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Violência sexual infantil no País atinge crianças de até um ano

O Brasil teve o seu Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, ontem, 18 de maio.

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Um bom período para lembrar as chocantes estatísticas sobre violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil.

Vamos às principais, retiradas da mais recente pesquisa do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), do Ministério da Saúde:

– Praticamente um em cada quatro casos de violência sexual infantil (exatamente 22% dos 14.625 casos pesquisados pelo VIVA) envolve uma criança de até um ano de idade.

– Em três a cada quatro casos (77%), a vítima tem até nove anos. A agressão sexual é o segundo tipo de violência mais praticado nesta faixa etária, com 35% dos casos, contra 36% provocados por abandono ou negligência.

– Entre dez e 14 anos, 10,5% das notificações de violência infantil no Brasil são sexuais, o segundo tipo, atrás apenas da física (13,3%).

– De 15 a 19 anos, a agressão sexual fica em terceiro lugar, com 5,2% dos casos, seguida da psicológica (7,6%) e da física (28,3%).

A maior parte dos projetos criados no País para alterar essa realidade é lançada neste período do ano, embalada pela proximidade da data nacional.

Um deles é a Caminhada Contra a Violência, a ser realizada às 13h do próximo dia 15 de maio pela Liga Solidária. O objetivo mobilizar e convocar a sociedade para a luta contra a negligência e a exploração sexual, física e psicológica de crianças e adolescentes.

A violência por negligência (caso do assassinato do garoto Bernardo) foi responsável por 74% das  124.079 denúncias protocoladas no Disque 100 em 2013.

A caminhada será realizada pelas ruas do Distrito Raposo Tavares, o mais distante da zona oeste da cidade de São Paulo. A Liga Solidária é uma ONG que atende mais de 10 mil crianças, jovens e adultos em situação de alta vulnerabilidade social.

Desenvolve programas sociais de educação e cidadania nos distritos Raposo Tavares e Rio Pequeno, na periferia da zona oeste do município de São Paulo. Também está presente no Jardim Rosa Maria, com um abrigo, na região da Avenida Jornalista Roberto Marinho (bairro Cidade Monções), e na Saúde, com um Centro de Educação Infantil em cada bairro.

Outro projeto importante é a Caravana Siga Bem 2014, o maior evento itinerante do País. Em sua oitava edição, a Caravana, dividida em duas equipes, vai percorrer mais de 35 mil quilômetros de estradas. Seus integrantes visitarão 95 cidades de 25 estados levando a mensagem do combate ao abuso infantil.

A atração principal do projeto, patrocinado pela Petrobras e pela Volvo, é a peça teatral A Linda Rosa. O texto, escrito por Josemir Medeiros, busca conscientizar e incluir o público no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Conta a história de uma garotinha que sonhava em ser trapezista, mas é enganada pelo mágico Zoran, que a transforma em Linda Rosa e passa a explorá-la. A menina é salva pelo caminhoneiro Justiniano, o Justo, que liga para o Disque 100 e denuncia a violência.

O público-alvo da peça envolve caminhoneiros, profissionais de transportadoras, empresários do setor e comunidades próximas das rodovias utilizadas no projeto. Os atores são os próprios integrantes da Caravana, alguns deles caminhoneiros. “Nossa intenção é sensibilizar e conscientizar os caminhoneiros sobre a questão da exploração sexual e violência infantil”, explica o diretor artístico, Tito Teijido.

A Caravana envolverá diretamente mais de 70 profissionais durante nove meses em seus dois eixos: Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste; e Sudeste, Sul e outra parte do Centro-Oeste. Nas paradas, em postos e concessionárias, haverá atividades de recreação para caminhoneiros e familiares, massagem, corte de cabelo, shows de dança, coral, orquestra e palestras educativas da Polícia Rodoviária Federal.

Haverá também uma tenda da saúde, onde os caminhoneiros farão testes de glicemia, de verificação da pressão arterial e outros exames. A peça teatral será apresentada às 20h nos dias em que a caravana estiver estacionada nos pontos de parada.

A Caravana Siga Bem 2014 contará com várias carretas especiais. Uma será usada como lan house e spa. Nela serão realizados os testes para o “Caminhoneiro do Ano”, serviços de massagem e corte de cabelo. Outra servirá de palco para shows musicais, apresentações artísticas e de teatro. A terceira será dedicada a palestras e prestação de serviços aos caminhoneiros e a quarta, a convidados, reuniões e autoridades. A caravana terá ainda quatro caminhões-baú, dois ônibus e quatro veículos de apoio à produção e às reportagens.

A violência sexual contra crianças no Brasil destrói vidas, famílias e projetos.

Muitas vezes, é produzida por quem entra em casa sorrindo e livre, ou seja, alguém próximo da família e conhecido da criança. Teoricamente acima de qualquer suspeita. Padrasto, tio, amigo e, pasmem, até mesmo pai.

Qualquer esforço para inibir a ação desses desequilibrados deve ser elogiada e incentivada.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site:  http://noticias.r7.com/

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Criança pode ter “pressão alta”

Chamada de “mal silencioso”, a hipertensão arterial – antes exclusividade entre adultos – pode fazer parte da rotina dos pequenos. Observada cada vez mais precocemente, sua incidência varia de 2% a 13% entre crianças e adolescentes. A explicação, na maior parte das vezes, está no estilo de vida contemporâneo, que reúne maus hábitos alimentares e sedentarismo, resultando em obesidade e problemas associados, entre os quais a pressão alta.

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“Nos últimos anos, chama a atenção o aumento da hipertensão entre as crianças, principalmente em idade escolar, por conta do estilo de vida inadequado, com muita gordura e sal na alimentação e pouca ou nenhuma atividade física”, afirma a dra. Tatiana Jardim Mussi Wilberg, cardiologista infantil do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

A agenda atribulada também é apontada pelos especialistas como um dos motivos do aumento do distúrbio na infância e na adolescência. “Já percebemos casos de hipertensão por fatores psicológicos como ansiedade e estresse, bastante comum entre crianças com atividades extracurriculares em demasia e jovens que vão prestar vestibular”, avalia a cardiologista.

A medida correta

O ideal é que o pediatra comece a medir a pressão arterial, nas consultas de rotina, a partir dos 3 anos de idade. Mas o diagnóstico requer cautela. Assim como os adultos, os pequenos podem apresentar casos de hipertensão arterial transitória, conhecida como “síndrome do avental branco”, quando a pressão aumenta na presença do médico. Por isso, é recomendado comparar duas ou três medições em situações e horários diferentes.

“Se a mãe percebe que esse cuidado não faz parte da rotina do pediatra, tem de lhe pedir que faça a medição. Além de monitorar a pressão arterial do pequeno, o exame colabora para a detecção de doenças relacionadas à hipertensão”, alerta Gustavo Foronda, cardiologista infantil do Einstein.

Outro detalhe importante é o aparelho de medição: um modelo especial, diferente do utilizado nos adultos. “O equipamento precisa ter ajustes adequados para os braços e o melhor é aquele que faz as medições automaticamente”, explica Eduardo Mesquita de Oliveira, cardiologista do HIAE e responsável pelo Ambulatório de Cardiologia Infantil da Comunidade de Paraisópolis, mantido pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. “A pressão arterial nas crianças é diferente de acordo com a idade, o peso e a altura. Existem tabelas que definem se o valor medido está dentro do padrão da normalidade”, explica o médico.

Genética e estilo de vida

Entre filhos de pais hipertensos é maior a probabilidade de desenvolver o problema no futuro. Nessas famílias, portanto, o acompanhamento dos níveis de pressão arterial da criança deve começar logo cedo. E mais: todos têm de adotar um novo estilo de vida que reuna alimentação saudável e atividade física. “Essa é a forma de garantir mais adesão das crianças e adolescentes”, explica a dra. Tatiana.

Nas crianças, os principais fatores de risco para elevar a pressão – além do histórico familiar – são o sedentarismo, a obesidade e a alimentação inadequada. Já entre os adolescentes, também contribuem hábitos como o tabagismo, a ingestão de álcool e de drogas, o uso de anticoncepcionais orais e de anabolizantes.

“A prevenção é fundamental e deve ser perseguida obstinadamente”, afirma o dr. Mesquita. “Uma criança ou adolescente hipertenso poderá ter lesões no que chamamos de órgãos-alvo: cérebro, coração e rins. Isso traz consequências seriíssimas, como o acidente vascular cerebral (AVC), a insuficiência cardíaca e, por exemplo, a necessidade de hemodiálise por perda das funções renais, no futuro. A ideia é ficar atento e, se houver hipertensão, manter sob controle desde cedo”, orienta o médico.

Exames laboratoriais simples – como a análise da urina e as dosagens sanguíneas de ureia, creatinina e potássio (para avaliar a função renal), além de glicose, colesterol e ácido úrico –, assim como eletrocardiograma, podem apontar as causas da hipertensão. Com os resultados, já se pode avaliar que tipo de tratamento deve ser realizado.

Mudança de hábitos: primeira fase do tratamento

Só a mudança no estilo de vida resolve 95% dos casos de hipertensão infantil idiopática, ou seja, sem causa determinada. Incluir atividade física no dia-a-dia e alimentos saudáveis, além de retirar o excesso de sal nas refeições, é o primeiro passo para manter a pressão arterial no nível adequado.

O dr. Foronda aconselha a substituição do videogame por outras atividades. “Os jogos promovem uma neuroestimulação que pode aumentar a carga de estresse e ainda colaboram para que crianças e adolescentes fiquem cada vez mais sedentários”, explica. Os melhores exercícios para essa fase, segundo o dr. Mesquita, são a caminhada, o ciclismo e a natação.

Os outros 5% dos casos estão relacionados às causas secundárias, que precisam de tratamentos mais específicos. Quanto mais jovem o paciente, maior a probabilidade de a hipertensão ser consequência de outros males, como estreitamento da aorta, inflamação dos rins ou tumores suprarrenais. Quando a mudança de hábito não resolve, é preciso partir para a medicação. Mas isso apenas nos casos de hipertensão genética e com variações de moderada a importante – que trazem mais riscos à saúde.

Os medicamentos utilizados por crianças e adolescentes são os mesmos dos adultos. No entanto, o médico tem de ficar atento às respostas do organismo e aos efeitos colaterais para acertar a dosagem. Por exemplo: betabloqueadores e inibidores de enzimas, dois tipos prescritos, podem trazer algumas ressalvas para o uso infanto-juvenil. Os betabloqueadores não são os mais indicados para os asmáticos, atletas ou jovens em idade reprodutiva, pois podem interferir na atividade sexual. Já os inibidores de enzimas não são aconselhados para as jovens em idade fértil, pois podem prejudicar o feto em caso de gravidez.

Em suma, no caso da hipertensão infantil, valem as máximas: prevenir é melhor do que remediar e boa alimentação começa no berço.

Conselhos para pais e filhos

  • Mantenha hábitos alimentares saudáveis
  • Diminua o consumo de sal
  • Deixe de ingerir gorduras saturadas
  • Faça atividade física regularmente
  • Não fume

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Estudo avalia prevalência de hipertensão resistente no país

Determinar a prevalência da hipertensão resistente na população brasileira e padronizar o tratamento desses pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) são os objetivos de um estudo que vem sendo realizado em 25 hospitais universitários de todo o Brasil sob a coordenação de pesquisadores do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

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Uma análise preliminar detectou o problema em 16% dos 1.692 hipertensos avaliados. Os dados foram apresentados por Eduardo Moacyr Krieger, pesquisador responsável e vice-presidente da FAPESP, durante o evento internacional World Health Summit – Regional Meeting Latin America, organizado pela FMUSP entre os dias 6 e 8 de abril.

“Costumam ser considerados hipertensos resistentes aqueles pacientes cuja pressão permanece elevada mesmo após tratamento com doses adequadas de três medicamentos anti-hipertensivos de diferentes classes, sendo um deles necessariamente um diurético”, explicou Krieger.

Nesses casos, especialistas estimam que o risco de desenvolver doenças graves, como acidente vascular cerebral, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal seja três vezes maior do que em pacientes com hipertensão controlada – que, por sua vez, já apresentam risco mais elevado em relação à população normotensa.

A hipertensão resistente é considerada um problema emergente de saúde pública global, principalmente em função do aumento da expectativa de vida e dos casos de apneia do sono, diabetes e obesidade. Existe ainda a hipótese de que o consumo excessivo de sal possa estar contribuindo para o crescimento no número de casos.

“Há um consenso sobre a necessidade de tratar o hipertenso com três classes de medicamentos diferentes antes de considerá-lo resistente. Mas, quando o tratamento falha, sempre fica a dúvida: qual deve ser a quarta ou quinta droga a ser escolhida? Quase não há dados na literatura científica e, por esse motivo, decidimos propor esse projeto especialmente orientado para a população brasileira”, contou Krieger.

Batizado de Resistant Hypertension Optimal Treatment (ReHOT), o estudo multicêntrico conta com apoio do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da FAPESP, por meio do Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS).

Foram incluídos ao todo 1.927 pacientes com hipertensão severa – acima de 160 milímetros de mercúrio (mmHg) de pressão sistólica (máxima) e 110 mmHg de pressão diastólica (mínima) – em uma amostra considerada representativa da população brasileira. Atualmente, são considerados valores pressóricos ideais aqueles em torno de 120/80 mmHg e hipertensão acima de 140/90 mmHg.

A pressão foi medida tanto em consultório quanto por um método conhecido como MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), no qual medidas são feitas a cada 20 minutos, durante 24 horas, por um monitor acoplado à cintura, com o objetivo de registrar as variações durante o ciclo de sono e vigília.

Os pacientes considerados elegíveis foram tratados ao longo de três meses com doses adequadas de medicamentos disponíveis na rede pública de saúde. Após esse período, uma segunda avaliação revelou que 84% estavam com a pressão normalizada.

Foram considerados resistentes aqueles que após os três meses de tratamento apresentavam pressão clínica acima de 140/90 mmHg e pressão ambulatorial de 24 horas de 130/80 mmHg. Em uma segunda etapa da pesquisa, esses pacientes estão sendo divididos aleatoriamente em dois grupos. Metade será tratada com o medicamento clonidina e, os demais, com a droga espirolactona.

“Aquele que mostrar melhor efeito poderá ser incluído no tratamento padronizado do SUS e administrado em conjunto com as outras três classes de anti-hipertensivos já usadas”, explicou Krieger.

Para Krieger, o projeto ReHOT exemplifica a importância da união entre as universidades e o poder público para a realização de pesquisas voltadas a melhorar a prevenção e o tratamento na rede pública de saúde. “A obrigação da universidade não termina com a formação do médico. A universidade detém o conhecimento e os núcleos de pesquisa, que são os mais indicados para fazer análises de custo-benefício. E o patrocínio possível para isso vem de preferência do poder público”, afirmou.

O escopo do projeto ReHOT foi divulgado em um artigo publicado em 2013 na revista Clinical Cardiology. Os dados preliminares foram apresentados por Krieger durante o simpósio “Deciphering the Public Health Situation in Brazil”, que integrou a programação do World Health Summit – Regional Meeting Latin America.

Decifrando a saúde pública

Na mesma sessão, o pesquisador da FMUSP Paulo Andrade Lotufo apresentou dados preliminares do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil), cujo objetivo é investigar a incidência e os fatores de risco para doenças crônicas, em particular, as cardiovasculares e o diabetes. A amostra é composta por 15.105 funcionários de seis universidades públicas entre 35 e 74 anos.

Moyses Szklo, professor da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, apresentou dados do Projeto Erica – Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, que conta com uma amostra de 75 mil adolescentes de 12 a 17 anos e pesquisadores de 35 instituições do Brasil.

Outro estudo em andamento apresentado por Flávio Danni Fuchs, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi o Prevenção de Eventos Cardiovasculares em Paciente com Pré-Hipertensão e Hipertensão Arterial (Prever). Neste caso, o objetivo é investigar se o tratamento medicamentoso de indivíduos com pré-hipertensão reduz a incidência de hipertensão arterial e determinar a melhor combinação de drogas a ser usada.

Joyce Schramm, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP-Fiocruz), apresentou dados de seus estudos sobre carga de doença no país, que mostram redução nos casos de morte e incapacidade causados por doenças infecciosas e aumento nos casos resultantes de doenças não infecciosas, como as cardiovasculares e os transtornos mentais.

World Health Summit

Focado nos principais desafios da América Latina na área da saúde, o World Health Summit – Regional Meeting Latin America contou com simpósios das Escolas de Medicina da M8 Alliance – rede formada por 16 instituições de 14 países, entre elas a FMUSP.

O encontro visa a articular a comunidade científica, políticos e representantes da sociedade civil e do setor privado na discussão de soluções com base no conhecimento científico para enfrentar os desafios da saúde global, como a prevenção e o controle de doenças, o desenvolvimento de abordagens inovadoras e práticas mais eficazes.

A programação foi organizada em torno de cinco linhas temáticas: “Expectativa de vida saudável”, “Saúde urbana/Saúde em megacidades”, “Aumento na capacidade de pesquisa para incorporar tecnologias”, “Gerenciamento de sistemas de saúde para garantir cobertura universal” e “Educação em saúde”.

No dia 7 de abril, o encontro contou com a participação do presidente da FAPESP, Celso Lafer, que presidiu a mesa da palestra proferida por Gary Gibbons, diretor do National Heart, Lung and Blood Institute (NHLBI), órgão ligado ao National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.

O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, foi moderador, ao lado de José Eduardo Krieger (InCor-USP), pró-reitor de pesquisa da USP, do simpósio “Challenge to Improve Prevention and Outcomes in Cardiovascular Diseases”. Além de Gibbons, a sessão reuniu Joaquim Bernoya (diretor de Pesquisa da Unidade Cardiovascular da Guatemala), Jose Patricio Lopez-Jaramillo (Universidad de Santander, na Colômbia) e Alexandre da Costa Pereira (InCor-USP).

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Dia Mundial da Tuberculose: Brasil investe no combate a doença

O Brasil avança em novos tratamentos de combate à tuberculose para atingir as metas estabelecidas dentro dos Objetivos do Milênio definidos pela ONU, depois de ter sido um precursor no método de diagnóstico de uma doença que mata 1,5 milhão de pessoas por ano no mundo.

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O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado anualmente em 24 de março, ganha um significado especial para os brasileiros neste ano em que são lembrados os 50 anos da morte do brasileiro Manuel Dias de Abreu, inventor da abreugrafia, uma das grandes contribuições do país à medicina mundial, que o levou a ser indicado ao Prêmio Nobel cinco vezes.

No entanto, o País que já foi uma referência no combate à doença ainda convive com ela, integrando a lista de 22 nações que concentram 80% dos casos no mundo, com cerca de 4.600 casos por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A redução dos casos detectados até 2015 é um dos requisitos brasileiros dentro dos Objetivos do Milênio, definidos no ano 2000 pela ONU.

No começo do século XX, a tuberculose era uma epidemia no país e não havia políticas de controle eficaz ou tratamento. “Cerca de 50% das pessoas que contraíam tuberculose morriam em dois anos, se a doença evoluísse. Hoje existe a perspectiva do tratamento”, explicou Miguel Aiub Hijjar, diretor do Centro de Referência Hélio Fraga, no Rio de Janeiro.

A descoberta de medicamentos veio nos anos 40 e o número de casos começou a reduzir, graças também à melhoria das condições de vida. Em 1936, o médico Manuel Dias de Abreu criou uma espécie de raio-X simplificado que oferecia um diagnóstico rápido e barato e que ficou conhecido como abreugrafia.

“A utilização do raio-X comum era dificultada pela falta de recursos que evitassem a contaminação”, explicou a especialista em história da tuberculose, Dilene dos Santos. “A abreugrafia virou exame diagnóstico de massas, principalmente nas décadas de 70 e 80, quando era requisitado na admissão a empregos”.

Atualmente, acredita-se que 1/3 da população mundial tenha tido contato com o bacilo de Koch, causador da tuberculose.

Esta semana, uma aliança global contra a tuberculose anunciou o primeiro teste clínico de um novo tratamento para a doença, tanto na forma clássica quanto nas resistentes aos antibióticos, que será realizado no Brasil, e em países como África do Sul e Tanzânia.

A Aliança Mundial para o Desenvolvimento de Medicamentos contra a Tuberculose (TB Alliance), financiada por governos e fundações como a Fundação Bill e Melinda Gates, indicou que uma nova combinação de drogas promete avanços.

Para Hijjar, os maiores desafios no tratamento são a sua associação com a Aids, que aumenta a incidência, a persistência da pobreza e o abandono do tratamento.

“A média de abandono no Brasil é de quase 11%, quando o aceitável é 5%”, afirmou.

O tratamento deve ser realizado durante seis meses e o abandono leva à resistência aos medicamentos. Na tuberculose multirresistente, se estende por dois anos ou mais.

Atualmente, as pesquisas avançam em três direções: na redução desse tempo, na busca por uma vacina recomendada para adultos e por diagnósticos mais rápidos e modernos, como o GenXpert e Genotype MTBDR plus, substituindo a tradicional baciloscopia, utilizada desde sua invenção, no século XIX.

Carlos Basilia, diretor do Fórum de ONGs Tuberculose RJ – que reúne mais de 200 organizações não-governamentais com diferentes áreas de atuação -, lembrou que a tuberculose ainda têm muitos estigmas.

“Há uma invisibilidade do problema e das pessoas com tuberculose, ao contrário da dengue, por exemplo”, afirmou.

Entre os sintomas da tuberculose, estão: tosse persistente há mais de 3 semanas, com presença ou não de catarro ou sangue, perda de apetite, emagrecimento, febre baixa no fim do dia e suores noturnos. Quando apresentado um desses sintomas, é aconselhável procurar o serviço de saúde para que seja feito um exame de escarro.

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Alcoolismo entre os jovens

Os adolescentes estão cansados de ouvir ou ler esta tarja preta e séria que aparece minúscula nas propagandas de bebidas alcoólicas. Infelizmente, poucos levam a recomendação a sério. Resultado: 78% dos jovens brasileiros bebem regularmente e 19% deles já são dependentes do álcool.

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Os jovens estão bebendo mais e cada vez mais cedo, o que aumenta o risco de boa parte desta juventude desenvolver o alcoolismo. Esta equação se repete em praticamente todo o mundo, inclusive no Brasil, apesar de as pesquisas sobre o tema ainda serem bem escassas por aqui.

O último Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas, realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), revela que o consumo de álcool por adolescentes de 12 a 17 anos já atinge 54% dos entrevistados e desses, 7% já apresentam dependência. O estudo foi realizado em 2004 e mostrou que entre jovens de 18 a 24 anos, 78% já fizeram uso da substância e 19% deles são dependentes. Para se ter uma idéia de como o consumo de bebidas alcoólicas na adolescência aumentou, no levantamento anterior, realizado em 2001, apenas 5% dos adolescentes pesquisados preenchi am os critérios para dependência do álcool. Segundo recente estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em comparação com os países da América Latina, o Brasil aparece em terceiro lugar no consumo de álcool entre os adolescentes. A pesquisa foi feita com estudantes do ensino médio e incluiu 347.771 meninos e meninas, de 14 a 17 anos, do Brasil, da Argentina, da Bolívia, do Chile, do Equador, do Peru, do Uruguai, da Colômbia e do Paraguai. Entre os brasileiros, 48% admitiu consumir álcool.

Os dados são ainda mais alarmantes, porque o levantamento do Cebrid, que envolveu estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública, mostrou que a idade de início do consumo fica em torno dos 12 anos. “E, sabe-se, que o uso precoce de álcool aumenta o risco de alcoolismo em idade adulta”, alerta o psiquiatra Arthur Guerra, doutor no assunto e fundador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas, da Universidade de São Paulo (Grea-USP). De acordo com dados do livro Sóbrio – Vença a Dependência do Álcool e Mantenha a Dignidade (Ed. Nova Era), “os jovens que começam a beber antes dos 15 anos são muito mais propensos a desenvolver dependência alcoólica do que aqueles que começam a beber aos 21 anos”.

COMO OS PAIS PODEM AJUDAR
Algumas atitudes fazem a diferença na hora de alertar e orientar os jovens sobre a necessidade de não ir ‘com muita sede ao copo’.
…Buscar informações sobre os efeitos do álcool e o alcoolismo na adolescência. Um pai bem-informado ganha poder de persuasão no diálogo com os adolescentes.
…Perceber que não são os melhores amigos dos filhos e que, por isso, é seu papel e dever estabelecer limites e acordos com eles.
…Evitar dizer apenas ‘não’. Aprenda a escutar seus filhos e as razões deles para justificar o consumo de álcool.
…Dar o exemplo em casa, evitando o uso indevido (regular e em excesso) de bebidas alcoólicas.
…Participar da vida do adolescente e supervisioná-lo, quando necessário.
…Propiciar qualidade de vida ao jovem e estimular hábitos saudáveis, com passeios ao ar livre, contato com a natureza e momentos de lazer em família.

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Tratamento precoce é a saída para reduzir incidência do HIV

Garantir tratamento contra a aids a todas as pessoas diagnosticadas soropositivas, independentemente do estágio da doença, é fundamental para que a meta estabelecida pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) seja cumprida.

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Até 2015, o programa prevê a distribuição de medicamentos para 15 milhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente, estima-se que aproximadamente 11 milhões de pessoas estejam em tratamento contra a doença em diversos países.

Neste domingo (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids, o médico sanitarista e epidemiologista Pedro Chequer ressaltou que os países devem adotar a metodologia conhecida como Teste e Trate que, além de melhorar a resposta do organismo, ajuda a prevenir a disseminação do vírus.

“Hoje sabemos que, quanto mais cedo for iniciado o tratamento antes de haver danos ao sistema imunológico até irreversíveis, a resposta aos medicamentos é muito melhor. Além disso, a nova abordagem científica que se tem dado à questão é que o tratamento precoce é um método adicional de prevenção”, disse o especialista, que coordenou a política de aids do Ministério da Saúde e dirigiu o Unaids no Brasil.

Estudos internacionais mostram que o uso precoce de antirretrovirais reduz em 96% a taxa de transmissão do HIV. No Brasil, a ampliação do tratamento está sendo estudada pelo Ministério da Saúde que, há cerca de dois meses, submeteu à consulta pública um protocolo de atendimento prevendo que o tratamento seja fornecido ao paciente com aids que tiver CD4 (células de defesa do organismo) acima de 500 para cada milímetro cúbico de sangue e não apresente os sintomas da doença.

Pela regra atual, a rede pública de saúde fornece tratamento ao paciente com aids que tiver CD4 abaixo de 500 para cada milímetro cúbico de sangue. Desde o início de 2013, também podem receber o tratamento casais sorodiscordantes (aqueles em que um dos parceiros tem o vírus e o outro não) com CD4 acima de 500 células para cada milímetro cúbico de sangue, pacientes que convivem com outras doenças, como tuberculose e hepatite, e pacientes assintomáticos com CD4 menor de 500. A validação das proposições recebidas e elaboração da versão final consolidada do protocolo será coordenada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, que deve finalizar o documento ainda este ano.

Pedro Chequer também ressaltou o papel de destaque que o Brasil desempenha por meio de acordos de cooperação com países da África, como Cabo Verde, o Timor Leste, a Guiné-Bissau e Moçambique, para a transferência de tecnologia e de medicamentos.

Relatório divulgado este ano pelo Unaids revela que, entre 2001 e 2012, somente na África Subsaariana, o número de novas infecções registradas, por ano, teve queda de quase 40%. Em 2001, 2,6 milhões de pessoas foram infectadas. Em 2012, foram 1,6 milhão. Em todo o mundo, o documento aponta que houve 2,3 milhões de novas infecções por HIV no ano passado. O número foi o menor registrado desde a segunda metade da década de 1990, quando cerca de 3,5 milhões de novos casos eram diagnosticados por ano.

Além disso, entre os anos de 2001 e 2012, o número de novas infecções por HIV caiu 33%. Já o número de mortes relacionadas à aids diminuiu 29% entre 2005 e 2012. Em 2005, 2,3 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença. Em 2012, foram 1,6 milhão.

A aids é uma deficiência no sistema imunológico associada à infecção pelo vírus HIV, que provoca o aumento na suscetibilidade a infecções oportunistas e ao câncer. A transmissão ocorre por meio do sangue, sêmen, de secreção vaginal e do leite materno. O uso do preservativo em relações sexuais é apontado como a principal forma de prevenção da doença.

O tratamento é feito com a administração de antirretrovirais, medicamentos que suprimem agressivamente a replicação do vírus HIV e proporcionam a melhoria da qualidade de vida, redução da ocorrência de infecções oportunistas, redução da mortalidade e o aumento da sobrevida dos pacientes.

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Chefe da ONU pede que aids fique registrada ‘apenas nas páginas de história’

Marcando o Dia Mundial da Aids deste ano, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, demonstrou “otimismo” com o avanço da luta contra a aids em todo o mundo. Segundo ele, grande parte do mundo está acelerando o progresso na resposta ao HIV.

“Há reduções significativas em novas infecções e mortes, e nós estamos fazendo um bom progresso na realização de nossa meta de garantir que 15 milhões de pessoas tenham acesso ao tratamento antirretroviral até 2015. Isto é crucial para deter e reverter a epidemia de aids para o bem”, afirmou em uma mensagem especial para a data, lembrada nesta sexta-feira (1).

Ban ressaltou, no entanto, que ainda há sinais preocupantes de que algumas regiões e países estão ficando para trás, como revelou o relatório mundial sobre do UNAIDS deste ano. Mais de 35 milhões de pessoas vivem com o HIV no mundo.

“Estamos fazendo avanços em atingir as populações vulneráveis através de esforços para eliminar o estigma e a discriminação, mas há ainda muito a fazer para acabar com este problema. Devemos nos comprometer a quebrar as barreiras ainda existentes, incluindo as leis punitivas e a exclusão social, para que possamos chegar a todas as pessoas que não têm acesso ao tratamento e serviços de HIV.”

O secretário-geral da ONU sugeriu a intensificação dos esforços para impedir novas infecções pelo HIV entre crianças e a garantia do acesso ao tratamento para todas as mães que vivem com o vírus como estratégias para o enfrentamento da epidemia.

“Eu particularmente peço uma ação urgente para acabar com a discriminação e a violência contra as mulheres, que causam danos terríveis e aumentam o risco de infecção pelo HIV e morte por aids”, disse ele, lembrando a importância do Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária, uma das mais importantes fontes de financiamento para a resposta global, e agradecendo aos doadores.

Ban afirmou que gostaria de ver a aids relegada aos livros de história. “Se queremos um futuro livre da aids precisaremos de investimento, compromisso e inovação contínuos para alcançar a visão de zero novas infecções por HIV, zero discriminação e zero mortes relacionadas com a aids. Neste Dia Mundial da Aids, tomemos a decisão de manter a aids registrada apenas nas páginas de história.”

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.onu.org.br

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Antirretrovirais serão usados no País para prevenir Aids

Medicamentos antirretrovirais passarão a ser usados no País para prevenir a infecção pelo HIV. A estratégia será testada no Rio Grande do Sul a partir do próximo ano, com grupos considerados mais vulneráveis, como profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas e pessoas em situação de rua. O acordo será assinado neste domingo (1º), Dia Mundial da Aids, entre o Ministério da Saúde e o governo do Rio Grande do Sul. “Na primeira etapa, serão 100 pessoas voluntárias, mas o número será expandido até o fim do ano”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa. A iniciativa deverá durar um ano.

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A ideia é repetir a experiência em outros Estados. A começar pelo Amazonas, onde os níveis de infecção pelo HIV também são bastante preocupantes.

Experiências semelhantes já vêm sendo adotadas no País, mas em menor proporção. Os voluntários, todos de grupos considerados de maior risco para a doença, tomam medicamentos todos os dias, na expectativa de, com isso, evitar a infecção pelo HIV. A adesão ao tratamento e o impacto para a saúde do paciente e para saúde pública serão avaliados por pesquisadores.

O uso experimental de antirretrovirais como uma forma de prevenção de aids é parte de um pacote lançado neste domingo pelo governo para lembrar o Dia Internacional da Aids. Como havia antecipado o Estado, o Ministério da Saúde também vai estender o uso dos antiaids para adultos com HIV, independentemente do estágio da doença. Até então, medicamento era liberado apenas quando os níveis do vírus atingisse determinado patamar. A nova regra passa a valer a partir desta segunda-feira (02).

Antirretrovirais foram desenvolvidos para o tratamento de pacientes com aids. O remédio diminui de forma significativa a quantidade de vírus circulante no organismo. Seu uso, além de garantir melhor qualidade de vida para o paciente, pode diminuir o risco de infecção, por exemplo, de um parceiro sexual durante uma relação desprotegida. Por isso, ele passou a ser considerado também, um instrumento de prevenção da doença.

Ele é indicado, por exemplo, como uma espécie de pílula do dia seguinte. Em casos de acidente, violência sexual ou relações sem camisinha, doses do remédio são prescritas, para tentar evitar a infecção. O recurso pode ser usado somente até 72 horas após o risco de contágio. Ao longo dos anos, também foi antecipado o início do uso dos antirretrovirais até chegar agora `a prescrição independentemente do estágio da doença.

Os números da aids no País despertam preocupação. Boletim divulgado neste sábado (30) mostra que foram registrados em 2012 39.185 casos novos da doença. Em 2004, eram 34.479. O aumento das infecções nesse período foi constatado em todas as regiões, com exceção do Sudeste. No Norte, os registros passaram de 1.955 para 3.427. No Nordeste, foram 4.995 casos novos em 2004 e 7.971 em 2012. No Centro-Oeste, passou de 2.138 casos para 2.818. No Sul, foram registrados 7.274 casos em 2004 e 8.571 em 2012. No Sudeste, os números passaram de 18.117 para 16.398.

A maior incidência é registrada no Sul: 30,9 casos por cada 100 mil habitantes. A menor está no Nordeste, com média de 14,8 casos por cada 100 mil habitantes.

A taxa de mortalidade está estabilizada: foram 6,1 mortes a cada 100 mil habitantes. Em 2005, eram 6 mortes por cada 100 mil.

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Epidemia de Aids avança entre população Jovem

As taxas do Boletim Epidemiológico divulgadas neste domingo (1) mostram que problemas conhecidos de aids no País seguem sem solução. A epidemia avança entre a população jovem, as taxas de mortalidade permanecem inalteradas e a transmissão vertical, embora evitável, continua presente.

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Dentro desse quadro, surge uma nova preocupação: “Há uma tendência de aumento de casos”, afirma o pesquisador da Universidade de São Paulo Alexandre Grangeiro.

O boletim mostra que, em 2011, foram registrados no País 40.535 casos de aids. Uma marca que até então nunca havia sido alcançada. Em 2012, os números são um pouco menores: 39.185. Esse indicador, no entanto, pode mudar. Em razão do atraso nas notificações, ao longo do ano, ajustes geralmente são realizados.

Considerando os números apontados em 2012, o País registra um aumento geral de casos de 12%, em relação a 2005, quando 34.828 pacientes com a doença foram contabilizados.

“Esse é um número que reflete infecções que ocorreram há dez anos”, justifica o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, ao falar sobre 2012. Grangeiro, no entanto, avalia que o País vive um momento delicado. “Essa tendência de aumento do número de casos, a resistência na queda da mortalidade ocorre quando uma série de técnicas para prevenção, tratamento, já são colocadas em prática.”

Para o pesquisador da USP, a ampliação da oferta de medicamentos anunciada neste domingo é uma boa notícia, mas deve ser acompanhada também pela ampliação da estrutura de atendimento e, sobretudo, de uma política para redução do preconceito, que, garante, ainda está presente.

“Essa é uma das explicações para a resistência em fazer testagem pelo HIV”, completa Grangeiro. Pesquisas mostram que pessoas geralmente fazem o teste para confirmar que não têm o vírus. “Quando há uma suspeita, a resistência em fazer o exame aumenta.”

Somente com a redução do preconceito, afirma, a população vai aderir aos testes e o tratamento iniciado o mais rapidamente possível. “O que vemos, hoje, ainda é um grande número de pessoas que têm a doença diagnosticada numa fase mais avançada.”

Jovens

O boletim aponta para um aumento expressivo do número de casos na população entre 15 e 24 anos no período entre 2005 e 2012. Entre homens e mulheres nesta faixa etária, a incidência passou de 8,1 a cada 100 mil habitantes, para 11,3.

As taxas são empurradas pelo comportamento entre o grupo masculino jovem. No período, os números entre esse grupo cresceram 81%: saíram de 1.454 casos registrados para 2.635. Entre as mulheres jovens, a tendência é inversa. Nesta faixa etária, houve uma queda de 4% do número de casos.

Entre homossexuais masculinos, de todas as idades, a taxa de prevalência passou de 22,7 para cada 100 mil habitantes em 2005 para 32 por 100 mil, em 2012 – maior do que a taxa geral brasileira, que é de 20,2.

A transmissão da mãe para o bebê, durante a gestação e parto, pode ser evitada com o uso de antirretrovirais. Mesmo assim, em 2012, foram registrados 475 casos da doença entre menores de cinco anos – e, nessa faixa etária, a transmissão vertical é a principal forma de infecção.

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Quebra de estigma da aids ainda é desafio social

Síndrome que compromete o sistema imunológico, a aids foi estigmatizada por muitos anos como doença restrita à população homossexual e fortemente associada à promiscuidade, tendo sido chamada por veículos de imprensa como “peste gay” quando foram diagnosticados os primeiros casos no Brasil, no início da década de 1980. Para reverter esse preconceito, sanitaristas e epidemiologistas focaram suas ações em duas vertentes: a estruturação de uma rede de diagnóstico e prevenção da doença, que à época avançava em vários países, e campanhas massivas.

Profissionais, autoridades e organizações da sociedade civil se empenharam, nos últimos 30 anos, para desconstruir o mito da existência do grupos de risco, reforçando a ideia de comportamentos de risco, já que o vírus passou a se espalhar de forma geral, não mais se concentrando apenas em uma determinado segmento social, como homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos.

São considerados comportamentos de risco relações sexuais (homo ou heterossexual) com pessoa infectada sem o uso de preservativos; compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente, no uso de drogas injetáveis; reutilização de objetos que perfurem ou cortem o corpo (agulha, alicate de manicure, tesoura etc.) com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV.

Além da evolução observada na forma de enxergar a doença, o Brasil avançou no tratamento de pessoas soropositivas, desenvolvendo tecnologia em medicamentos e tomando decisões políticas para garantir o acesso da população de mais baixa renda aos remédios. Dois fatores foram fundamentais para isso: a distribuição gratuita do coquetel antiaids (combinação de medicamentos responsáveis pelo atual tratamento de pacientes HIV positivo) e a quebra de patentes de remédios que integram o coquetel, iniciada em 2001, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, e ampliada em 2007 durante mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em razão dessas medidas, a sobrevida de pessoas infectadas foi prolongada. Até o começo da década de 1990, a aids era considerada uma doença que levava à morte em um prazo relativamente curto. A transmissão ocorre por meio do sangue, sêmen, de secreção vaginal e do leite materno. Logo que forem observados quaisquer sintomas que indiquem uma possível contaminação, como febre, manchas na pele (sarcoma de Kaposi), calafrios, ínguas, dores de cabeça, de garganta e musculares, perda de peso, deve-se  procurar um profissional de saúde para o diagnóstico correto e a indicação do tratamento adequado. Estudos internacionais mostram que o uso precoce de antirretrovirais reduz em 96% a taxa de transmissão do HIV.

AIDS

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