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Especialista destaca desafio de combater bactérias em hospitais

Hospitais, clínicas, enfermarias ou postos de saúde, ambientes que tem como maior finalidade recuperar o paciente, mas, por congregar várias doenças, carregam, também bactérias e vírus capazes de causar as IrAS, infecções relacionadas a assistência à saúde.

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Nos dias que antecedem o dia que celebra o combate à infecção hospitalar no Brasil (15 de maio), Maria das Mercês Pereira, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospital (SCIH) do Hospital Geral do Estado em Alagoas (HGE), única unidade “porta aberta” em Alagoas, comenta os índices no hospital e o desafio para orientar os profissionais sobre as medidas de prevenção e controle das infecções.

Para a especialista, o combate aos micro-organismos resistentes, dentro e fora do ambiente hospitalar, depende de um esforço conjunto das autoridades, dos profissionais de saúde e da população em geral. “Existe uma forte relação entre o tempo de hospitalização e a resistência bacteriana aos antibióticos. Estes micro-organismos são transmitidos, sobretudo, pelo contato, por isso higienizar as mãos é a principal medida de prevenção. A higienização correta das mãos é a medida mais simples e eficaz para a prevenção e controle das IrAS.

A Organização Mundial de Saúde já lançou uma campanha mundial chamando atenção de todos, com o tema: ‘Mãos limpas salvam vidas’. “As medidas para minimizar o desenvolvimento de resistência bacteriana interessam a todos os profissionais e, portanto, todos que participam da assistência à saúde devem estar atentos e contribuir para as ações de prevenção e controle”, comentou.

Segundo Maria das Mercês, a automedicação é uma questão crítica. “É preciso ir ao médico para saber se realmente é necessário tomar antibióticos. Nas doenças provocadas por infecções virais, por exemplo, estes medicamentos não têm nenhuma efetividade. Quando há indicação de usar antibióticos, é importante tomar os remédios na hora certa e fazer o tratamento durante todo o período recomendado, sem interrupção”, disse.

Ainda de acordo com a coordenadora, os “antibióticos também não devem ser jogados no lixo comum, para não contaminar o meio ambiente. Além de tudo isso, deve haver cuidados especiais quando as pessoas vão a um hospital. O ideal é evitar o excesso de visitantes e acompanhantes e não manter contato com outros pacientes. Em caso de dúvidas, os profissionais de saúde devem ser consultados”, alertou.

Os indicadores de infecções nas vias respiratórias são altos nas Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) dos principais hospitais do mundo. No HGE, o trabalho desenvolvido pela equipe multidisciplinar da UTI vem trazendo resultados positivos. A taxa de infecção relacionada a ventilação mecânica, que já chegou a 80%, foi reduzida para 39%, segundo dados do hospital para o mês de março.

De acordo com a médica Maria das Mercês Pereira, o empenho dos profissionais, aderindo as medidas de prevenção e controle das infecções relacionadas a assistência à saúde evidenciando a higienização das mãos, aliados a parcerias com os setores de esterilização e de feridas, foram fundamentais na redução dos números.

“Com um trabalho multidisciplinar e a colaboração de todos, conseguimos uma redução importante, mas ainda não é a ideal. Sabemos que precisamos manter a qualidade do trabalho e o empenho de cada um para que possamos ter um serviço de qualidade que orgulhe a todos”, completou a médica.

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Saiba como ocorre a infecção por superbactéria e como preveni-la

A suspensão de internações em duas UTIs neonatais de Porto Alegre nas últimas semanas voltou a chamar a atenção para o problema da presença de superbactérias em hospitais. Mas, como esses micro-organismos entram nesses ambientes e como é possível evitá-los?

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No Hospital Fêmina, foram quatro casos de infecção causados pela bactéria . No Hospital da Criança Conceição, foram identificadas colônias de diferentes bactérias — entre elas, um outro tipo da Klebsiella.

O que leva a contaminações nesse tipo de ambiente hospitalar não é exatamente o fato de pacientes ou familiares carregarem esse tipo de micro-organismo. Especialistas apontam que a própria equipe médica, por ter contato com grande número de pessoas e materiais hospitalares, pode acabar proliferando bactérias.

Eliézer Silva, diretor do Hospital de Ensino do Hospital Albert Einstein, instituição de São Paulo referência no país em baixo índice de infecção, explica que, além dos procedimentos padrões que evitam a transmissão de micro-organismos — como higienização das mãos a cada troca de luvas, por exemplo —, hospitais devem estabelecer e dar importância também a ações com foco em eventos adversos, que vão desde sangramentos até medicações em doses erradas.

De acordo com o diretor, o check-list adotado por uma equipe multidisciplinar oferece mais segurança e conforto ao paciente desde o momento da baixa até a alta do hospital. Essa lista de afazeres, se checada diariamente, permite que todos os profissionais que acompanham o tratamento possam manter um nível de comunicação que facilite a assistência ao paciente.

— Esses processos reduziram as taxas de infecções, de erros no tratamento e nos diagnósticos. Medidas como essas também reduzem custos hospitalares, porque os eventos adversos, como as infecções, envolvem mais custos para o tratamento dos pacientes — esclarece Silva.

Entre os pontos que contribuem para a disseminação de bactérias também está a lotação dos hospitais. Conforme o coordenador do Serviço de Infecção do Fêmina, Vicente Antonello, é imprescindível que os profissionais e as intituições obedeçam a protocolos rígidos de controle.

— É fundamental fazer o controle do uso correto de antimicrobianos, para evitar o risco de aparecimento de bactérias resistentes — explica Antonello.

Quando um paciente é identificado com determinada bactéria, por exemplo, a recomendação é deixá-lo sob precaução, mantendo-o afastado de outras pessoas não infectadas, sempre reforçando as medidas como lavagem de mãos.

O que é

A superbactéria é um micro-organismo que, por mutação genética devido à exposição a antibióticos, tornam-se mais resistentes aos medicamentos.

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Silenciosa, doença renal crônica atinge 10% da população

A doença renal crônica atinge 10% da população mundial e afeta pessoas de todas as idades e raças. A estimativa é que a enfermidade afete um em cada cinco homens e uma em cada quatro mulheres com idade entre 65 e 74 anos, sendo que metade da população com 75 anos ou mais sofre algum grau da doença. Diante desse cenário, no Dia Mundial do Rim, lembrado hoje (12), a Sociedade Brasileira de Nefrologia defende que a creatinina sérica e a pesquisa de proteína na urina façam parte dos exames médicos anuais.

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O risco de doença renal crônica, de acordo com a entidade, deve ser avaliado por meio de oito perguntas: Você tem pressão alta? Você sofre de diabetes mellitus? Há pessoas com doença renal crônica na sua família? Você está acima do peso ideal? Você fuma? Você tem mais de 50 anos? Você tem problema no coração ou nos vasos das pernas (doença cardiovascular)? Se uma das respostas for sim, a orientação é procurar um médico.

Os principais sintomas da doença renal crônica são falta de apetite, cansaço, palidez cutânea, inchaços nas pernas, aumento da pressão arterial, alteração dos hábitos urinários como urinar mais à noite e urina com sangue ou espumosa.

As recomendações das entidades médicas para reduzir o risco ou para evitar que o quadro se agrave incluem manter hábitos alimentares saudáveis, controlar o peso, praticar atividades físicas regularmente, controlar a pressão arterial, beber água, não fumar, não tomar medicamentos sem orientação médica, controlar a glicemia quando houver histórico na família e avaliar regularmente a função dos rins em casos de diabetes, hipertensão arterial, obesidade, doença cardiovascular e histórico de doença renal crônica na família.

Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que 100 mil pessoas fazem diálise no Brasil. Atualmente, existem 750 unidades cadastradas no país, sendo 35 apenas na cidade de São Paulo. Os números mostram ainda que 70% dos pacientes que fazem diálise descobrem a doença tardiamente. A taxa de mortalidade para quem enfrenta o tratamento é 15%.

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Como é a vida de quem tem apenas um rim

Os rins exercem funções muito importantes para o bom funcionamento do organismo, como regular a pressão arterial, produzir células vermelhas, ativar a vitamina D e, principalmente, filtrar fluidos para expelir toxinas.

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No entanto, muitas pessoas vivem com apenas um rim, como o ex-jogador Pelé, que foi internado no Hospital Albert Einstein, no ano passado, em São Paulo, para tratar uma infecção urinária 11 dias após a retirada de cálculos renais.

Isso não significa, porém, que essas pessoas sejam obrigadas a seguir determinadas restrições ou que elas corram risco de ter problemas de saúde.

É possível levar uma vida normal e saudável com apenas um desses órgãos.

Entenda a seguir os motivos pelos quais alguém vive com apenas um rim e os efeitos desta condição:

1) Por que uma pessoa tem só um rim?

Existem quatro razões mais comuns para isso.

A pessoa pode ter nascido com apenas um rim, uma condição conhecida como agenesia renal.

Isso é mais comum entre homens, segundo o instituto de pesquisa Kidney Research, do Reino Unido.

Também é possível nascer com ambos os rins, mas apenas um deles funciona.

A pessoa ainda pode ter um de seus rins retirados por causa de uma anormalidade na sua formação anatômica, para tratar um sério trauma causado por um acidente ou por causa de uma doença, como câncer, ou pode ter doado um dos rins a quem precisava de um transplante.

Segundo relatos da imprensa, Pelé teve um rim extraído nos anos 70 nos Estados Unidos, no final de sua carreira como atleta, por ter tido um tumor no órgão.

2) Ter só um rim gera problemas de saúde?

A maioria das pessoas que tem apenas um rim leva uma vida saudável.

Em geral, quem nasce com apenas um rim saudável ou tem um deles retirado ainda na infância não enfrenta problemas no curto prazo.

Isso porque o rim restante cresce mais rápido e se torna maior do que um rim comum, um fênomeno conhecido como “crescimento compensatório” ou “crescimento regenerativo”.

Este único rim pode chegar a ter quase o mesmo tamanho de dois rins juntos. Isso permite ao órgão realizar o trabalho que caberia aos dois rins.

O mesmo ocorre com quem vive com apenas um rim após um transplante. O órgão cresce e torna-se até 40% mais potente do que um rim comum.

Mas foram observados efeitos ao longo de um período maior de tempo entre aqueles que nasceram com um rim apenas ou tiveram um deles retirado na infância.

É possível sofrer uma pequena perda de função renal, o que não afeta muito a expectativa de vida. Esta condição leva, em média, 25 anos para ser desenvolvida, segundo o instituto americano de pesquisa National Kidney Foundation.

Estas pessoas ainda podem ter pressão alta quando ficarem mais velhas ou apresentar um excesso de proteína na urina, o que leva o corpo a reter fluídos e sódio, causando um inchaço nos tornozelos e no abdômen.

3) É preciso ir com mais frequência ao médico?

A pessoa deve testar sua função renal por meio de exames ao menos uma vez por ano, de acordo com a National Kidney Foundation.

Isso pode ser feito por meio de exames de urina e sangue.

Ainda é preciso monitorar a pressão arterial.

4) A pessoa pode praticar esportes?

O exercício físico é uma prática saudável e recomendada, mas alguns médicos recomendam ter cuidado e evitar lesões ao órgão, que, por ser maior e mais pesado, também é mais suscetível a traumas.

Uma forma de fazer isso é usar uma proteção sobre a roupa durante a atividade.

Alguns médicos ainda recomendam evitar esportes de contato, como futebol, basquete, lutas e artes marciais, para prevenir danos aos órgão.

5) Há uma dieta especial?

A maioria das pessoas com só um rim não precisa seguir uma dieta especial. Mas a Kidney Research recomenda consumir menos sal e beber bastante água, entre seis a oito copos por dia.

Mas, quando a pessoa precisou de um transplante motivados por uma doença ou falha renal, pode haver algumas restrições na alimentação, o que varia a cada caso e depende da avaliação médica.

Assim como quando a pessoa apresenta uma concentração de proteína acima do normal na urina, sendo recomendada uma dieta com menos proteína.

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‘O Brasil precisa se antecipar à epidemia do câncer’

Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explica como o hospital modelo pode inspirar outras instituições do país.

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Não é raro que a sobrevivência ao câncer seja associada ao acesso a hospitais de ponta e a abundantes recursos financeiros. Aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), em geral, podem enfrentar longas filas, receber atendimento superficial ou ainda não receberem os melhores tratamentos existentes. O oncologista Paulo Hoff, conhecido por seu trabalho em hospitais renomados, como Albert Einstein e Sírio-Libanês, quer mudar essa imagem em São Paulo.

Nomeado novo diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ele será o responsável por um dos melhores centros de referência de câncer no país. Inaugurado em 2008, o Icesp possui 247 leitos de internação, 44 leitos de UTI, 61 consultórios médicos e quase 4.000 colaboradores. Toda essa estrutura é gerida independentemente pela Fundação Faculdade de Medicina, da USP, mas está vinculada à Secretaria de Saúde do estado de São Paulo. Hoff acredita que este é um modelo a ser seguido, em um momento que o país precisa se prevenir da epidemia do câncer, doença que segue em ascensão e deve se tornar a principal causa de morte até 2020, ultrapassando as doenças cardiovasculares.

Leia a seguir a entrevista que ele concedeu ao site de VEJA, no Dia Mundial do Câncer – lembrado nesta sexta-feira:

O senhor vai assumir o cargo de diretor-geral do Icesp, que ambiciona ser o maior centro oncológico da América Latina. O que falta para isso acontecer? O objetivo é dar o melhor tratamento possível aos nossos pacientes e sermos reconhecidos como uma das instituições de ponta da América Latina para o tratamento de câncer. Na parte acadêmica, uma das grandes dificuldades que temos hoje no Brasil é que, por ser uma especialidade recente, a oncologia precisa de mais profissionais especializados, médicos oncologistas, médicos radioterapeutas, físicos que trabalham com radioterapia, tomografia e imagem e mais cirurgiões capacitados para operar o câncer. Um serviço com o tamanho do Icesp tem a massa crítica para poder ajudar na formação desses quadros. Estamos aumentando o número de residentes em oncologia, cirurgia oncológica, radioterapia e estamos trabalhando com a Universidade de São Paulo para o treinamento de físicos, além de enfermeiros e técnicos de enfermagem.

E o atendimento aos pacientes? Na parte assistencial, embora tenhamos atendido 12.000 novos casos em 2010, isso não é suficiente. E sabemos que o hospital comporta mais. Fechamos o ano passado com 60% da capacidade operacional do hospital. Pretendemos fechar 2011 entre 75% e 80% da capacidade. Gostaria que fosse mais do que isso. Mas, obviamente, é preciso organizar o crescimento de acordo com a disponibilidade financeira e de pessoal. Não adianta abrir o hospital inteiro e não ter pessoas treinadas e qualificadas para atender os pacientes. Hoje, o nosso complexo tem nove unidades de radioterapia, o que acredito ser o maior parque radioterápico da América Latina. Queremos atender mais de 15.000 novos casos esse ano. Estimo que a capacidade do hospital esteja próxima de 18.000 casos.

Com menos de dois anos desde a inauguração, o Icesp foi apontado como o segundo melhor hospital do estado de São Paulo. A que o senhor atribui isto? Foi uma eleição feita entre os usuários. O Icesp tem uma filosofia de trabalho muito clara. É um hospital que tem uma filosofia de humanização desde a porta de entrada. Os médicos têm uma dedicação altíssima ao paciente. No instituto, o paciente consegue identificar quem é o médico responsável pelo seu atendimento. Ao ser admitido, ele participa de uma reunião em que lhe é apresentado o que está disponível para facilitar o tratamento, desde nutricionistas, psicólogos e a equipe de enfermagem. O fato de possuirmos uma equipe altamente treinada dá ao paciente a segurança de que ele vai receber um tratamento de ponta.

Existe alguma preparação voltada para o funcionário? Temos várias atividades aqui para fazer com que o funcionário se sinta bem aqui dentro. Trabalhamos a questão psicológica, já que trabalhar com câncer é difícil. No início, tivemos uma rotação alta de técnicos e enfermeiros. É difícil sair da faculdade e começar a ver doentes aqui no hospital. Às vezes é pesado.

Sabe-se que esse modelo deveria ser seguido, mas isso não é comum, principalmente em um serviço público. Por que no Icesp deu certo? Aqui deu certo porque começou do nada. É uma filosofia que fez parte da cultura da instituição desde o seu nascimento. Já nascemos com a missão de fazer um tratamento humanizado. Temos tido mais sucesso que as outras instituições por isso. Esse espírito de humanização pode ser implantado, talvez de forma mais lenta, em todas as unidades públicas. É preciso dar ao médico uma carga de horário que seja justa e que permita a ele que dê atenção diferente ao paciente. Não pode ser uma fábrica. Como a medicina é subfinanciada, você acaba tentando corrigir esse problema forçando uma produtividade maior. Até certo ponto, pode ser válido. Mas chega a um momento em que você começa a pecar por falta da relação humana.

O ministro da Saúde Alexandre Padilha costuma dizer que o problema da saúde é a gestão. O senhor concorda com isso? Certamente, a gestão tem um ponto importante em todos os níveis. A gestão pode ajudar a melhorar certos gargalos. Mas não há como negar que a saúde do Brasil é subfinanciada. Hoje, nós gastamos per capita um terço do que o México gasta per capita, um país que tem um nível sócio-cultural muito similar ao nosso. Deveríamos estar gastando, se não a mesma coisa, pelo menos o mais próximo deles. Na América Latina inteira, o Brasil é um dos últimos colocados em gastos per capita com saúde. Nós temos um serviço de saúde que, dadas as limitações orçamentárias, é melhor que a maior parte dos serviços públicos da América Latina. Então, é um paradoxo, gastamos pouco e temos um serviço que em muitos pontos é considerado um modelo. É difícil querer que um serviço funcione de uma maneira ideal se ele é subfinanciado. Nesse momento, é muito importante que a sociedade como um todo entenda que vai ser preciso financiar a saúde.

Que benefícios esses recursos poderiam trazer? O que incomoda os pacientes atualmente é a demora de atendimento, falta de certos procedimentos de alto custo e ausência de médicos em algumas áreas. São coisas que você pode melhorar de uma maneira relativamente rápida se houver um aporte de recursos maior. Sei que achar dinheiro na administração pública não é fácil. O ministro tem parcialmente razão. Mas é necessário ter o aporte de recursos. Não adianta ter um sem o outro.

O senhor já trabalhou no M.D. Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, o maior centro de oncologia dos Estados Unidos, tem um cargo importante no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e agora é o diretor-geral do Icesp. Após ter passado por todos esses níveis, qual é a grande dificuldade? Sou muito feliz aqui. Dirigir essa instituição para mim é uma grande missão, que me foi confiada pelos pares e pelo governo, de ajudar essa instituição a se solidificar como um grande centro. Espero que a gente possa ter tanto orgulho do Icesp, como os americanos têm do M.D. Anderson. Ou como nós temos do Sírio-Libanês. Nossa meta é essa, que ele seja considerado referência no tratamento do câncer.

Além disso, o senhor também já disse que deseja que o Icesp passe a produzir mais conteúdo científico. Por que esse interesse? Primeiro, porque eu sou um professor universitário. Um hospital associado a uma universidade tem uma missão também educacional e científica. Este hospital não pode ser um hospital que simplesmente vise o atendimento do paciente. Ele não estaria atingindo todo o seu potencial. Atender o paciente é a nossa primeira missão. Mas formar pessoas que vão atender o paciente aqui e em outras instituições é importantíssimo. E gerar conhecimento também. No Icesp, a ciência pode trazer avanços importantes.

Qual a importância das pesquisas em um hospital? A pesquisa científica disponibiliza ao paciente tratamentos que ele não teria de outra forma. Nós tratamos câncer, uma doença que em muitos casos não tem cura e não tem tratamento. Então, o melhor tratamento para alguns tipos de câncer é entrar no estudo clínico. O paciente precisa participar da pesquisa para ter acesso a essas drogas. Quando você faz um estudo, você pode descobrir tratamentos mais baratos, que podem ajudar outras pessoas. Queremos curar todos os tipos de câncer um dia, mas só a pesquisa clínica vai nos permitir a chegar nesse patamar.

O Brasil está atrasado nesse sentido? O Brasil tem tido um aumento na produção científica nos últimos anos. Infelizmente, esse aumento até agora não resultou em aumento de patentes. Se nós olharmos a produção de patentes no Brasil, esse número ainda é muito pequeno. Temos que estimular a cultura de inovação científica. Porque gerar conhecimento também é importante. Importamos conhecimento e isso tem um custo para o país. Se gerássemos mais conhecimentos, poderíamos melhorar a eficácia dos tratamentos e, a longo prazo, ajudar o país economicamente. No setor da saúde, há um déficit na nossa balança comercial porque nós importamos a maior parte das medicações de alto custo.

O câncer é a segunda maior causa de morte no Brasil, atrás somente das doenças cardiovasculares. O senhor acha que falta conscientizar mais a população? Ao irem a público, pessoas famosas que tiveram esse problema recentemente, como (ex-vice-presidente José) Alencar e a apresentadora Hebe Camargo, ajudaram a conscientizar a população de que a doença independe do nível social. Isso fez com que as pessoas pensassem mais sobre a doença. Enfatizo ainda que, apesar de ser a segunda causa de morte, a incidência é crescente. Em alguns estados americanos, pela primeira vez, o câncer se tornou a principal causa de morte, ultrapassando a doença cardiovascular em 2010. Estima-se que até 2020 – não falta muito – o câncer passe a ser a principal causa de morte. No caso das doenças do coração, as pessoas estão se conscientizando e o tratamento está melhorando. A pessoa não morre mais do coração, e vive por mais tempo, o que aumenta o risco do aparecimento de câncer.

O senhor citou os casos de Hebe Camargo e de José Alencar como exemplos de conscientização. É possível que se pense que o tratamento deles foi bem-sucedidodevido à condição financeira e acesso a serviços de ponta. O que o senhor pensa sobre isso? Um ponto importante que vale ressaltar é que nem sempre eles se curam. O dinheiro sozinho não garante a cura. É fato que a disponibilidade de medicações modernas é limitada no sistema público brasileiro. Isso porque as drogas de alto custo têm um impacto gigantesco no orçamento. Mas temos uma experiência interessante no estado de São Paulo. Dialogamos com a Secretaria da Saúde e escolhemos um pacote de drogas de alto custo, associamos esses medicamentos a uma indicação específica para a doença. Conseguimos a anuência do governo do estado para quando essas medicações forem utilizadas para áreas em que estão comprovadamente indicadas. Hoje, temos no estado de São Paulo uma disponibilidade que, se não é perfeita, é muito forte. Se você comparar com outros países onde a medicina é controlada, como Austrália e Inglaterra, o nosso pacote de medicamentos nas indicações especificas não fica devendo muito ao que é oferecido nesses outros países.

Então, hoje há acesso ao que existe de mais moderno aqui no Brasil? No estado de São Paulo, a pessoa não precisa ter dinheiro para receber tratamento adequado e de ponta. O que tem comprovação cientifica está sendo paulatinamente incorporado. Além disso, o nosso hospital possui exames de imagem, dois PET-CT [equipamentos de tomografia computadorizada], nove máquinas de radioterapia, equipamentos sofisticados que também são encontrados em hospitais de ponta, como o Hospital Israelita Albert Einstein e o Sírio-Libanês.

O que uma pessoa precisa fazer para ter acesso ao Icesp? Se nós tivéssemos as portas abertas, teríamos uma fila interminável. São 130.000 casos de câncer em São Paulo por ano. Só na grande São Paulo são 30.000 casos. É preciso esclarecer que o instituto é um centro de referência e que existem instituições que são credenciadas para nos encaminhar um paciente. Uma pessoa que deseja ser admitida aqui precisa ter passado numa unidade mais próxima de sua residência, que vai fazer o encaminhamento pela Secretaria de Saúde. Várias instituições mandam seus pacientes para cá. Mas eles não podem vir direto, apenas com o diagnóstico já feito.

Vendo a realidade atual do Icesp,  é possível ser otimista sobre o futuro do tratamento de câncer no Brasil? O Icesp mostra o que o Brasil pode ser. Mostra dinamismo, vontade política, comprometimento, já que o orçamento colocado aqui pelo governo do estado é grande. Também demonstra a visão de montar um instituto de câncer, uma doença em ascensão, que será uma epidemia no futuro. Há uma preparação para o futuro. Em vez de esperar o problema chegar e responder a ele, o governo do estado se antecipou e tomou a iniciativa. O Icesp também mostra um modelo de gestão que pode ser utilizado, que são as OSS (Organizações Sociais de Saúde). O Icesp é um prédio da secretaria de saúde, gerida pela Fundação Faculdade de Medicina, que pertence à Universidade de São Paulo, que faz parte do estado. Aqui dentro os médicos seguem horário, são remunerados de uma maneira adequada e são exigidos pelo trabalho que prestam. Nós trabalhamos com metas a cumprir, que são enviadas trimestralmente para a Secretaria de Saúde. Se não cumprirmos a meta, cai o nosso repasse. Acho que esse pode ser um modelo. Não adianta Brasília achar que vai controlar tudo lá de cima. Deixar a gestão na mão de uma fundação dá uma agilidade, o que é fundamental.

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Vacinas: essenciais para a Saúde

O desenvolvimento de vacinas foi um dos grandes avanços da medicina, responsável pela erradicação de doenças como varíola e redução muito importante na incidência de outras, como sarampo e difteria. Ainda assim muitas pessoas não optam pela imunização – nem sua nem de seus filhos – alegando motivos como o fato de os males estarem extintos ou de que fariam parte do universo infantil.

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São justificativas enganosas. A vacina é fundamental para a saúde de seres humanos, desde o nascimento até a terceira idade.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que só o sarampo, por exemplo, causou a morte de 450 mil crianças no mundo inteiro em 2004. E o pediatra Alfredo Elias Gilio, coordenador do Departamento Materno-Infantil e responsável pelo Centro de Imunizações do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), garante que certas doenças só sumiram porque foram prevenidas com vacinação – mas, nos países que abandonaram o uso de vacinas, as enfermidades reapareceram.

O médico ainda comenta que uma doença como catapora, em geral encarada como simples, também tem casos graves e pode até matar. “Ao levar seu filho para tomar vacina, você o está protegendo desses riscos”, explica. Ele lembra que não existe nada 100% eficaz, mas que ainda assim a vacina é sempre a melhor opção.

Como é feita

A maioria das vacinas é produzida por meio do próprio agente que causa a doença. Sendo assim, o vírus ou bactéria é modificado ou inativado. Ao receber a vacina, o corpo dá uma resposta, ou seja, produz uma defesa – os anticorpos – e passa a não ser mais suscetível àquela doença.

Cada vacina é feita de forma diferenciada. A imunização contra o sarampo, por exemplo, é fabricada com um vírus inteiro, modificado e atenuado. No caso da hepatite B, é usada uma fórmula com apenas um pedaço de vírus modificado.

Para produzir a vacina da gripe, o vírus deve estar morto e é usada apenas uma parte dele – essa prática é a menos comum. Há também aquelas feitas por meio de bactérias, nas quais se utilizam as toxinas do próprio agente causador da doença.

Esse é o caso do tétano: das bactérias são retirados os toxoides, ou seja, a toxina modificada é que previne contra a doença. Outra vacina produzida com a utilização da bactéria viva, com modificações e atenuada, é a BCG, contra tuberculose.

Mitos e Verdades

No dia-a-dia a única contraindicação para a aplicação de vacinas é a febre. Como explica o dr. Gilio, a temperatura alterada indica que o organismo está combatendo algum mal. A imunização nessa situação poderia causar uma reação ou ainda confundir os médicos sobre o estado do adulto ou da criança. Crianças com diarreia leve ou resfriado, porém, podem sim ser vacinados.

Os pacientes imunodeprimidos (sofrendo de doenças que alteram as defesas imunológicas do organismo) não podem receber vacinas de vírus vivo ou bactéria viva.

São falsas contraindicações: desnutrição, gravidez, histórico familiar, convulsão.

Sempre consulte seu médico antes de se decidir sobre a imunização.

Calendários múltiplos

Cada país costuma definir seu próprio calendário de vacinação. E dentro de um mesmo território, muitas vezes, também há variação: o Ministério da Saúde faz um calendário base e as Secretarias Estaduais de Saúde podem desenvolver programações próprias. Isso não é um problema desde que os calendários sempre levem em conta: a importância da doença a ser prevenida, a eficácia da vacina, como ter uma resposta imune adequada, a quantidade de aplicações e os recursos disponíveis.

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Os 10 hospitais de excelência do Brasil em 2012

Apesar da precariedade do sistema de saúde brasileiro, muitos de nossos hospitais, inclusive públicos, se destacam como centros de excelência internacional em tratamentos de alta complexidade. Atualmente, existem 18 instituições públicas e privadas que possuem a mais importante certificação hospitalar do mundo, concedida pela Joint Commission International (JCI).

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Entre os hospitais particulares, seis deles merecem destaque por serem considerados hospitais de excelência pelo Ministério da Saúde, com quem desenvolvem projetos voltados à população em geral. Essas instituições filantrópicas são, inclusive, credenciadas ao SUS.

A certificação da JCI é válida por três anos e é concedida a pedido dos próprios hospitais, que levam cerca de dois anos para se adaptar a todas as exigências de atendimento, gestão, infraestrutura e qualificação profissional da entidade norte-americana. Por meio de visitas, entrevistas e análises de documentos, os avaliadores checam mais de 1.300 itens. A JCI, porém, não é a única certificadora de hospitais. Muitas outras instituições brasileiras já tiveram sua qualidade atestada pela certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e pela Accreditation Canada.

Veja na lista a seguir os 10 melhores  hospitais brasileiros de excelência segundo a JCI.

Hospital Israelita Albert Einstein (SP)

Hospital Sírio-Libanês (SP)

Hospital do Coração – HCor (SP)

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP)

Hospital Samaritano (SP)

Hospital Moinhos de Vento (RS)

Instituto Nacional do Câncer – INCA (RJ)

Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia – INTO (RJ)

Instituto Estadual de Hematologia – Hemorio (RJ)

Hospital 9 de Julho (SP)

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