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Hanseníase ainda é uma doença invisível, afirmam pesquisadores

A hanseníase, popularmente conhecida como lepra, é uma das doenças mais longevas da História, identificada em relatos já no século 6 a.C.. E, apesar de erradicada na Europa e nos Estados Unidos, ainda é um dos grandes problemas nacionais de saúde pública.

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O Brasil é o segundo país do mundo com maior incidência da patologia — perde apenas para a Índia. Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam 24,6 mil novos casos em 2014. Mas esse número deve aumentar na contabilidade final, que só será divulgada em março. O que significa que o país ainda está muito longe de erradicar a doença, meta divulgada em 2012.

O motivo para que isso ocorra, na opinião dos profissionais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/ Fiocruz) que conduzem a pesquisa e o atendimento ao agravo, resume-se numa frase: a hanseníase é uma doença invisível. “A sociedade não quer saber que ela existe. Não é uma doença que apareça na mídia. Não está na moda e não interessa aos epidemiologistas. É pouco estudada pela saúde coletiva. Devido ao estigma, o doente tenta escondê-la a todo custo. Como não provoca mortes, suas estatísticas não chegam a alarmar. Por isso, é uma doença que não incomoda a ninguém, a não ser aos próprios doentes. E muitos desses sofrem por toda a vida, incapacitados e com dor, em silêncio”, define Euzenir Sarno, chefe do Laboratório de Hanseníase do IOC, que pesquisa o tema na Fiocruz desde 1986.

Desafio no diagnóstico – O Ambulatório Souza-Araújo, unidade assistencial do Laboratório de Hanseníase do IOC, é um dos principais centros de referência no Brasil. É o único, inclusive, a já ter recebido certificado de excelência internacional — teve sua acreditação concedida, em 2014, pela Joint Commission International (JCI) e pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA). Seus números de atendimento ilustram um dos principais desafios no combate à doença no país: o diagnóstico correto. Em 2014, 805 pacientes recorreram ao ambulatório com suspeita de hanseníase. Mas, destes, apenas 115 realmente eram portadores do agravo. Ou seja: 85% das pessoas — a grande maioria encaminhada por outros serviços de saúde — não haviam passado por um processo eficaz de diagnóstico.

Apesar de não haver nenhum teste laboratorial que identifique com precisão a doença, o diagnóstico da hanseníase não é difícil. O problema é que, diferentemente da maioria das outras doenças, exige o envolvimento de uma equipe multidisciplinar, com dermatologistas, neurologistas e fisioterapeutas. Além de alguns testes simples, como o que avalia a sensibilidade das lesões, uma conversa aprofundada com o paciente é essencial para que o profissional de saúde possa respaldar a suspeita. “Mas o que percebemos é que os pacientes chegam ao Souza-Araújo sem terem sido devidamente examinados. Com isso, uma responsabilidade do atendimento básico acaba transferida para o centro de referência”, lamenta o médico José Augusto da Costa Nery, responsável clínico pelo ambulatório.

“O diagnóstico da hanseníase tem sido negligenciado pela própria classe médica. Os padrões para essa etapa precisam ser aprimorados, para que possamos enfrentar a doença de fato. É um equívoco imaginar que o paciente demora a procurar atendimento. Já recebemos casos de pessoas com hanseníase que passaram por 13 médicos diferentes, sem ter o diagnóstico”, completa.

Como as lesões iniciais da hanseníase podem ser confundidas com problemas dermatológicos, e as equipes de atenção primária pelo Brasil não costumam ter profissionais de muitas especialidades atuando de forma integrada no diagnóstico, muitas vezes o paciente demora a ter a doença identificada. E, quanto mais tempo fica sem o tratamento, maiores as probabilidades de contaminar parentes e amigos. “Cada caso não diagnosticado vai infectar pelo menos outras duas pessoas”, estima Euzenir.

Essa negligência, que começa no diagnóstico, também se manifesta nas demais etapas do atendimento. Uma delas diz respeito ao estigma, outro grande desafio. Isso porque não basta tratar, com remédios, a pessoa que procurou o serviço de saúde. A hanseníase ainda é uma doença com forte carga de preconceito na sociedade brasileira, e o paciente vai precisar do acompanhamento de um assistente social para lidar com esse problema. Além disso, a atuação de um assistente social é muito importante para identificar as pessoas que convivem de maneira próxima com o doente, e que podem estar, também, infectadas.

Preconceito e silêncio – No Ambulatório Souza-Araújo, todos os pacientes são atendidos pela assistência social tão logo recebem o diagnóstico. Assim podem tirar todas as suas dúvidas e são orientados a identificar, na família e no grupo de amigos, quais pessoas mais próximas podem ter sido contaminadas. Estas devem, então, agendar consultas no ambulatório. Todas as sextas-feiras, o atendimento é exclusivo para os parentes, que são examinados e encaminhados para tomar a vacina BCG. Apesar de usado originalmente contra a tuberculose, vários testes comprovam que o imunizante protege também da hanseníase.

Um problema, porém, é que muitos acabam escondendo a doença da família e dos amigos, por medo do preconceito. “No dia a dia do ambulatório, testemunhamos muitos casos de doentes que perdem o casamento. A mulher ou o marido vão embora, com medo do contágio”, relata Nery. “A hanseníase não provoca apenas lesões nos nervos e na pele. Ela é incapacitante, também, do ponto de vista moral e psicológico. E isso precisa ser levado em conta pelos serviços de saúde.”

Assim que começa o tratamento, diminuem muito as chances de o paciente contaminar outra pessoa. Mas, como a hanseníase tem um tempo de incubação muito extenso — pode levar anos até que apareçam os primeiros sinais — é fundamental que a família também seja examinada e orientada.

E esse é outro desafio. Porque, em geral, as estratégias de enfrentamento da doença não incluem a chamada “busca ativa”: o acolhimento das famílias dos pacientes, como faz o Ambulatório Souza-Araújo. “O sistema [de saúde] não está preparado para fazer exames num número grande pessoas que não estão doentes. Então a busca ativa acaba não acontecendo de forma abrangente. Com isso, se desenvolve uma cadeia que não conseguimos quebrar”, descreve Euzenir.

Atenção mesmo após a cura – Outra particularidade da hanseníase é que, durante o tratamento ou mesmo após a cura, é comum que os pacientes enfrentem os chamados “estados reacionais”. São reações do sistema imunológico, com o agravamento das lesões e da dor. “O estado reacional é um problema sério. O paciente começa o tratamento muito esperançoso e, um mês depois, retorna ao ambulatório com mais lesões, os nervos muito doloridos, febre. E então precisa ser internado. Essa é uma das complicações da lepra. Acomete de 30% a 40% dos casos”, afirma a pesquisadora.

Depois da cura, parte dos pacientes também pode continuar desenvolvendo problemas neurológicos. Como explica Euzenir: “Em não menos que 20% dos casos, os pacientes já curados desenvolvem neuropatias, tornam-se neuropatas crônicos. Mas as pessoas às vezes nem associam as incapacidades físicas e a dor à hanseníase, porque já estão curadas. Elas se acostumam à dor, e permanecem sem a atenção médica ideal.”

Por isso, o procedimento adotado pelo Souza-Araújo é que os pacientes permaneçam sendo acompanhados, mesmo após a cura. “A hanseníase tem grande potencial de provocar incapacidades e deformidades. Mesmo depois da alta, o paciente precisa de vigilância permanente da equipe, ao menos pelos próximos 10 anos seguintes”, explica a fisioterapeuta Lilian Pinheiro, também do ambulatório.

“Para enfrentar a hanseníase, o fundamental não é apenas a questão terapêutica”, completa Nery. “A educação em saúde, as estratégias de informação e a desmistificação da doença são parte primordial no tratamento.”

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Especialista alerta para o diagnóstico tardio da hanseníase

Mesmo com a queda nos novos casos de hanseníase no país, muitas pessoas buscam atendimento médico já com sequelas da doença. Isso faz com que o diagnóstico médico seja feito de forma tardia. O alerta é do coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio.

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Em entrevista à Agência Brasil, Custódio avaliou que a principal ação promovida pelo governo nos últimos anos tem como foco identificar novos casos de hanseníase. Apesar dos avanços no diagnóstico, ele defende a necessidade da divulgação permanente de informações sobre a doença nos meios de comunicação.

“Essa campanha [lançada pelo Ministério da Saúde na quinta-feira com foco no diagnóstico precoce] está chegando com pelo menos quatro anos de atraso. Isso porque, há quatro anos, o Congresso Nacional aprovava o Dia Nacional de Luta contra a Hanseníase, a ser comemorado na mesma data do dia mundial”, disse. “A gente precisa falar sobre a doença para diminuir o preconceito e acabar com ela”, acrescentou Custódio.

O coordenador do Morhan ressaltou que a expectativa do movimento é que o governo assuma este ano um “novo tipo de postura” em relação ao combate à hanseníase, por meio da adoção de campanhas permanentes e da capacitação de profissionais para o diagnóstico precoce, incluindo os estrangeiros do programa Mais Médicos e agentes de saúde responsáveis por visitas domiciliares.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 2013, o Brasil registrou 31.044 novos casos de hanseníase. No ano passado, dados preliminares apontam que 24.612 novos casos foram identificados no país. As áreas de maior risco estão concentradas em Mato Grosso, no Pará, Maranhão, em Rondônia, no Tocantins e em Goiás.

A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa e transmitida de uma pessoa doente que não esteja em tratamento para uma pessoa saudável suscetível. Ela tem cura, mas pode causar incapacidades físicas se o diagnóstico for tardio ou se o tratamento não for feito adequadamente já que atinge pele e nervos.

A orientação é que as pessoas procurem o serviço de saúde assim que perceba o aparecimento de manchas, de qualquer cor, em qualquer parte do corpo, principalmente se ela apresentar diminuição de sensibilidade ao calor e ao toque. Após iniciado o tratamento, o paciente para de transmitir a doença quase que imediatamente.

Pelo telefone 0800 026 2001, mantido pelo Morhan, é possível acessar informações sobre a hanseníase, além de denunciar problemas como a discriminação a pacientes ou a falta de medicamento para a doença.

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Brasil registrou 24,6 mil novos casos de hanseníase

O governo federal identificou no ano passado 24.612 novos casos de hanseníase no país, segundo dados preliminares divulgados na ultima quarta-feira (21) pelo Ministério da Saúde.

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O número representa uma queda em relação aos casos identificados em 2013, mas indica um ligeiro aumento da prevalência de casos a cada 10 mil habitantes: de 1,42 casos nesse universo para 1,56.

“Tivemos capacidade de diagnosticar aquilo que estava oculto”, justificou o ministro Arthur Chioro (Saúde).

“Quando a gente olha os 10 últimos anos, temos um declínio lento, gradual, mas consistente da enfermidade no nosso pais. Podemos falar que a tendência da hanseníase no Brasil é para a eliminação, para o controle”, completou.

A meta acordada com a OMS (Organização Mundial da Saúde) é chegar a menos de 1 caso para o grupo de 10 mil pessoas. A partir desse patamar, entende-se que a doença está sob controle. O objetivo inicialmente foi projetado para o ano 2000.

“Optamos pela sustentabilidade das ações, não por fazer o decréscimo rápido, mas com risco de retrocesso”, ponderou Rosa Castália, coordenadora de hanseníase e doenças em eliminação do ministério.

CAMPANHA NACIONAL

Na manhã desta quarta, a pasta lançou campanha nacional de luta contra a doença. Serão usados cartazes, folhetos para profissionais da saúde e informações divulgadas na internet. “Quanto antes as pessoas descobrirem, mais cedo vão se curar”, destaca a iniciativa.

Rosa Castália destacou que a doença se concentra em Estados como Mato Grosso, Maranhão e Tocantins. “Ela tem grande concentração na borda externa da região amazônica e alguns estados do Nordeste também”, disse.

Para ela, adoção de iniciativas descentralizadas para o combate da doença ajudou na redução de novos casos, o que vem ocorrendo desde 2003. Entre elas, estão a estratégia da saúde da família e diagnóstico de crianças matriculadas na rede pública

No dia 25 de janeiro é celebrado o dia mundial contra a hanseníase. O ministro da Saúde reconheceu que a doença ainda enfrenta estigma e, assim como as demais doenças negligenciadas, está associada a situações de pobreza e dificuldade de acesso a serviços de saúde.

A doença é transmitida pelas vias aéreas superiores e tem período de incubação muito longo, de até cinco anos. Entre os sintomas, estão manchas de diferentes colorações, perda de sensibilidade térmica e tátil.

A doença tem cura e o tratamento é oferecido de forma gratuita no SUS (Sistema Único de Saúde).

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Depressão já é a doença mais incapacitante, afirma a OMS

No mundo da depressão, o futuro já chegou. E as notícias não são boas.

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De acordo com previsões da OMS (Organização Mundial da Saúde) feitas no século passado, em 2030 o mal seria responsável por 9,8% do total de anos de vida saudável perdidos para doenças. Pois esse índice foi atingido em 2010.

E as perspectivas de melhora não são nem um pouco otimistas, segundo Kofi Annan, ex-secretário geral das Nações Unidas, que abriu o seminário “The Global Crisis of Depression” (A crise global da depressão), promovido pela revista britânica “The Economist” e realizado em Londres em novembro.

“A depressão atinge hoje quase 7% da população mundial –cerca de 400 milhões de pessoas”, apontou ele. “Incapacita os atingidos pela doença, coloca enorme peso em suas famílias e rouba da economia a energia e o talento das pessoas.”

Segundo ele, em 2010 os custos diretos e indiretos da depressão eram estimados em US$ 800 bilhões (mais de R$ 2 trilhões) no mundo todo. “E, de acordo com as previsões, esse custo deve mais do que dobrar nos próximos 20 anos”, alertou ele.

Um estudo apresentado no evento pelo diretor do Instituto de Psicologia Clínica e Psicoterapia da Technische Universitaet de Dresden, Alemanha, Hans-Ulrich Wittchen, sustenta esse cálculo.

A pesquisa analisou dados de 30 países de 2001 a 2011 para medir o tamanho das doenças mentais no continente e seu custo.

“Os males da mente são os mais prejudiciais e limitantes entre todos os grupos de doenças”, disse ele. “E a depressão, individualmente, é a mais incapacitante das doenças”, afirmou, citando dados da OMS e os que sua pesquisa levantou.

Os resultados, para a economia, são também gigantescos: em média, pessoas com depressão perdem cerca de oito dias de trabalho por mês, contra apenas dois da população “saudável”.
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O mal atinge principalmente as mulheres, especialmente em seu período fértil e mais produtivo.

“Há muitas implicações para as vidas das crianças e das famílias, pois há a transmissão de comportamentos depressivos para os filhos. Há dados que mostram que isso pode acontecer até mesmo na gravidez”, afirma Wittchen.

Os números, segundo ele, mostram que o risco de filhos de mães deprimidas terem depressão até os 25 anos é duas vezes mais alto do que entre filhos de mães que não sofreram de depressão.

Uma nova pesquisa Datafolha, encomendada pelo laboratório Eurofarma, também apontou que a depressão é uma condição familiar. Mais da metade (57%) dos entrevistados que têm a doença disse que tem outro membro na família com depressão.

O Datafolha ouviu 430 moradores de São Paulo–222 que receberam diagnóstico de depressão e fazem ou já fizeram tratamento e 208 familiares de pessoas com a doença.

A margem de erro é de sete pontos percentuais, taxa comum nesse tipo de estudo com amostra relativamente pequena, segundo Paulo Alves, gerente de pesquisa de mercado do Datafolha.

A principal causa da depressão citada tanto por doentes como por familiares são os problemas de saúde.

Já o segundo lugar da lista mostrou divergências curiosas. Questões familiares foram apontadas como causa da depressão por 28% dos doentes. Já os próprios familiares minimizaram sua parcela de culpa: só 21% citaram essa como causa da doença.

A pesquisa corrobora ainda o impacto que a depressão tem no trabalho: 37% dos doentes não fazem parte da população economicamente ativa, 11% deles por problemas decorrentes da doença.

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Expectativa de vida aumenta em todo o mundo

As pessoas estão vivendo mais em todo o mundo quando comparado há duas décadas. Isso se deve, em parte, à queda do número de mortes provocadas por doenças cardiovasculares em países de alta renda e à redução da mortalidade infantil em países de baixa renda.

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Estudo publicado nesta quinta-feira (18) pelo periódico The Lancet, feito em 188 países – inclusive no Brasil – mostra que a expectativa de vida global para ambos os sexos passou de 65,3 anos em 1990 para 71,5 anos em 2013. As mulheres alcançaram resultados ligeiramente melhores que os homens – a expectativa de vida entre elas aumentou 6,6 anos e, entre eles, 5,8 anos.  A previsão do documento é que, se as tendências registradas nos últimos 23 anos se mantiverem, até 2030 a expectativa de vida das mulheres será 85,3 anos e a dos homens, 78,1 anos.

O estudo revela ainda que as principais causas de morte variam de país para país mas, em nível global, transtornos relacionados ao uso de drogas e doenças crônicas dos rins respondem por parte considerável do aumento de óbitos prematuros registrado desde 1990. As mortes provocadas por alguns tipos de câncer, como pâncreas e rins, também aumentaram.

Ao mesmo tempo, segundo o relatório, foram identificados grandes avanços na redução da mortalidade decorrente de doenças como sarampo e diarreia, com quedas de 83% e 51%, respectivamente, entre 1990 e 2013. Ainda de acordo com o levantamento, três condições respondem por quase 32% do total de mortes registradas no ano passado em todo o mundo: doença isquêmica do coração, derrame e doença pulmonar obstrutiva crônica.

A pesquisa identificou também que, mesmo diante de melhorias na longevidade de países de baixa renda, os desafios na saúde enfrentados por nações como a Bolívia, o Nepal e a Nigéria são bem diferentes dos registrados no Japão, na Espanha e nos Estados Unidos.

 

Os desafios de diversos países de renda média, como a China e o Brasil, se aproximam mais dos de países ricos. A idade média com que as pessoas morrem aumentou de 46,7 em 1990 para 59,3 em 2013. O estudo indica que, devido ao crescimento da população global, entre outros fatores, o número de mortes em ambos os sexos e em todas as faixas etárias combinadas aumentou de 47,5 milhões para 54,9 milhões no mesmo período.

O número de pessoas que morreram em razão de condições como doença do coração aumentou conforme a população foi crescendo, mas caiu entre faixas etárias específicas propensas a essas condições, um sinal, segundo o relatório, de progresso. Os índices de morte por câncer, incluindo câncer de mama, cervical e de cólon, caíram, enquanto o câncer de pâncreas, o de rim e o linfoma de não-Hodgkin registraram aumento de óbitos.

O documento destaca como “tendência encorajadora” o fato de as pessoas viverem mais atualmente, mas ressalta que é preciso garantir políticas públicas capazes de preparar para os desafios da saúde e os custos associados que estão por vir.

Confira as principais causas de morte em todo o mundo (acompanhadas do número de óbitos):

2013
1. Doença isquêmica do coração (8.139.900)
2. Derrame (6.446.900)
3. Doença pulmonar obstrutiva crônica (2.931.200)
4. Pneumonia (2.652.600)
5. Mal de Alzheimer (1.655.100)
6. Câncer de pulmão (1.639.600)
7. Ferimentos em acidentes de trânsito (1.395.800)
8. HIV/aids (1.341.000)
9. Diabetes (1.299.400)
10. Tuberculose (1.290.300)

1990
1. Doença isquêmica do coração (5.737.500)
2. Derrame (4.584.800)
3. Pneumonia (3.420.700)
4. Doenças diarreicas (2.578.700)
5. Doença pulmonar obstrutiva crônica (2.421.300)
6. Tuberculose (1.786.100)
7. Complicações neonatais decorrentes de parto prematuro (1.570.500)
8. Ferimentos em acidentes de trânsito (1.058.400)
9. Câncer de pulmão (1.050.000)
10. Malária (888.100)

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Humanos iguais, direito e justiça

Art.1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais  em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para  com os outros em espírito de fraternidade”

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Apesar de não ser do conhecimento de todos, o que aliás deveria ser, afinal pertence a cada ser vivente deste planeta, os direitos humanos ou coletivos são aqueles adquiridos em decorrência do resultado de uma longa história e que foram debatidos ao longo dos séculos por filósofos e juristas. São direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, idade, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos humanos incluem o direito à vida, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem estes direitos, sem discriminação e em igualdade e liberdade.

Entre suas principais características estão o respeito pela dignidade e o valor de cada pessoa. Eles são universais, o que quer dizer que são aplicados de forma igual e sem discriminação; são inalienáveis e ninguém pode ser privado de seus direitos, mas podem ser limitados em situações específicas. São também indivisíveis, interrelacionados e interdependentes, já que é insuficiente respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, a violação de um direito vai afetar o respeito por muitos outros.

Durante a idade moderna, os racionalistas dos séculos XVII e XVIII, reformularam as teorias do direito natural. Para os racionalistas, todos os homens são por natureza livres e têm certos direitos inatos de que não podem ser despojados quando entram em sociedade. Foi esta corrente de pensamento que acabou por inspirar o atual sistema internacional de proteção dos direitos do homem e da mulher.

A evolução destas correntes veio a dar frutos pela primeira vez na Inglaterra e depois nos Estados Unidos. A Carta Magna de 1215 deu garantias contra a arbitrariedade da Coroa, e influenciou diversos documentos, como por exemplo, o Acto habeas corpus (1679), que foi a primeira tentativa para impedir as detenções ilegais. A Declaração Americana da Independência datada em 4 de Julho de 1776 onde constava os direitos naturais do ser humano que o poder político deve respeitar. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, também proclamada na França em 1789, e as reivindicações ao longo dos séculos XIV e XV em prol das liberdades, alargou o campo dos direitos humanos e definiu os direitos econômicos e sociais, políticos e culturais.

Mas o momento mais importante, na história dos Direitos do Homem, é durante 1945-1948. Em 1945, algumas nações tomaram consciência das tragédias e atrocidades vividas durante a 2ª Guerra Mundial, o que os levou a criar a Organização das Nações Unidas. Foi através da Carta das Nações Unidas, assinada a 20 de Junho de 1945, que os povos exprimiram a sua determinação. A criação da ONU simboliza a necessidade de um mundo de tolerância, de paz, de solidariedade entre as nações, que faça avançar o progresso social e econômico de todos os povos. Através da sua existência foi possível viabilizar um fórum ideal para o desenvolvimento sustentável e solidário e a adoção dos instrumentos internacionais de direitos humanos.

Os principais objetivos das Nações Unidas, passam por manter a paz, a segurança internacional, desenvolver relações amigáveis entre as nações e realizar a cooperação internacional. Ela também tem como intuito resolver problemas internacionais de cunho econômico, social, intelectual e humanitário, desenvolver e encorajar o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais sem qualquer tipo de distinção.

Assim, em 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Logo este dia constitui uma importante data comemorativa, pois é um dia para que o mundo possa relembrar que a garantia efetiva dos direitos humanos requer vigilância contínua e participação coletiva. Sem dúvidas, trata-se de uma data para reivindicarmos ações concretas de todos para o cumprimento dos compromissos assumidos com a garantia dos direitos civis, políticos, sociais e ambientais.

Parabenizamos todos atores e atrizes da humanidade caminhante de Deus da criação e sempre da evolução dos direitos humanos. Parabenizamos militantes de centros de direitos humanos do MNDH, comissões de justiça e paz, comitês de anistia, anistia internacional, comissões parlamentares de direitos humanos, comissões de direitos humanos da ONU e OEA e comissões da verdade, justiça. Tortura nunca mais. História, memória, justiça, verdade, democracia e liberdade, paz e cidadania.

Neste 10 de dezembro, busquemos uma reflexão sobre o papel a ser exercido pelos governos a nível federal, estadual e municipal, pela família e por cada pessoa no avanço e na efetivação das garantias consolidadas pela Declaração dos Direitos Humanos. Essa é uma oportunidade para fazermos um balanço do que os governos já concretizaram em benefício do seu povo e quais serão os próximos desafios. Um chamado para que os países do mundo refundem o compromisso social de, por meio da educação, promover o respeito a todos os direitos fundamentais. Todo dia é dia dos direitos humanos.

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HIV está se tornando menos mortal e infeccioso, diz estudo

O vírus HIV está se tornando menos mortal e menos infeccioso, de acordo com uma pesquisa coordenada pela Universidade de Oxford.

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Os pesquisadores mostraram que o vírus está perdendo força ao se adaptar ao nosso sistema imunológico e demorando mais para causar a Aids (a síndrome da imunodeficiência adquirida, que ocorre à medida que as barreiras imunológicas do corpo começam a ser corroídas).

Alguns virologistas sugerem que a evolução do vírus pode torná-lo, algum dia, “quase inofensivo”. Para os pesquisadores de Oxford, as mudanças no vírus podem ajudar nos esforços para conter a pandemia.

Hoje, o HIV infecta mais de 37 milhões de pessoas no mundo – em seus corpos, ocorre uma batalha entre o sistema imunológico e o vírus. Tal qual um mestre do disfarce, o vírus sabe rapidamente e com pouco esforço passar por mutações para se adaptar ao sistema imunológico.

No entanto, às vezes o HIV infecta uma pessoa com um sistema imunológico particularmente eficaz.

“[Nestes casos] o vírus fica entre a cruz e a espada”, explica o professor Philip Goulder, da Universidade de Oxford. “Ele pode perder a eficácia ou se transformar para sobreviver e, se tiver que mudar, isso terá um custo.”

O “custo” é uma diminuição na capacidade de se replicar, o que faz com que o vírus se torne menos infeccioso e leve mais tempo para causar Aids.

Lentidão

À medida que este vírus enfraquecido é passado para outras pessoas, tem início um lento ciclo de enfraquecimento.

A equipe mostrou esse processo acontecendo na África, comparando Botswana, onde os problemas com o HIV existem há um longo tempo, e África do Sul, onde o vírus chegou uma década depois.

“É bastante surpreendente. É possível ver que a capacidade de se replicar é 10% menor em Botswana do que na África do Sul e isso é muito emocionante”, disse Goulder à BBC.

“Estamos observando a evolução acontecer na nossa frente e é surpreendente a rapidez com que o processo está acontecendo. O vírus está perdendo sua capacidade de causar doença e isso vai contribuir para sua eliminação.”

As descobertas foram publicadas na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Ataque dos antirretrovirais

O estudo também sugere que as drogas antirretrovirais estão forçando o HIV a evoluir para formas mais leves. Os medicamentos teriam como alvo principalmente as versões mais agressivas do HIV, permitindo a reprodução das formas menos violentas.

“Vinte anos atrás, a Aids se manifestava em dez anos. Mas, nos últimos dez anos, em Botswana, isso pode ter aumentado para 12,5 anos – um aumento pequeno, mas que no contexto geral é uma mudança rápida”, disse Goulder.

“É possível imaginar que isso se estenda cada vez mais e que, no futuro, as pessoas possam permanecer assintomáticas durante décadas.”

“Se a tendência continuar, em seguida, podemos ver uma mudança de cenário global: uma doença longa sendo menos transmissível”, disse à BBC Jonathan Ball, virologista da Universidade de Nottingham.

“Em teoria, se deixássemos o HIV seguir o seu curso, veríamos o surgimento de uma população humana mais resistente ao vírus do que somos hoje coletivamente. A infecção por HIV acabaria se tornando quase inofensiva. Isso provavelmente já aconteceu ao longo da história, mas estamos falando de escalas de tempo muito grandes.”

Porém, o grupo alertou que mesmo uma versão enfraquecida do HIV ainda é perigosa e pode causar Aids.

Andrew Freedman, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Cardiff, qualificou o estudo de “intrigante”.

“Os pesquisadores foram capazes de demonstrar como o vírus se enfraqueceu ao longo do tempo. O uso generalizado de terapia antirretroviral pode ter um efeito semelhante e, em conjunto, estes efeitos podem contribuir para o controle final da epidemia de HIV”, disse.

Mas ele advertiu que o HIV ainda tem “um caminho muito longo” até se tornar inofensivo e que “outros acontecimentos podem substituir isso, incluindo um acesso mais amplo ao tratamento e, eventualmente, o desenvolvimento de uma cura”.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando o site: http://www.bbc.co.uk/

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Aids avança entre os jovens brasileiros

Os jovens entre 15 e 24 anos formam um dos grupos que mais preocupa as autoridades e profissionais de saúde envolvidos com o combate à aids no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em oito anos foram registrados mais de 30 mil casos da doença nesse grupo da população.

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Se em 2004 havia 9,6 casos de aids em cada grupo de 100 mil habitantes de 15 a 24 anos, em 2013 o índice saltou para 12,7. Ao todo, 4.414 jovens foram detectados com o vírus em 2013, enquanto em 2004 haviam sido 3.453.

Nesse grupo, a preocupação é ainda maior com os gays. “Há uma tendência de aumento importante entre os mais jovens de 15 a 24 anos, em particular entre meninos jovens que fazem sexo com meninos jovens”, afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, nesta segunda-feira 1º, Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Para especialistas ouvidos pela DW Brasil, entre os motivos que levam à contaminação estão a sensação de invulnerabilidade, a discriminação, o uso de drogas, má comunicação com esse grupo e, principalmente, o não uso da camisinha.

“Há 30 anos fazemos o mesmo tipo de mensagem e esquecemos que o jovem de hoje não é o mesmo de 30 anos atrás, da época do surgimento da epidemia”, diz Georgiana Braga-Orillard, diretora da Unaids no Brasil. “O jovem de hoje não viu ídolos morrerem e não têm exemplos que tornam a epidemia de aids real.”

Para a especialista, é também necessário falar sobre discriminação, que é um dos fatores para a vulnerabilidade dos jovens homossexuais. “Nós temos que falar sobre discriminação nas escolas e na TV. O papel da mídia é muito importante para discutir mais o assunto”, afirma Braga-Orillard.

Em São Paulo, um levantamento da Secretaria da Saúde divulgado nesta segunda-feira confirma os dados nacionais: o número de novos casos de aids na faixa etária entre 15 e 24 anos aumentou 21,5% nos últimos sete anos. Foram registrados 722 novos casos em 2013, enquanto que, em 2007, haviam sido 594. No mesmo período, o número total de novos casos no Estado caiu 20%, passando para 6.830 em 2013.

De acordo com o infectologista Francisco Aoki, do Hospital das Clínicas da Unicamp, muito se fez em termos de prevenção, diagnóstico, tratamento, acompanhamento, distribuição de medicamentos, entre outras políticas. Porém, devido aos bons resultados do tratamento antirretroviral, os mais jovens têm relaxado na hora de usar a camisinha.

“Discussão, campanhas e informação existem aos montes. Mas, no entanto, os jovens têm tido uma certa dose de desdém e não vêm observando a necessidade de prevenção efetiva”, observa.

Para Fabiano Ramos, chefe do serviço de infectologia do Hospital São Lucas, da PUC-RS, há descaso no uso do preservativo e, ainda, o problema do uso de drogas, que favorece a disseminação do HIV. “O uso do crack vem aumentando nas cidades brasileiras, especialmente nas camadas mais pobres da população”, diz Ramos.

O Ministério da Saúde lançou nesta segunda-feira, em Brasília, uma campanha voltada para o público jovem. Com o slogan #partiuteste, a ação visa informar sobre a prevenção do vírus HIV, com material específico para a população jovem gay e também para travestis. Nas peças publicitárias, é destacada a importância de se iniciar o tratamento logo depois de um resultado positivo.

O Ministério da Saúde divulgou ainda que, entre janeiro e outubro, o número de pacientes que iniciaram tratamento com medicamentos antirretrovirais no SUS passou de 61 mil – número 29% maior do que no mesmo período do ano passado, quando 47.506 pessoas iniciaram esse tratamento.

O aumento se deve à mudança de protocolo para a oferta do medicamento: em dezembro de 2013, o ministério estendeu o tratamento a todos infectados pelo HIV, independentemente do estágio da doença e da contagem das células de defesa CD4.

De acordo com o ministério, 734 mil pessoas vivem com aids no Brasil, sendo que, desse total, 589 mil sabem que têm a doença. O ministério afirma que a epidemia está estabilizada no país e que, a cada ano, são notificados 39 mil novos casos.

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Tratamento como prevenção, os primeiros resultados na epidemia da AIDS

O Brasil chega este ano com 29% a mais de pessoas em tratamento com antirretrovirais pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na comparação com 2013. De Janeiro a Outubro do ano passado, 47.506 pessoas entraram em uso de medicação antirretroviral, sendo que neste mesmo período de 2014 foram 61.221 pacientes. No total acumulado, quase 400 mil pessoas já estão em terapia com estes medicamentos, neste ano. Os dados são do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2014, divulgados pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, nesta segunda-feira, em Brasília, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a aids (1º de dezembro).

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O crescimento no número de pessoas em terapia com antirretrovirais é um dos impactos do Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids, lançado em 1º de dezembro do ano passado. O protocolo garantiu acesso aos antirretrovirais a todas as pessoas com testes positivos de HIV, mesmo aquelas que não apresentem comprometimento do sistema imunológico.

Outro resultado positivo do protocolo, lançado há um ano, é o aumento expressivo de pessoas que iniciam o tratamento com CD4 acima de 500, ou seja, pessoas soropositivas com imunidade normal. Os dados do novo boletim indicam que 37% dos pacientes que entraram em tratamento em 2014 tinham CD4 acima de 500. Isso demostra que protocolo está funcionando: os médicos estão prescrevendo de acordo com a diretriz do Ministério da Saúde e os pacientes estão tomando corretamente os medicamentos prescritos.

AVANÇOS – O Brasil tem adotado, nos últimos meses, uma série de medidas para controle da transmissão, entre elas a ampliação da testagem de HIV em populações chaves (gays e homens que fazem sexo com homens, transexuais e travestis, pessoas que usam drogas e profissionais do sexo), além da facilitação do acesso de medicamentos, com a incorporação de novas formulações mais fáceis de serem usadas pelas pessoas vivendo com HIV/aids. Em 2014 o Ministério incorporou o 3 em 1 no Rio Grande do Sul e no Amazonas e já estendeu a compra para todo país. Além disso, incorporou o 2 em 1 e o Ritonavir termoestável, que dispensa a conservação em geladeira, dentre outras novidades. Todas essas medidas irão proporcionar que um grande número de pessoas possam se beneficiar do início precoce da terapia.

Com a adoção destas medidas, o Ministério da Saúde pretende cumprir a meta estabelecida pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) e pela Organização Mundial da Saúde, conhecida como 90-90-90, até 2020. A meta é testar 90% da população brasileira e, das pessoas que apresentarem resultado positivo, tratar 90%. Como resultado, conseguir que 90% das pessoas tratadas apresentem carga viral indetectável.

CAMPANHA – Pela primeira vez o Ministério da Saúde apresenta em uma campanha a estratégia de prevenir, testar e tratar. A campanha, lançada neste dia 1º de dezembro, tem como público alvo os jovens. Haverá também material segmentado para a população jovem gay e travestis. A estratégia deste ano prevê a continuidade da campanha, com adaptações, para festas populares, como carnaval e outros eventos, durante todo o próximo ano.

A nova campanha apresenta jovens experimentando a vida com a palavra “testar”. O teste reforça o slogan final usando a gíria “# partiu teste”, linguagem típica desta faixa etária prioritária. O mensagem geral da campanha é informar o jovem para se prevenir contra o vírus da aids, usar camisinha, fazer o teste e, se der positivo, começar logo o tratamento, reforçando o conceito “camisinha + teste + medicamento” de prevenção combinada.

NOVOS NÚMEROS – De acordo com o novo boletim epidemiológico, cerca de 734 mil pessoas vivem com HIV e aids hoje no país. Deste total, 80% (589 mil) foram diagnosticadas. Desde os anos 80, foram notificados 757 mil casos de aids no país. A epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 20,4 casos, a cada 100 mil habitantes. Isso representa cerca de 39 mil casos de aids novos ao ano.

O coeficiente de mortalidade por aids caiu 13% nos últimos 10 anos, passando de 6,1 caso de mortes por 100 mil habitantes em 2004, para 5,7 casos em 2013. Do total de óbitos por aids ocorridos no país até o ano passado, 198.534 (71,3%) ocorreram entre homens e 79.655 (28,6%) entre mulheres.

Em julho deste ano, a revista britânica The Lancet, uma das mais importantes publicações científicas da área médica, divulgou um estudo mostrando que o tratamento para aids no Brasil é mais eficiente que a média global. Segundo o estudo, as mortes em decorrência do vírus HIV no país caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, maior do que os 1,5% registrados globalmente.

FUNDO POSITHIVO – No Dia Mundial de Luta contra a Aids, o Ministério da Saúde também anunciou o lançamento do Fundo Nacional de Sustentabilidade às Organizações da Sociedade Civil que trabalham no campo das DST/AIDS e Hepatites Virais. O fundo tem como meta arrecadar recursos da iniciativa privada para financiar projetos sociais de Organizações da Sociedade Civil (OSCs).

O fundo irá mobilizar recursos adicionais para as OSC, proporcionando a sustentabilidade e o aprimoramento das respostas sociais e políticas a estas enfermidades no Brasil. A Fundação de Amparo à Pesquisa e à Extensão Universitária (FAPEU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ficará responsável pelo seu gerenciamento nos 3 primeiros anos. O fomento à criação do Fundo tem como objetivo contribuir para uma fonte adicional de recursos à luta contra a AIDS no país, que tem na Sociedade Civil Organizada um aliado estratégico.

Atualmente, trabalham com o tema DST, Aids e hepatites Virais no país cerca de 350 organizações da sociedade civil (OSCs). Além da mobilização de recursos financeiros, o fundo pretende contribuir com a prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, ao HIV/aids, às hepatites virais e à promoção da saúde, especialmente entre jovens.

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