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Ebola: Causas e Sintomas

Ebola é uma doença causada por um vírus de mesmo nome, e seu principal sintoma é a febre hemorrágica, que causa sangramentos em órgãos internos. O vírus é nativo da África, onde surtos esporádicos ocorrem ao longo de décadas.

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É uma doença grave e muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade de até 90%, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). O ebola é transmitido pelo contato direto com o sangue, fluidos corporais e tecidos de animais ou pessoas infectadas. Pacientes gravemente doentes requerem tratamento de suporte intensivo. Durante um surto, aqueles com maior risco de infecção são os profissionais de saúde, familiares e outras pessoas em contato próximo com pessoas doentes e pacientes falecidos.

O vírus Ebola foi descoberto em 1976 e acontecem surtos esporádicos desde então. Os primeiros registros do vírus Ebola foram encontrados em macacos, chimpanzés e outros primatas não humanos que vivem na África. Uma cepa mais branda de Ebola foi descoberta em macacos e porcos nas Filipinas – no entanto, o vírus das Filipinas não causa doença em humanos. A doença recebe esse nome por causa do rio Ebola, na República Democrática do Congo, onde o vírus foi encontrado pela primeira vez.

Hoje, o que se acredita é que o morcego seja o responsável por transmitir o vírus para outros animais. Nele o vírus não provoca doença. Mas uma fruta meio comida por um morcego e encontrada por outro animal já pode dar início à epidemia. Macacos, antílopes e porcos-espinho também são afetados pela doença. É possível entrar em contato com o vírus visitando lugares com infestação de morcegos (como minas e cavernas) ou manipulando o tecido de algum animal morto pelo Ebola.

Causas

É possível contrair Ebola por meio do contato direto com os fluidos corporais de um animal infectado ou humano. Estes incluem sangue, saliva, sêmen, vômito, urina ou fezes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, também é possível adquirir o vírus por lidar com um animal selvagem doente ou morto que tenha sido infectado. Há alguma evidência de que o vírus Ebola pode ser transmitido através do ar a partir de primatas não humanos para primatas não humanos, como de macaco para macaco. Não há estudos definitivos provaram isso, entretanto.

Uma pessoa infectada normalmente não se torna contagiosa até que desenvolva sintomas. Os membros da família são frequentemente infectados ao cuidar de parentes doentes ou mortos.

Profissionais podem entrar em contato com o vírus se não usarem equipamentos de proteção, como máscaras cirúrgicas e luvas. Ela não é altamente transmissível, basta diagnosticar o paciente e isolar.

Prevenção

As seguintes precauções podem ajudam a prevenir a infecção e disseminação do vírus Ebola:Evite áreas de surtosAntes de viajar para a África, saiba mais sobre as epidemias atuais e converse com um médico sobre os possíveis riscos.Lave as mãos com frequência

Tal como acontece com outras doenças infecciosas, uma das medidas preventivas mais importantes é lavar as mãos frequentemente. Use água e sabão ou usar álcool gel 60% quando sabão e água não estão disponíveis. Essas medidas devem ser tomadas principalmente para pessoas em áreas de risco.Evite o contato com pessoas infectadas

Cuidadores e profissionais de saúde devem evitar o contato com fluidos e tecidos do corpo da pessoa infectada, incluindo sangue, sêmen, secreções vaginais e saliva. Pessoas com Ebola são mais contagiosas nos estágios mais avançados da doença. Para interagir com o paciente, o ideal é usar luvas, máscaras, aventais e protetores oculares.Pessoas infectadas devem ser isoladas das outras. Agulhas utilizadas devem ser descartadas e os instrumentos esterilizados.Não manusear corpos de pessoas infectadas

Os corpos das pessoas que morreram de Ebola ainda são contagiosos. Equipes organizadas e treinadas devem enterrar os corpos, usando equipamento de segurança apropriado.

Sintomas de Ebola

Pacientes expostos ao vírus Ebola devem começar a apresentar sintomas entre dois a 21 dias após o contato com a doença, que tem início rápido. Os sintomas iniciais se assemelham aos de uma infecção comum da gripe. Veja:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Garganta inflamada
  • Dor articular e muscular
  • Fraqueza.

Conforme o Ebola progride, os sintomas tornam-se mais grave. Sintomas de Ebola em estágio final podem incluir:

  • Vômitos
  • Diarreia
  • Vermelhidão nos olhos
  • Inchaço dos genitais
  • Hemorragia interna e externa (alguns pacientes podem ter sangue saindo de seus olhos, nariz, boca, orelhas ou reto)
  • Erupção ou hemorragia ao longo da pele e mucosas.

Buscando ajuda médica

A possibilidade de contrair o vírus Ebola ou é muito baixa, a menos que você tenha contato direto com fluidos corporais de uma pessoa ou animal infectado.

Caso haja essa suspeita, marque uma consulta médica ou procure um serviço de emergência e exponha a questão. Pessoas que viajaram para áreas de risco também devem buscar ajuda médica tão logo os sintomas aparecerem. Especialistas que podem diagnosticar Ebola são:

  • Clínico Geral
  • Infectologista
  • Profissional de enfermagem.

O que você pode fazer

Antes da consulta, para ajudar o médico a encontrar a causa de seus sintomas, escreva uma lista que responde às seguintes questões:

  • Quais os sintomas que você tem? Quando começaram?
  • Você recentemente viajou para a África? Se sim, qual parte?
  • Se você esteve recentemente na África, entrou em contato com macacos?
  • Você recentemente visitou cavernas ou minas subterrâneas na África?
  • Você está empregado em um laboratório que utiliza macacos da África ou das Filipinas em pesquisa?

Se possível, leve um familiar ou amigo com você. Às vezes pode ser difícil de lembrar todas as informações fornecidas a você no hospital ou durante uma consulta. Alguém que te acompanha pode se lembrar de algo que você perdeu ou esqueceu.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.minhavida.com.br/

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Ebola pode chegar ao Brasil, mas não há risco de epidemia, diz Médico

Recém-chegado de Serra Leoa, na África, o médico carioca Paulo Reis, 42, afirmou nesta quinta (21) em entrevista coletiva à imprensa que o risco de importação da doença existe.

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Ele disse acreditar, porém, que não seria um problema grave de saúde pública como nos países africanos devido aos diferentes hábitos culturais.

Segundo a OMS, a epidemia do ebola que atinge quatro países africanos já matou 1.350 pessoas, 374 só em Serra Leoa.

“O risco de ter um caso importado sempre existe. Entretanto, mesmo que acontecesse não seria, na minha opinião, um problema mais sério de saúde pública. Os hábitos culturais do brasileiro, a forma como a gente encara a doença é muito diferente daquela região da África. Então, certamente se houvesse algum caso hipotético, importado, seria controlado rapidamente e não teria um impacto maior”, disse o médico, na sede da ONG Médicos Sem Fronteiras, no Rio de Janeiro.

Reis citou como exemplo de contágio as práticas de enterro dos africanos. “Eles têm muito contato com o corpo do morto e isso ajuda a propagar a doença, coisa que não acontece aqui no Brasil.”

“A região em que eu estava era precária. Não tinha rede central de eletricidade, água potável. É claro que em algumas regiões do Brasil a situação é a mesma, mas em termos de ebola o mais importante são os aspectos culturais, o modo como você lida com as pessoas”, acrescentou.

Para sair da África, Reis conta que precisou responder a um questionário e teve a temperatura aferida por especialistas através de um termômetro infravermelho. Ele diz que os sintomas do ebola são muito semelhantes aos da malária, exceto pelo “cansaço excessivo”.

“Dificilmente alguém vai sair do país com a doença. Durante 21 dias eu continuo a ser monitorado e minha temperatura é aferida. Se eu apresentar febre, tenho que entrar em contato com a sede do Médicos Sem Fronteiras. Na minha opinião, esse controle é suficiente”, afirmou.

Como ainda não existe cura para a doença, o médico diz que usa medicamentos de tratamento da malária, drogas que amenizam a dor, vitaminas e muita hidratação para tentar reverter o quadro do doente.

Com o tratamento adequado, a melhora do paciente depende do organismo dele. O médico não falou sobre nenhum procedimento de segurança ao chegar ao Brasil.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site:  http://www.folha.uol.com.br/

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OMS teme disseminação internacional de ebola

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse considerar necessário que sejam tomadas “medidas drásticas” para conter o surto de ebola na África Ocidental.

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Cerca de 400 pessoas morreram desde o início do surto, que começou na República da Guiné e se espalhou para as vizinhas Serra Leoa e Libéria. É o maior surto em números de casos, mortes e em relação à distribuição geográfica.

A OMS teme a possibilidade de “propagação internacional”.

A organização enviou 150 especialistas para a região para ajudar a prevenir a propagação do vírus, mas admite que “houve aumento significativo” no número de casos e mortes.

O surto começou há quatro meses e continua a se espalhar. Até agora houve mais de 600 casos e cerca de 60% das pessoas infectadas com o vírus morreram.

A maioria das mortes ocorreu no sul de Guekedou, na região da República da Guiné.

O diretor regional da OMS para a África, Luis Sambo, disse: “Este não é mais um surto específico de cada país, mas a crise de uma sub-regional e é preciso uma ação firme.”

“A OMS está seriamente preocupada com a propagação transfronteiriça em curso para os países vizinhos, bem como o potencial de disseminação internacional”, disse.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que o surto de ebola está fora de controle. A entidade teme que a epidemia se alastre mais ainda caso não haja uma forte resposta internacional.

O ebola
O ebola é uma febre hemorrágica grave causada pelo vírus ebola e não tem vacina ou cura.

A doença é transmitida pelo contato com os fluidos de pessoas ou animais infectados, como urina, suor e sangue. Os sintomas incluem febre alta, sangramento e danos no sistema nervoso central.

A taxa de mortalidade do ebola pode atingir 90% dos casos. O período de incubação é de dois a 21 dias.

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‘O Brasil precisa se antecipar à epidemia do câncer’

Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explica como o hospital modelo pode inspirar outras instituições do país.

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Não é raro que a sobrevivência ao câncer seja associada ao acesso a hospitais de ponta e a abundantes recursos financeiros. Aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), em geral, podem enfrentar longas filas, receber atendimento superficial ou ainda não receberem os melhores tratamentos existentes. O oncologista Paulo Hoff, conhecido por seu trabalho em hospitais renomados, como Albert Einstein e Sírio-Libanês, quer mudar essa imagem em São Paulo.

Nomeado novo diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ele será o responsável por um dos melhores centros de referência de câncer no país. Inaugurado em 2008, o Icesp possui 247 leitos de internação, 44 leitos de UTI, 61 consultórios médicos e quase 4.000 colaboradores. Toda essa estrutura é gerida independentemente pela Fundação Faculdade de Medicina, da USP, mas está vinculada à Secretaria de Saúde do estado de São Paulo. Hoff acredita que este é um modelo a ser seguido, em um momento que o país precisa se prevenir da epidemia do câncer, doença que segue em ascensão e deve se tornar a principal causa de morte até 2020, ultrapassando as doenças cardiovasculares.

Leia a seguir a entrevista que ele concedeu ao site de VEJA, no Dia Mundial do Câncer – lembrado nesta sexta-feira:

O senhor vai assumir o cargo de diretor-geral do Icesp, que ambiciona ser o maior centro oncológico da América Latina. O que falta para isso acontecer? O objetivo é dar o melhor tratamento possível aos nossos pacientes e sermos reconhecidos como uma das instituições de ponta da América Latina para o tratamento de câncer. Na parte acadêmica, uma das grandes dificuldades que temos hoje no Brasil é que, por ser uma especialidade recente, a oncologia precisa de mais profissionais especializados, médicos oncologistas, médicos radioterapeutas, físicos que trabalham com radioterapia, tomografia e imagem e mais cirurgiões capacitados para operar o câncer. Um serviço com o tamanho do Icesp tem a massa crítica para poder ajudar na formação desses quadros. Estamos aumentando o número de residentes em oncologia, cirurgia oncológica, radioterapia e estamos trabalhando com a Universidade de São Paulo para o treinamento de físicos, além de enfermeiros e técnicos de enfermagem.

E o atendimento aos pacientes? Na parte assistencial, embora tenhamos atendido 12.000 novos casos em 2010, isso não é suficiente. E sabemos que o hospital comporta mais. Fechamos o ano passado com 60% da capacidade operacional do hospital. Pretendemos fechar 2011 entre 75% e 80% da capacidade. Gostaria que fosse mais do que isso. Mas, obviamente, é preciso organizar o crescimento de acordo com a disponibilidade financeira e de pessoal. Não adianta abrir o hospital inteiro e não ter pessoas treinadas e qualificadas para atender os pacientes. Hoje, o nosso complexo tem nove unidades de radioterapia, o que acredito ser o maior parque radioterápico da América Latina. Queremos atender mais de 15.000 novos casos esse ano. Estimo que a capacidade do hospital esteja próxima de 18.000 casos.

Com menos de dois anos desde a inauguração, o Icesp foi apontado como o segundo melhor hospital do estado de São Paulo. A que o senhor atribui isto? Foi uma eleição feita entre os usuários. O Icesp tem uma filosofia de trabalho muito clara. É um hospital que tem uma filosofia de humanização desde a porta de entrada. Os médicos têm uma dedicação altíssima ao paciente. No instituto, o paciente consegue identificar quem é o médico responsável pelo seu atendimento. Ao ser admitido, ele participa de uma reunião em que lhe é apresentado o que está disponível para facilitar o tratamento, desde nutricionistas, psicólogos e a equipe de enfermagem. O fato de possuirmos uma equipe altamente treinada dá ao paciente a segurança de que ele vai receber um tratamento de ponta.

Existe alguma preparação voltada para o funcionário? Temos várias atividades aqui para fazer com que o funcionário se sinta bem aqui dentro. Trabalhamos a questão psicológica, já que trabalhar com câncer é difícil. No início, tivemos uma rotação alta de técnicos e enfermeiros. É difícil sair da faculdade e começar a ver doentes aqui no hospital. Às vezes é pesado.

Sabe-se que esse modelo deveria ser seguido, mas isso não é comum, principalmente em um serviço público. Por que no Icesp deu certo? Aqui deu certo porque começou do nada. É uma filosofia que fez parte da cultura da instituição desde o seu nascimento. Já nascemos com a missão de fazer um tratamento humanizado. Temos tido mais sucesso que as outras instituições por isso. Esse espírito de humanização pode ser implantado, talvez de forma mais lenta, em todas as unidades públicas. É preciso dar ao médico uma carga de horário que seja justa e que permita a ele que dê atenção diferente ao paciente. Não pode ser uma fábrica. Como a medicina é subfinanciada, você acaba tentando corrigir esse problema forçando uma produtividade maior. Até certo ponto, pode ser válido. Mas chega a um momento em que você começa a pecar por falta da relação humana.

O ministro da Saúde Alexandre Padilha costuma dizer que o problema da saúde é a gestão. O senhor concorda com isso? Certamente, a gestão tem um ponto importante em todos os níveis. A gestão pode ajudar a melhorar certos gargalos. Mas não há como negar que a saúde do Brasil é subfinanciada. Hoje, nós gastamos per capita um terço do que o México gasta per capita, um país que tem um nível sócio-cultural muito similar ao nosso. Deveríamos estar gastando, se não a mesma coisa, pelo menos o mais próximo deles. Na América Latina inteira, o Brasil é um dos últimos colocados em gastos per capita com saúde. Nós temos um serviço de saúde que, dadas as limitações orçamentárias, é melhor que a maior parte dos serviços públicos da América Latina. Então, é um paradoxo, gastamos pouco e temos um serviço que em muitos pontos é considerado um modelo. É difícil querer que um serviço funcione de uma maneira ideal se ele é subfinanciado. Nesse momento, é muito importante que a sociedade como um todo entenda que vai ser preciso financiar a saúde.

Que benefícios esses recursos poderiam trazer? O que incomoda os pacientes atualmente é a demora de atendimento, falta de certos procedimentos de alto custo e ausência de médicos em algumas áreas. São coisas que você pode melhorar de uma maneira relativamente rápida se houver um aporte de recursos maior. Sei que achar dinheiro na administração pública não é fácil. O ministro tem parcialmente razão. Mas é necessário ter o aporte de recursos. Não adianta ter um sem o outro.

O senhor já trabalhou no M.D. Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, o maior centro de oncologia dos Estados Unidos, tem um cargo importante no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e agora é o diretor-geral do Icesp. Após ter passado por todos esses níveis, qual é a grande dificuldade? Sou muito feliz aqui. Dirigir essa instituição para mim é uma grande missão, que me foi confiada pelos pares e pelo governo, de ajudar essa instituição a se solidificar como um grande centro. Espero que a gente possa ter tanto orgulho do Icesp, como os americanos têm do M.D. Anderson. Ou como nós temos do Sírio-Libanês. Nossa meta é essa, que ele seja considerado referência no tratamento do câncer.

Além disso, o senhor também já disse que deseja que o Icesp passe a produzir mais conteúdo científico. Por que esse interesse? Primeiro, porque eu sou um professor universitário. Um hospital associado a uma universidade tem uma missão também educacional e científica. Este hospital não pode ser um hospital que simplesmente vise o atendimento do paciente. Ele não estaria atingindo todo o seu potencial. Atender o paciente é a nossa primeira missão. Mas formar pessoas que vão atender o paciente aqui e em outras instituições é importantíssimo. E gerar conhecimento também. No Icesp, a ciência pode trazer avanços importantes.

Qual a importância das pesquisas em um hospital? A pesquisa científica disponibiliza ao paciente tratamentos que ele não teria de outra forma. Nós tratamos câncer, uma doença que em muitos casos não tem cura e não tem tratamento. Então, o melhor tratamento para alguns tipos de câncer é entrar no estudo clínico. O paciente precisa participar da pesquisa para ter acesso a essas drogas. Quando você faz um estudo, você pode descobrir tratamentos mais baratos, que podem ajudar outras pessoas. Queremos curar todos os tipos de câncer um dia, mas só a pesquisa clínica vai nos permitir a chegar nesse patamar.

O Brasil está atrasado nesse sentido? O Brasil tem tido um aumento na produção científica nos últimos anos. Infelizmente, esse aumento até agora não resultou em aumento de patentes. Se nós olharmos a produção de patentes no Brasil, esse número ainda é muito pequeno. Temos que estimular a cultura de inovação científica. Porque gerar conhecimento também é importante. Importamos conhecimento e isso tem um custo para o país. Se gerássemos mais conhecimentos, poderíamos melhorar a eficácia dos tratamentos e, a longo prazo, ajudar o país economicamente. No setor da saúde, há um déficit na nossa balança comercial porque nós importamos a maior parte das medicações de alto custo.

O câncer é a segunda maior causa de morte no Brasil, atrás somente das doenças cardiovasculares. O senhor acha que falta conscientizar mais a população? Ao irem a público, pessoas famosas que tiveram esse problema recentemente, como (ex-vice-presidente José) Alencar e a apresentadora Hebe Camargo, ajudaram a conscientizar a população de que a doença independe do nível social. Isso fez com que as pessoas pensassem mais sobre a doença. Enfatizo ainda que, apesar de ser a segunda causa de morte, a incidência é crescente. Em alguns estados americanos, pela primeira vez, o câncer se tornou a principal causa de morte, ultrapassando a doença cardiovascular em 2010. Estima-se que até 2020 – não falta muito – o câncer passe a ser a principal causa de morte. No caso das doenças do coração, as pessoas estão se conscientizando e o tratamento está melhorando. A pessoa não morre mais do coração, e vive por mais tempo, o que aumenta o risco do aparecimento de câncer.

O senhor citou os casos de Hebe Camargo e de José Alencar como exemplos de conscientização. É possível que se pense que o tratamento deles foi bem-sucedidodevido à condição financeira e acesso a serviços de ponta. O que o senhor pensa sobre isso? Um ponto importante que vale ressaltar é que nem sempre eles se curam. O dinheiro sozinho não garante a cura. É fato que a disponibilidade de medicações modernas é limitada no sistema público brasileiro. Isso porque as drogas de alto custo têm um impacto gigantesco no orçamento. Mas temos uma experiência interessante no estado de São Paulo. Dialogamos com a Secretaria da Saúde e escolhemos um pacote de drogas de alto custo, associamos esses medicamentos a uma indicação específica para a doença. Conseguimos a anuência do governo do estado para quando essas medicações forem utilizadas para áreas em que estão comprovadamente indicadas. Hoje, temos no estado de São Paulo uma disponibilidade que, se não é perfeita, é muito forte. Se você comparar com outros países onde a medicina é controlada, como Austrália e Inglaterra, o nosso pacote de medicamentos nas indicações especificas não fica devendo muito ao que é oferecido nesses outros países.

Então, hoje há acesso ao que existe de mais moderno aqui no Brasil? No estado de São Paulo, a pessoa não precisa ter dinheiro para receber tratamento adequado e de ponta. O que tem comprovação cientifica está sendo paulatinamente incorporado. Além disso, o nosso hospital possui exames de imagem, dois PET-CT [equipamentos de tomografia computadorizada], nove máquinas de radioterapia, equipamentos sofisticados que também são encontrados em hospitais de ponta, como o Hospital Israelita Albert Einstein e o Sírio-Libanês.

O que uma pessoa precisa fazer para ter acesso ao Icesp? Se nós tivéssemos as portas abertas, teríamos uma fila interminável. São 130.000 casos de câncer em São Paulo por ano. Só na grande São Paulo são 30.000 casos. É preciso esclarecer que o instituto é um centro de referência e que existem instituições que são credenciadas para nos encaminhar um paciente. Uma pessoa que deseja ser admitida aqui precisa ter passado numa unidade mais próxima de sua residência, que vai fazer o encaminhamento pela Secretaria de Saúde. Várias instituições mandam seus pacientes para cá. Mas eles não podem vir direto, apenas com o diagnóstico já feito.

Vendo a realidade atual do Icesp,  é possível ser otimista sobre o futuro do tratamento de câncer no Brasil? O Icesp mostra o que o Brasil pode ser. Mostra dinamismo, vontade política, comprometimento, já que o orçamento colocado aqui pelo governo do estado é grande. Também demonstra a visão de montar um instituto de câncer, uma doença em ascensão, que será uma epidemia no futuro. Há uma preparação para o futuro. Em vez de esperar o problema chegar e responder a ele, o governo do estado se antecipou e tomou a iniciativa. O Icesp também mostra um modelo de gestão que pode ser utilizado, que são as OSS (Organizações Sociais de Saúde). O Icesp é um prédio da secretaria de saúde, gerida pela Fundação Faculdade de Medicina, que pertence à Universidade de São Paulo, que faz parte do estado. Aqui dentro os médicos seguem horário, são remunerados de uma maneira adequada e são exigidos pelo trabalho que prestam. Nós trabalhamos com metas a cumprir, que são enviadas trimestralmente para a Secretaria de Saúde. Se não cumprirmos a meta, cai o nosso repasse. Acho que esse pode ser um modelo. Não adianta Brasília achar que vai controlar tudo lá de cima. Deixar a gestão na mão de uma fundação dá uma agilidade, o que é fundamental.

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Tratamento precoce é a saída para reduzir incidência do HIV

Garantir tratamento contra a aids a todas as pessoas diagnosticadas soropositivas, independentemente do estágio da doença, é fundamental para que a meta estabelecida pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) seja cumprida.

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Até 2015, o programa prevê a distribuição de medicamentos para 15 milhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente, estima-se que aproximadamente 11 milhões de pessoas estejam em tratamento contra a doença em diversos países.

Neste domingo (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids, o médico sanitarista e epidemiologista Pedro Chequer ressaltou que os países devem adotar a metodologia conhecida como Teste e Trate que, além de melhorar a resposta do organismo, ajuda a prevenir a disseminação do vírus.

“Hoje sabemos que, quanto mais cedo for iniciado o tratamento antes de haver danos ao sistema imunológico até irreversíveis, a resposta aos medicamentos é muito melhor. Além disso, a nova abordagem científica que se tem dado à questão é que o tratamento precoce é um método adicional de prevenção”, disse o especialista, que coordenou a política de aids do Ministério da Saúde e dirigiu o Unaids no Brasil.

Estudos internacionais mostram que o uso precoce de antirretrovirais reduz em 96% a taxa de transmissão do HIV. No Brasil, a ampliação do tratamento está sendo estudada pelo Ministério da Saúde que, há cerca de dois meses, submeteu à consulta pública um protocolo de atendimento prevendo que o tratamento seja fornecido ao paciente com aids que tiver CD4 (células de defesa do organismo) acima de 500 para cada milímetro cúbico de sangue e não apresente os sintomas da doença.

Pela regra atual, a rede pública de saúde fornece tratamento ao paciente com aids que tiver CD4 abaixo de 500 para cada milímetro cúbico de sangue. Desde o início de 2013, também podem receber o tratamento casais sorodiscordantes (aqueles em que um dos parceiros tem o vírus e o outro não) com CD4 acima de 500 células para cada milímetro cúbico de sangue, pacientes que convivem com outras doenças, como tuberculose e hepatite, e pacientes assintomáticos com CD4 menor de 500. A validação das proposições recebidas e elaboração da versão final consolidada do protocolo será coordenada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, que deve finalizar o documento ainda este ano.

Pedro Chequer também ressaltou o papel de destaque que o Brasil desempenha por meio de acordos de cooperação com países da África, como Cabo Verde, o Timor Leste, a Guiné-Bissau e Moçambique, para a transferência de tecnologia e de medicamentos.

Relatório divulgado este ano pelo Unaids revela que, entre 2001 e 2012, somente na África Subsaariana, o número de novas infecções registradas, por ano, teve queda de quase 40%. Em 2001, 2,6 milhões de pessoas foram infectadas. Em 2012, foram 1,6 milhão. Em todo o mundo, o documento aponta que houve 2,3 milhões de novas infecções por HIV no ano passado. O número foi o menor registrado desde a segunda metade da década de 1990, quando cerca de 3,5 milhões de novos casos eram diagnosticados por ano.

Além disso, entre os anos de 2001 e 2012, o número de novas infecções por HIV caiu 33%. Já o número de mortes relacionadas à aids diminuiu 29% entre 2005 e 2012. Em 2005, 2,3 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença. Em 2012, foram 1,6 milhão.

A aids é uma deficiência no sistema imunológico associada à infecção pelo vírus HIV, que provoca o aumento na suscetibilidade a infecções oportunistas e ao câncer. A transmissão ocorre por meio do sangue, sêmen, de secreção vaginal e do leite materno. O uso do preservativo em relações sexuais é apontado como a principal forma de prevenção da doença.

O tratamento é feito com a administração de antirretrovirais, medicamentos que suprimem agressivamente a replicação do vírus HIV e proporcionam a melhoria da qualidade de vida, redução da ocorrência de infecções oportunistas, redução da mortalidade e o aumento da sobrevida dos pacientes.

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Chefe da ONU pede que aids fique registrada ‘apenas nas páginas de história’

Marcando o Dia Mundial da Aids deste ano, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, demonstrou “otimismo” com o avanço da luta contra a aids em todo o mundo. Segundo ele, grande parte do mundo está acelerando o progresso na resposta ao HIV.

“Há reduções significativas em novas infecções e mortes, e nós estamos fazendo um bom progresso na realização de nossa meta de garantir que 15 milhões de pessoas tenham acesso ao tratamento antirretroviral até 2015. Isto é crucial para deter e reverter a epidemia de aids para o bem”, afirmou em uma mensagem especial para a data, lembrada nesta sexta-feira (1).

Ban ressaltou, no entanto, que ainda há sinais preocupantes de que algumas regiões e países estão ficando para trás, como revelou o relatório mundial sobre do UNAIDS deste ano. Mais de 35 milhões de pessoas vivem com o HIV no mundo.

“Estamos fazendo avanços em atingir as populações vulneráveis através de esforços para eliminar o estigma e a discriminação, mas há ainda muito a fazer para acabar com este problema. Devemos nos comprometer a quebrar as barreiras ainda existentes, incluindo as leis punitivas e a exclusão social, para que possamos chegar a todas as pessoas que não têm acesso ao tratamento e serviços de HIV.”

O secretário-geral da ONU sugeriu a intensificação dos esforços para impedir novas infecções pelo HIV entre crianças e a garantia do acesso ao tratamento para todas as mães que vivem com o vírus como estratégias para o enfrentamento da epidemia.

“Eu particularmente peço uma ação urgente para acabar com a discriminação e a violência contra as mulheres, que causam danos terríveis e aumentam o risco de infecção pelo HIV e morte por aids”, disse ele, lembrando a importância do Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária, uma das mais importantes fontes de financiamento para a resposta global, e agradecendo aos doadores.

Ban afirmou que gostaria de ver a aids relegada aos livros de história. “Se queremos um futuro livre da aids precisaremos de investimento, compromisso e inovação contínuos para alcançar a visão de zero novas infecções por HIV, zero discriminação e zero mortes relacionadas com a aids. Neste Dia Mundial da Aids, tomemos a decisão de manter a aids registrada apenas nas páginas de história.”

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Antirretrovirais serão usados no País para prevenir Aids

Medicamentos antirretrovirais passarão a ser usados no País para prevenir a infecção pelo HIV. A estratégia será testada no Rio Grande do Sul a partir do próximo ano, com grupos considerados mais vulneráveis, como profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas e pessoas em situação de rua. O acordo será assinado neste domingo (1º), Dia Mundial da Aids, entre o Ministério da Saúde e o governo do Rio Grande do Sul. “Na primeira etapa, serão 100 pessoas voluntárias, mas o número será expandido até o fim do ano”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa. A iniciativa deverá durar um ano.

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A ideia é repetir a experiência em outros Estados. A começar pelo Amazonas, onde os níveis de infecção pelo HIV também são bastante preocupantes.

Experiências semelhantes já vêm sendo adotadas no País, mas em menor proporção. Os voluntários, todos de grupos considerados de maior risco para a doença, tomam medicamentos todos os dias, na expectativa de, com isso, evitar a infecção pelo HIV. A adesão ao tratamento e o impacto para a saúde do paciente e para saúde pública serão avaliados por pesquisadores.

O uso experimental de antirretrovirais como uma forma de prevenção de aids é parte de um pacote lançado neste domingo pelo governo para lembrar o Dia Internacional da Aids. Como havia antecipado o Estado, o Ministério da Saúde também vai estender o uso dos antiaids para adultos com HIV, independentemente do estágio da doença. Até então, medicamento era liberado apenas quando os níveis do vírus atingisse determinado patamar. A nova regra passa a valer a partir desta segunda-feira (02).

Antirretrovirais foram desenvolvidos para o tratamento de pacientes com aids. O remédio diminui de forma significativa a quantidade de vírus circulante no organismo. Seu uso, além de garantir melhor qualidade de vida para o paciente, pode diminuir o risco de infecção, por exemplo, de um parceiro sexual durante uma relação desprotegida. Por isso, ele passou a ser considerado também, um instrumento de prevenção da doença.

Ele é indicado, por exemplo, como uma espécie de pílula do dia seguinte. Em casos de acidente, violência sexual ou relações sem camisinha, doses do remédio são prescritas, para tentar evitar a infecção. O recurso pode ser usado somente até 72 horas após o risco de contágio. Ao longo dos anos, também foi antecipado o início do uso dos antirretrovirais até chegar agora `a prescrição independentemente do estágio da doença.

Os números da aids no País despertam preocupação. Boletim divulgado neste sábado (30) mostra que foram registrados em 2012 39.185 casos novos da doença. Em 2004, eram 34.479. O aumento das infecções nesse período foi constatado em todas as regiões, com exceção do Sudeste. No Norte, os registros passaram de 1.955 para 3.427. No Nordeste, foram 4.995 casos novos em 2004 e 7.971 em 2012. No Centro-Oeste, passou de 2.138 casos para 2.818. No Sul, foram registrados 7.274 casos em 2004 e 8.571 em 2012. No Sudeste, os números passaram de 18.117 para 16.398.

A maior incidência é registrada no Sul: 30,9 casos por cada 100 mil habitantes. A menor está no Nordeste, com média de 14,8 casos por cada 100 mil habitantes.

A taxa de mortalidade está estabilizada: foram 6,1 mortes a cada 100 mil habitantes. Em 2005, eram 6 mortes por cada 100 mil.

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Epidemia de Aids avança entre população Jovem

As taxas do Boletim Epidemiológico divulgadas neste domingo (1) mostram que problemas conhecidos de aids no País seguem sem solução. A epidemia avança entre a população jovem, as taxas de mortalidade permanecem inalteradas e a transmissão vertical, embora evitável, continua presente.

aids

Dentro desse quadro, surge uma nova preocupação: “Há uma tendência de aumento de casos”, afirma o pesquisador da Universidade de São Paulo Alexandre Grangeiro.

O boletim mostra que, em 2011, foram registrados no País 40.535 casos de aids. Uma marca que até então nunca havia sido alcançada. Em 2012, os números são um pouco menores: 39.185. Esse indicador, no entanto, pode mudar. Em razão do atraso nas notificações, ao longo do ano, ajustes geralmente são realizados.

Considerando os números apontados em 2012, o País registra um aumento geral de casos de 12%, em relação a 2005, quando 34.828 pacientes com a doença foram contabilizados.

“Esse é um número que reflete infecções que ocorreram há dez anos”, justifica o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, ao falar sobre 2012. Grangeiro, no entanto, avalia que o País vive um momento delicado. “Essa tendência de aumento do número de casos, a resistência na queda da mortalidade ocorre quando uma série de técnicas para prevenção, tratamento, já são colocadas em prática.”

Para o pesquisador da USP, a ampliação da oferta de medicamentos anunciada neste domingo é uma boa notícia, mas deve ser acompanhada também pela ampliação da estrutura de atendimento e, sobretudo, de uma política para redução do preconceito, que, garante, ainda está presente.

“Essa é uma das explicações para a resistência em fazer testagem pelo HIV”, completa Grangeiro. Pesquisas mostram que pessoas geralmente fazem o teste para confirmar que não têm o vírus. “Quando há uma suspeita, a resistência em fazer o exame aumenta.”

Somente com a redução do preconceito, afirma, a população vai aderir aos testes e o tratamento iniciado o mais rapidamente possível. “O que vemos, hoje, ainda é um grande número de pessoas que têm a doença diagnosticada numa fase mais avançada.”

Jovens

O boletim aponta para um aumento expressivo do número de casos na população entre 15 e 24 anos no período entre 2005 e 2012. Entre homens e mulheres nesta faixa etária, a incidência passou de 8,1 a cada 100 mil habitantes, para 11,3.

As taxas são empurradas pelo comportamento entre o grupo masculino jovem. No período, os números entre esse grupo cresceram 81%: saíram de 1.454 casos registrados para 2.635. Entre as mulheres jovens, a tendência é inversa. Nesta faixa etária, houve uma queda de 4% do número de casos.

Entre homossexuais masculinos, de todas as idades, a taxa de prevalência passou de 22,7 para cada 100 mil habitantes em 2005 para 32 por 100 mil, em 2012 – maior do que a taxa geral brasileira, que é de 20,2.

A transmissão da mãe para o bebê, durante a gestação e parto, pode ser evitada com o uso de antirretrovirais. Mesmo assim, em 2012, foram registrados 475 casos da doença entre menores de cinco anos – e, nessa faixa etária, a transmissão vertical é a principal forma de infecção.

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Quebra de estigma da aids ainda é desafio social

Síndrome que compromete o sistema imunológico, a aids foi estigmatizada por muitos anos como doença restrita à população homossexual e fortemente associada à promiscuidade, tendo sido chamada por veículos de imprensa como “peste gay” quando foram diagnosticados os primeiros casos no Brasil, no início da década de 1980. Para reverter esse preconceito, sanitaristas e epidemiologistas focaram suas ações em duas vertentes: a estruturação de uma rede de diagnóstico e prevenção da doença, que à época avançava em vários países, e campanhas massivas.

Profissionais, autoridades e organizações da sociedade civil se empenharam, nos últimos 30 anos, para desconstruir o mito da existência do grupos de risco, reforçando a ideia de comportamentos de risco, já que o vírus passou a se espalhar de forma geral, não mais se concentrando apenas em uma determinado segmento social, como homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos.

São considerados comportamentos de risco relações sexuais (homo ou heterossexual) com pessoa infectada sem o uso de preservativos; compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente, no uso de drogas injetáveis; reutilização de objetos que perfurem ou cortem o corpo (agulha, alicate de manicure, tesoura etc.) com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV.

Além da evolução observada na forma de enxergar a doença, o Brasil avançou no tratamento de pessoas soropositivas, desenvolvendo tecnologia em medicamentos e tomando decisões políticas para garantir o acesso da população de mais baixa renda aos remédios. Dois fatores foram fundamentais para isso: a distribuição gratuita do coquetel antiaids (combinação de medicamentos responsáveis pelo atual tratamento de pacientes HIV positivo) e a quebra de patentes de remédios que integram o coquetel, iniciada em 2001, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, e ampliada em 2007 durante mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em razão dessas medidas, a sobrevida de pessoas infectadas foi prolongada. Até o começo da década de 1990, a aids era considerada uma doença que levava à morte em um prazo relativamente curto. A transmissão ocorre por meio do sangue, sêmen, de secreção vaginal e do leite materno. Logo que forem observados quaisquer sintomas que indiquem uma possível contaminação, como febre, manchas na pele (sarcoma de Kaposi), calafrios, ínguas, dores de cabeça, de garganta e musculares, perda de peso, deve-se  procurar um profissional de saúde para o diagnóstico correto e a indicação do tratamento adequado. Estudos internacionais mostram que o uso precoce de antirretrovirais reduz em 96% a taxa de transmissão do HIV.

AIDS

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Saúde Pública deve considerar dados sobre o clima para prevenir Doenças, diz OMS

A OMS (Organização Mundial da Saúde), no estudo Atlas da Saúde e do Clima, divulgado no último dia (29), alerta que a saúde humana está ameaçada pelas mudanças climáticas.

A publicação destaca que as secas, as inundações e os ciclones geram surtos epidêmicos de doenças, como diarreia, malária, dengue e meningite.

No Atlas da Saúde e do Clima, há exemplos práticos de como adotar ações em saúde pública para prevenir os problemas causados pelas mudanças climáticas. A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que é fundamental prevenir e preparar a população. Segundo ela, as ações conjugadas dão vida “ao coração da saúde pública”.

“Informações sobre a variabilidade e mudanças climáticas são ferramentas poderosas que auxiliam as nossas tarefas”, disse.

A diretora-geral observou que, por enquanto, os dados dos serviços de informações sobre clima têm sido “subutilizados” na saúde pública. Para ela, a falta de atenção a esses dados acaba aumentando a incidência de doenças infecciosas, como malária, dengue, meningite e cólera. Segundo o estudo, a situação se agrava principalmente entre crianças e idosos.

O Atlas da Saúde e do Clima analisa os efeitos das mudanças climáticas em todos os continentes. Ao mencionar a América do Sul, a publicação destaca as inundações no Sul do Brasil, principalmente em Santa Catarina, e a seca no Norte, especialmente na Amazônia.

BRASIL

Em 68 páginas, o estudo mostra que as preocupações no Brasil se concentram no Sul em decorrência das inundações e dos deslizamentos de terras, considerados constantes, e no Norte devido à seca.

Uma série de problemas de saúde, segundo o estudo, são gerados pelas mudanças no clima atingem milhões de brasileiros e provocam surtos epidêmicos de doenças, como diarreia, malária, dengue e meningite. O relatório informa que de 2000 a 2010 foram registrados 1.320 casos de inundações. O período apontado como a “pior seca dos últimos 60 anos” foi de 2004 a 2010, na Amazônia.

O estudo revela também que as doenças mais comuns causadas pelas alterações climáticas têm relação direta com uma série de fatores, como poluição e infraestrutura local. A maior parte das mortes, segundo o relatório, é entre bebês recém-nascidos. Há registros também de levados número de casos, nem sempre fatais, de pneumonia, diarreia e malária.

Os especialistas advertem ainda para que as pessoas redobrem os cuidados com a exposição ao sol, pois há estudos que demonstram que as elevadas temperaturas e os raios de sol podem causar problemas à saúde. O alerta é para limitar a exposição ao sol, procurar lugares à sombra, usar roupas que protejam, chapéus e óculos. Também é recomendado o uso de protetor solar.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.folha.uol.com.br


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