou a uma conclusão reveladora: 150 é o máximo de amigos que uma pessoa consegue ter ao mesmo tempo.

Para que você mantenha uma amizade com alguém, precisa memorizar informações sobre aquela pessoa (desde o nome até detalhes da personalidade dela), que serão acionadas quando vocês interagirem. Por algum motivo, o cérebro não comporta dados sobre mais de 150 pessoas. Os relacionamentos que extrapolam esse número são inevitavelmente mais casuais. Não são amizade. Outros pesquisadores foram além e constataram que, dentro desse grupo de 150, há uma série de círculos concêntricos de amizade: 5, 15, 50 e 150 pessoas, cada um com características diferentes (veja no infográfico).

O curioso é que esses círculos já haviam sido mencionados por filósofos como Confúcio, Platão e Aristóteles – e também estão presentes em várias formas de organização humana. Na Antiguidade clássica, 5 já era considerado o número máximo de amigos íntimos que alguém poderia ter. Tirando o futebol, 12 a 15 pessoas é a quantidade de jogadores na maioria dos esportes coletivos. Cinquenta é o número médio de pessoas nos acampamentos de caça em comunidades primitivas (como os aborígenes da Austrália, por exemplo). Cento e cinquenta é o tamanho médio dos grupos do período neolítico, dos clãs da sociedade pré-industrial, das menores cidades inglesas no século 11 e, até hoje, de comunidades camponesas tradicionais como os amish (que dividem uma comunidade em duas quando ela ultrapassa as 150 pessoas). Os 150 podem, inclusive, ser a chave do sucesso profissional. Como no caso da Gore-Tex, uma empresa têxtil americana que se divide (e abre uma nova sucursal) cada vez que seu número de funcionários passa de 150 pessoas. A vantagem disso é que todos os empregados se conhecem, têm relações amistosas e cooperam melhor. “As coisas ficavam confusas quando havia mais de 150 pes-soas”, explicou o fundador da empresa, William Gore, numa entrevista concedida alguns anos antes de morrer, em 1986. E a aposta nesse modelo de organização deu certo. A Gore-Tex virou uma multinacional com US$ 2,5 bilhões de faturamento anual – e é apontada pela revista Fortune como um dos 100 melhores lugares para trabalhar desde que esse ranking começou a ser compilado, em 1984.

Mas, mesmo com tantos exemplos práticos, ninguém sabe explicar por que nosso limite de amizades é de 150 pessoas. Para os cientistas, foi como o cérebro conseguiu construir e administrar o que viria a se tornar, ao longo do tempo, o bem mais importante da espécie humana: a rede social.

CÍRCULO FINITO

O cérebro comporta no máximo 150 amigos, divididos em grupos.

Do peito 
5 amigos – São os íntimos, com quem você mais fala – e não hesitaria em ligar de madrugada ou pedir dinheiro emprestado. Para Aristóteles, 5 era o número máximo de amigos verdadeiros.

Grupo de empatia 
15 amigos – São pessoas bastante importantes para você – se alguma delas morresse amanhã, você ficaria muito triste. Este grupo pode incluir gente do trabalho ou amigos de amigos.

Número típico 
50 amigos – É o número de amizades mantidas pela maioria das pessoas, e também o tamanho médio dos agrupamentos humanos primitivos (como bandos de caça).

Limite
150 amigos – Máximo que o cérebro consegue administrar ao mesmo tempo. São as pessoas cujos nomes, rostos e características você consegue memorizar e acionar caso seja necessário.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site:  http://super.abril.com.br/

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

Número de amigos: essa é a verdadeira constante na amizade

Quantos amigos próximos você tem? Ao longo da vida, nós nos aproximamos de pessoas e nos afastamos de outras. O nosso círculo de amigos dificilmente se mantém o mesmo – mas o seu padrão, esse sim, permanece. Por exemplo: se você tinha dois amigos próximos no colegial e uma turma maior com cinco ou seis pessoas, é provável que esse padrão se repita depois, na faculdade e também na vida adulta – não necessariamente com os mesmos amigos.

amigos051119

Pesquisadores da Aalto University School of Science, na Finlândia, monitoraram dados de celulares de adolescente britânicos desde o colegial até sua entrada na universidade. A ideia era analisar quantas relações próximas eles mantinham. A pesquisa mostrou que as pessoas têm ‘assinaturas’ ou “padrões de intimidade” com as outras, e isso costuma ser mantido ao longo da vida.

Segundo Jari Saramäki, cientista da computação que estuda redes sociais, a maioria das pessoas mantém um pequeno número de relacionamentos próximos. Manter relações próximas é essencial para o nosso bem estar, mas isso tem um custo – tempo pessoal, de trabalho e outros relacionamentos. Por isso, as diferenças individuais refletem como as pessoas lidam com recursos finitos de tempo, comunicação e investimento emocional para sustentar as relações.

Para o estudo, foram analisados 24 estudantes com idades entre 17 e 19 anos, de ambos os sexos, que moravam na mesma cidade. Os pesquisadores deram doce às crianças, quer dizer: deram aos adolescentes um contrato de celular de um ano e meio 500 minutos para falar no telefone e mensagens de texto ilimitadas. No começo, eles preencheram um questionário com os nomes de seus contatos e lhes atribuíram uma nota de 1 a 10 em uma escala emocional (10 era uma “relação pessoal profunda”).

No final do estudo, eles entraram na universidade em diferentes partes do país e se separaram. Os pesquisadores lhes deram o mesmo questionário por duas vezes: uma no meio e outra no final do estudo. As “relações pessoais profundas” bateram com os histórico de ligações, confirmando o grau de relacionamento.

E a conclusão foi que, por mais que os nomes listados mudassem nas listas individuais, as características da rede (para quantas pessoas os adolescentes ligavam, por exemplo) era mantida. Segundo Saramäki, o estudo não explica por que os adolescentes mudaram seu círculo social, mas uma possível interpretação é que quando as circunstâncias mudaram, eles substituíram seus velhos melhores amigos por novos.

Agora, o pesquisador quer estudar essas relações por mais tempo e com mais pessoas, incluindo outras formas de comunicação, como as redes sociais. Afinal, hoje em dia fica difícil avaliar a vida social de qualquer pessoa só com ligações telefônicas e SMS, não é?

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site:  http://revistagalileu.globo.com/

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

Brasil: o país dos 100 milhões de raios

Dos 3,15 bilhões de raios que golpeiam a Terra e seus habitantes durante um ano, 100 milhões deles vêm desabar em terras brasileiras. O número, divulgado no ano passado por uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, São Paulo, não é superado por nenhum outro país. E ficou bem acima das estimativas que davam conta de 30 milhões ao ano. Agora, sabemos com segurança: em quantidade de relâmpagos, ninguém segura este país.

RAIOS EM BRASILIA

Mas a pesquisa do INPE vai muito além de contar faíscas no céu. Desde 1989, num trabalho que usa enormes balões — do tamanho de prédios de 20 andares —, o Instituto vem medindo a carga elétrica das nuvens e dos relâmpagos que atingem a Região Sudeste. Para isso, os balões levam sensores elétricos, sensores de raios X e até máquina fotográfica e câmera de vídeo. Registram tudo o que acontece a 30 quilômetros de altura.

Tanta investigação acabou encontrando as particularidades dos raios brasileiros, que são diferentes dos que caem em outros lugares. “Sessenta por cento dos que atingem a Região Sudeste, em alguns dias do verão, têm carga positiva”, diz Iara Cardoso de Almeida Pinto, geofísica espacial, que juntamente com o marido, o também geofísico espacial Osmar Pinto Jr., comanda a pesquisa. Outra surpresa, pois 90% dos raios do mundo têm carga negativa.

Um detalhe: raios positivos são, geralmente, mais destrutivos. Embora os relâmpagos sejam mais freqüentes dentro das nuvens do que das nuvens para o solo, os mais estudados são justamente estes, que vêm bater no chão — os mais ameaçadores.

“Os raios são fenômenos naturais que aguçam a curiosidade mas causam prejuízos e mortes”, diz Osmar Pinto Jr. Calcula-se que mais de 100 brasileiros morram todos os anos vítimas de raios (positivos e negativos). Quanto aos prejuízos, de acordo com dados da Eletropaulo (Eletricidade de São Paulo), no ano passado ocorreram 974 casos de falhas ou interrupções da rede elétrica causadas pelos raios. Só para se ter uma idéia do tamanho do prejuízo, se um grande blackout atingisse toda a região da Grande São Paulo por uma hora implicaria uma perda de 30 milhões de dólares.

Mas, afinal, como se formam as faíscas que vemos no horizonte quando se anuncia uma tempestade? Relâmpagos são gerados dentro de uma nuvem muito particular: a cumulonimbo, que se diferencia das outras por ser verticalmente mais extensa. Ela se forma a 2 quilômetros de altura do solo e se estende até 18 quilômetros acima.

Tudo começa quando o ar quente e úmido próximo do solo se eleva na atmosfera (ele sobe porque é mais leve que o ar acima dele). À medida que vai subindo, esfria, até chegar ao topo da nuvem onde a temperatura é muito baixa, de 30 graus negativos. Resultado: o vapor de água que estava misturado ao ar quente transforma-se em granizo e começa a despencar (porque é mais pesado que o ar) para a base da nuvem. Na queda, vai se chocando com outras partículas menores, cristais de gelo principalmente. Os choques fazem o granizo e os cristais ficarem eletricamente carregados.

As cargas negativas presas ao granizo vão para a base da nuvem. Já as positivas ficam nos cristais de gelo, mais leves, que tendem a subir com o ar quente que vem de baixo para o topo da nuvem. Ou seja, as cargas se separam: positivas em cima e negativas em baixo. Em dado momento, as cargas positivas e negativas atingem intensidade muito alta. É o que basta para o surgimento do relâmpago. Para equilibrar cargas tão diferentes, a eletricidade anda sozinha, sem fio nem nada, pelo ar. Em outras palavras: um raio não é nada mais que uma carga elétrica cruzando a atmosfera.

A maioria dos raios começa e acaba dentro das nuvens. São poucos os que vêm para o chão. Sobre esses há duas curiosidades. A primeira é que só podem ser vistos na fase final. Logo que o raio sai da nuvem e segue em direção do solo não pode ser visto (nessa fase é chamado de “líder escalonado”). Quando essa faísca tortuosa chega a 50 metros do chão, sai da terra outra faísca em direção à nuvem (é a “descarga conectante”) e ela ainda não pode ser vista. Só quando as duas correntes se encontram é que tudo se ilumina. O que vemos, então, é a “descarga de retorno”. A segunda curiosidade: os raios que enxergamos, portanto, saem da terra para o céu. Por ilusão de óptica, achamos que o clarão do relâmpago vem do alto para a terra.

E aqui chegamos à pergunta: por que alguns raios são positivos e outros negativos? O que os diferencia é o local da nuvem onde se originam. Os negativos saem da parte baixa da nuvem, onde se concentra a energia negativa. Já os positivos saem do topo da nuvem, onde ficam as partículas carregadas positivamente.

Há outra diferença importante: nos raios positivos, a corrente elétrica contínua — a que persiste até o relâmpago acabar — dura cerca de 200 milésimos de segundo, enquanto nos negativos a corrente dura, em geral, menos da metade. Justamente porque nos raios positivos a corrente contínua dura mais é que eles são mais perigosos e destrutivos, capazes de iniciar um incêndio florestal (os negativos raramente causam incêndio). Outra diferença é que o raio negativo carrega uma corrente contínua de 100 ampères (o ampère é a unidade de intensidade da corrente elétrica), enquanto o positivo carrega o dobro: 200 ampères, energia suficiente para alimentar vinte fornos elétricos domésticos.

Mas o que os pesquisadores querem entender é por que, em algumas tempestades da Região Sudeste, 60% dos relâmpagos são positivos. Além de tudo, esse tipo de relâmpago, por não ser freqüente, é pouco conhecido e só começou a ser estudado em detalhes na década passada. Para tentar explicar a ocorrência desses raios positivos, a equipe do INPE formulou uma hipótese: a maior quantidade deles por aqui estaria relacionada a gigantescas concentrações de nuvens que vêm da região antártica em direção ao Brasil. Quando encontram o ar quente das regiões Sul e Sudeste, produzem aglomerados gigantes de cumulosnimbos. O topo dos aglomerados “entorta” para o lado formando uma cauda gigantesca só com cargas positivas. Isso explicaria a quantidade maior de raios positivos nessas regiões. A parte superior dos cumulosnimbos estaria tão afastada da parte inferior que teria mais facilidade de trocar energias diretamente com o solo. A conclusão definitiva (a confirmar ou descartar a hipótese) só virá depois que os cientistas terminarem a análise dos 30 milhões de dados recolhidos pelos balões.

O primeiro experimento para pesquisar os raios no Brasil foi realizado em dezembro de 1989, na base de lançamentos de balões do INPE, em Cachoeira Paulista, interior de São Paulo. O mais impressionante foi mesmo o enorme balão estratosférico, de 7 500 metros cúbicos. Feito de plástico muito fino, leve e super-resistente à radiação ultravioleta do Sol, ele partiu para as nuvens carregando um equipamento de 100 quilos. A 30 quilômetros de altura, deu início à missão de sentir a força dos relâmpagos e contá-los em um raio de 100 quilômetros.

Isso é possível porque os raios emitem radiação: a luz, por exemplo, é uma forma de radiação. Além disso, eles também emitem ondas de rádio, que interagem com partículas que existem ao redor da Terra gerando outro tipo de radiação: os raios X. Tudo isso pode ser captado, registrado e também filmado e fotografado.

Na experiência de 1989, o balão levava apenas sensores para medir as cargas elétricas dentro das nuvens e dos relâmpagos. A peça central dos sensores são bolas metálicas de 20 centímetros de diâmetro: atingidas pelos impulsos elétricos que saem das nuvens, elas medem as correntes. Os registros são captados por circuitos eletrônicos dentro do equipamento e transformados em sinais. Codificados digitalmente, os sinais são transmitidos para a superfície e gravados num microcomputador para análises posteriores.

Nas experiências seguintes, em janeiro e fevereiro de 1994, além dos sensores elétricos, o equipamento incluiu uma câmera de vídeo, uma máquina fotográfica e um sensor de raios X — um cristal de iodeto de sódio sensível aos raios X. O cristal é acoplado a uma fotomultiplicadora, que amplifica um sinal de raios X e o transforma numa corrente elétrica cuja intensidade é codificada e gravada no microcomputador. A câmera de vídeo e a máquina fotográfica finalmente registram as imagens de tudo o que acontece ao redor.

E lá se vai o balão com toda essa carga pendurada. Ao chegar a 30 quilômetros de altura, começa a se mover para o oeste (no interior do Estado), passando sobre as nuvens. O vôo dura de dez a doze horas. No final, o equipamento cai de pára-quedas (para depois ser recuperado) e o balão se perde no ar.

Depois dos estudos, os cientistas esperam sugerir formas mais adequadas de proteção contra os raios brasileiros, positivos e destruidores. “Costumo dizer que nos protegemos bem contra relâmpagos que caem em outros lugares do mundo”, brinca Osmar Pinto Jr.

Conhecer melhor os relâmpagos que caem em determinadas regiões significa evitar prejuízos, como os causados por blackouts — interrupções no fornecimento de energia elétrica.

A aviação também pode se precaver conhecendo os trechos das rotas mais sujeitos a relâmpagos. Se não derrubam aeronaves, eles provocam panes momentâneas nos computadores de bordo — e tempestades sempre acabam chacoalhando os passageiros.

Nessa pesquisa, eles contam com a colaboração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) que tem um Sistema de Localização de Tempestades (SLT ou LPATS — Lightining Position and Tracking System). Minas Gerais é o único Estado brasileiro que possui uma rede de detecção e rastreamento de relâmpagos. “Eles são responsáveis por 70% do total de desligamentos da rede elétrica no Estado”, constata o engenheiro eletricista José Henrique Diniz, do Departamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Normalização Técnica da Cemig.

Para avaliar os efeitos das tempestades, as torres de transmissão de Minas têm elos magnéticos, dispositivos que medem a corrente dos raios que caem sobre elas. Esses e outros equipamentos ajudam a reduzir os estragos causados pelos 7,5 milhões de relâmpagos que caem anualmente naquele Estado.

A melhor forma de proteção contra os relâmpagos, a despeito de toda a tecnologia moderna, continua sendo o primitivo pára-raios, uma invenção do século XVIII. Não pode haver aparelho mais simples. Colocada sobre uma casa, uma haste metálica ligada a um fio condutor de eletricidade enterrado no chão será sempre a primeira parte da construção a receber o relâmpago. Primeiro, por ser de metal; segundo, por ter um fio condutor que leva a eletricidade para a terra e, terceiro, por ser o ponto mais alto da casa.

Bastava saber disso para se inventar o pára-raios. Mas antes era preciso descobrir que os raios são um fenômeno elétrico. E essa foi a façanha realizada em 1752 pelo cientista americano Benjamin Franklin.

Pouco antes de uma tempestade, ele empinou uma pipa em direção às nuvens, já desconfiado de que elas estivessem repletas de cargas elétricas. Com sorte e muita habilidade, conseguiu provar isso ao perceber que uma parte dessas cargas descia pelo fio da pipa. Foi ali que nasceu o pára-raios. Franklin teve mesmo uma boa mãozinha da sorte, porque, se um raio de verdade — e não as pequenas cargas que estavam se acumulando nas nuvens, antes de se transformarem em raio — houvesse caído no fio, ele não teria vivido para contar a história. Tempos depois, o físico russo Georg Richmann, ao tentar repetir o feito, morreu eletrocutado.

Com o pára-raios, boa parte dos transtornos ocasionados por relâmpagos puderam ser evitados. Hoje, casas e edifícios são protegidos por eles. Prédios mais baixos e de áreas pequenas precisam de um único pára-raios. Já edifícios de dez andares para cima costumam ter mais de um. Deles saem cabos condutores de eletricidade que correm por fora da estrutura e descem para o solo.

Em busca de maior proteção, no início deste século, foram introduzidos pára-raios que tinham na ponta uma cápsula radioativa, feita de amerício, um elemento químico. Uma pequena abertura na cápsula permite que a radiação escape, atraindo os raios. Mas, por causa da radioatividade, acabaram proibidos no mundo inteiro. Em São Paulo, 30% dos edifícios ainda o utilizam. O prazo estabelecido por uma lei municipal para a retirada final desses equipamentos é abril do ano que vem.

Outra forma de proteção foi inventada no século XIX, pelo físico inglês Michael Faraday (1791-1867). Ele descobriu que um dispositivo com paredes de metal, como uma gaiola, atuava como blindagem contra as descargas elétricas que vinham de fora, protegendo seu interior. Por esse princípio, um carro com chapas de aço ou um avião funcionam como o equipamento que levou seu nome: gaiola de Faraday.

É possível, hoje, aproveitar as ferragens do concreto armado dos edifícios, se elas estiverem bem amarradas entre si. “Se conectarmos a essas ferragens pequenas hastes na cobertura do edifício, elas também vão funcionar como uma gaiola de Faraday”, explica o engenheiro eletricista Duílio Moreira Leite, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo. Isso é recente no Brasil e existem poucos prédios construídos assim. E não oferecem perigo pois, se um raio atingir as hastes, a corrente elétrica se confina às ferragens e vai diretamente para o solo.

Mas uma tarefa complicada para arquitetos e engenheiros é descobrir proteções eficazes e também estéticas. Por isso, os engenheiros bolaram pequenas cercas de metal que dão a volta no teto das construções, com hastes pequenas em cada canto. Elas não prejudicam a harmonia dos edifícios.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site:  http://super.abril.com.br/

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

35% das farmácias não têm farmacêutico em tempo integral

No Brasil, 35% das farmácias e drogarias não têm farmacêutico em período integral. O que significa que, em determinados períodos do dia ou da semana, o atendimento ao público é feito sem presença do profissional responsável. A informação é do Censo Demográfico Farmacêutico, realizado pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação do Mercado Farmacêutico (ICTQ). Os dados foram coletados junto aos conselhos regionais de farmácia do país entre agosto e dezembro de 2013.

blog-farma

Segundo o levantamento, ao todo, são 76.483 farmácias e drogarias no país, das quais 26.613 apresentam o problema. Já 4.852 estabelecimentos, ou 6% do total, não contam com farmacêutico em período algum. Por lei, o técnico farmacêutico responsável deve estar presente nas farmácias e drogarias durante todo horário de funcionamento.

Ainda de acordo com o censo, os estados de Alagoas e de Sergipe são os mais deficientes quanto à presença dos farmacêuticos: 97% das farmácias e drogarias dos dois estados não têm farmacêutico em período integral. No Pará e no Piauí, essa deficiência é de 95%.

Levando em conta todos os estabelecimentos registrados nos conselhos regionais de farmácia – entre hospitais, indústrias farmacêuticas, laboratórios de análises clínicas, distribuidoras de medicamentos, além das drogarias e farmácias –, que totalizam 97.031 unidades, 52% funcionam com a presença apenas parcial do farmacêutico responsável.

“A fiscalização é deficiente e faltam muitos farmacêuticos. Tem estado que não tem nem metade dos profissionais que deveria ter”, diz Marcus Vinicius Andrade, diretor de pesquisa do ICTQ.

Dados são contestados
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) questiona os dados do censo farmacêutico. De acordo com o presidente do CFF, Walter da Silva Jorge João, os dados da pesquisa não são compatíveis com os dados disponíveis no conselho, que registra a existência de 91 mil farmácias e drogarias em todo o país, em vez de 76.483.

Segundo João, a análise desses dados também deve levar em consideração o fato de que, em algumas farmácias, principalmente no interior dos estados, são feitos acordos com o Ministério Público estabelecendo prazos para cumprir a exigência da presença do farmacêutico em período integral.

Nesses casos, de acordo com João, o acordo estabelece, por exemplo, que se contrate um farmacêutico por quatro horas diárias no primeiro ano, por oito horas no segundo ano e em período integral no terceiro ano. “Mas são casos pontuais”, diz João.

Ele acrescenta que a parcela de farmácias e drogarias que o censo aponta que não possuem nenhum farmacêutico corresponde às farmácias irregulares e clandestinas. “O conselho atua sobre elas autuando e encaminhando para as vigilâncias municipais.”

O CFF considera que não faltam profissionais farmacêuticos no país e que o número de farmácias e drogarias é muito superior às necessidades da população. De acordo com ele, o Brasil tem cinco vezes mais farmácias do que precisaria.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://g1.globo.com/

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

Calor pode aumentar risco de formação de pedra nos rins

O calor intenso do verão, o aumento da transpiração e a baixa ingestão de água são os principais responsáveis pelo aumento do risco de formação dos cálculos renais, ou pedra nos rins. Mudar a alimentação e beber líquidos regularmente são algumas medidas que podem evitar o problema, explica Fábio Vicentini, urologista do Centro de Referência para a Saúde do Homem, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

pedra-nos-rins

Segundo Vicentini, os casos de cálculo renal aumentam 30% nos períodos mais quentes do ano. Apesar de ter maior incidência nos homens, o especialista alerta que todos devem adotar as medidas para cuidar da saúde dos rins. “A dieta ideal inclui primordialmente a ingestão de cerca de dois litros de água por dia e de sucos de frutas cítricas, associada à diminuição do uso de sal nos alimentos. As refeições diárias devem conter mais verduras, legumes, frutas e saladas”, explica.

É preciso ainda estar atento quanto aos frutos do mar, porque apresentam índice elevado de ácido úrico, um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos cálculos renais. Além disso, é recomendável reduzir as frituras e o consumo de carne vermelha no período de calor.

Segundo Vicentini, mais de 15% da população mundial apresenta cálculos renais e a maioria (85%) consegue expelir as pedras naturalmente, pela urina. “A maneira mais fácil de monitorar a hidratação ideal do corpo é observarmos a coloração da urina. Quanto mais transparente estiver, melhor. Se estiver com aparência amarelada e escura, é sinal de que o corpo precisa de mais líquidos para manter-se hidratado, longe dos cálculos renais”, disse.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://noticias.uol.com.br/saude

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

OMS: 14 milhões de pessoas têm cancer no mundo

Os dados revelam um aumento acentuado em relação a 2008, quando 12,7 milhões foram registrados.

cancer-de-mama-mamografia-consulta-1369418076319_956x500

Nesse período, o número de mortes também cresceu, de 7,6 milhões para 8,2 milhões.

Segundo a OMS, a maior incidência do câncer vem sendo impulsionada por uma rápida mudança no estilo de vida dos países em desenvolvimento, que cada vez mais se assemelha ao dos países industrializados.

Também contribuíram para uma elevação do número de casos o aumento nas taxas de tabagismo e de obesidade, bem como o crescimento da expectativa de vida.

O câncer de pulmão, que é causado principalmente pelo fumo, foi o tipo de câncer mais comum no mundo, com 1,8 milhões de casos – cerca de 13% do total.

Câncer de mama

A OMS também chamou atenção para um “forte aumento” nos casos de câncer de mama. Tanto a incidência e mortalidade da doença vêm aumentado desde 2008.

Segundo a entidade, o câncer de mama já é o tipo mais comum de câncer em mulheres em 140 países.

Para David Forman, da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer da OMS, “o câncer de mama é também a principal causa de morte por câncer nos países menos desenvolvidos do mundo .

“Isto deve-se, em parte, a uma mudança no estilo de vida dessa população. Além disso, os avanços clínicos para combater essa doença não atingem as mulheres que vivem nessas regiões.”

A OMS destacou ainda a “necessidade urgente” para os avanços na detecção, diagnóstico e tratamento de câncer de mama a serem implementados em países em desenvolvimento.

A entidade prevê que o número de casos de câncer vai subir para mais de 19 milhões por ano até 2025.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.bbc.co.uk

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br

‘Gordinho saudável’ é um mito, diz pesquisa

O estudo, conduzido por cientistas canadenses com mais de 60 mil pessoas, mostrou que o excesso de gordura ainda traz riscos à saúde, mesmo quando os níveis de colesterol, pressão arterial e açúcar são normais.

Homem-gordo-obesidade-atividade-fisica-correndo-parque-20120905-size-598

Divulgada na publicação científica Annals of Internal Medicine, a pesquisa analisou resultados de mais de 1 mil outros estudos publicados sobre o tema.

Os pesquisadores do Hospital Mount Sinai, em Toronto, terminaram por contradizer a máxima de que o excesso de peso não implicaria necessariamente em riscos para a saúde desde que os indivíduos se mantivessem saudáveis de outras maneiras.

Mito

O levantamento concluiu que pacientes com sobrepeso cujo coração foi monitorado por mais de 10 anos não apresentaram qualquer melhora na saúde.

Os cientistas argumentam que os ‘gordinhos’, apesar de metabolicamente saudáveis, têm, provavelmente, fatores de risco subjacentes que pioram com o tempo.

Responsável pelo estudo, Ravi Retnakaran disse à BBC: “Nossos resultados realmente colocam em dúvida a existência desse conceito obesidade saudável”.

“Os dados sugerem que tanto os pacientes que são obesos e metabolicamente doentes quanto os que são obesos, mas metabolicamente saudáveis têm risco elevado de morte por doenças cardiovasculares. Nesse sentido, a ‘obesidade saudável’ pode ser considerada um mito.”

A Fundação Britânica do Coração diz que a obesidade é um conhecido fator de risco para doenças cardiovasculares e as pesquisas mostram que não há nível saudável de obesidade.

Para a enfermeira chefe de doenças cardíacas Doireann Maddock, “mesmo se os níveis de pressão arterial, colesterol e açúcar no sangue estiverem normais, a obesidade ainda pode colocar o coração em risco”.

Ela destaca a necessidade de uma mudança no estilo de vida em detrimento de uma preocupação exagerada com os fatores de risco individuais.

“Além de acompanhar seu peso, se você parar de fumar, começar uma atividade física regular e mantiver a pressão arterial e o nível de colesterol a um nível saudável, você pode fazer uma diferença na redução de seu risco de doença cardíaca.”

“Se você está preocupado com seu peso e quer saber mais sobre as mudanças que você deve fazer , marque uma visita com o seu médico.”

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.bbc.co.uk

Visite nosso site: http://www.vivamelhoronline.com.br


Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 772 outros assinantes

Calendário

março 2026
S T Q Q S S D
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Arquivos

Estatísticas do Blog

  • 1.077.812 hits

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora